Wikipedia recolhe 4,3 milhões em donativos numa semana
Bastou uma semana para a Wikipedia recolher 6 milhões de dólares (4,3 milhões de euro, redondos) em donativos, na sequência de um apelo do seu fundador, Jimmy Wales, publicado por alturas do Natal.
O marco foi ultrapassado hoje, como puderam constatar os leitores da Wikipedia. Em todas as páginas do site surge, no topo, uma mensagem que alterna entre o apelo de Jimmy Wales e o resumo das contas apuradas. Há poucas horas o botão azul (ver imagem) com o montante angariado exibiu, pela primeira vez, um valor superior ao objectivo declarado.
Trata-se, provavelmente, da maior acção de crowdfunding jamais realizada.

A mensagem de Wales, traduzida nas línguas da Wikipedia, refere que o apoio dos leitores através de doacções é essencial para manter “livre e forte” o projecto da maior enciclopédia da história.
A Wikimedia Foundation, uma organização sem fins lucrativos fundada por Wales, é quem assegura os salários dos funcionários pagos da Wikipedia: 23 apenas. Estes são essencialmente técnicos e supra-editores, pois todo o conteúdo é editado livremente por voluntários não-remunerados: 150.000, que ao longo dos últimos anos contribuiram com mais de 11 milhões de artigos em 265 idiomas.
As despesas anuais do projecto centram-se nos servidores e conectividade e são, segundo Wales, inferiores a 6 milhões de dólares.
“A Wikipédia é mais do que um site. Nós compartilhamos uma causa: Imagine um mundo onde qualquer pessoa têm livre acesso à soma de todo o conhecimento humano. Este é o nosso compromisso.
Sua doação nos ajuda de diversas maneiras. Principalmente, você nos ajudará a cobrir os custos crescentes para manter o tráfego a um dos sites mais populares da Internet. Recursos também podem nos ajudar a melhorar o software da Wikipédia. [...] Estamos empenhados em fazer crescer o movimento pela livre circulação do conhecimento ao redor do mundo, através do recrutamento de novos voluntários e da construção de parcerias estratégicas com instituições culturais e de aprendizagem“.
Links:
Wikipedia em português, com 450.000 artigos
O apelo de Jimmy Wales
Lista de alguns dos benfeitores da Wikipedia (com donativo acima dos 1.000 dólares)
Crowdfunding, neologismo que define o recurso ao financiamento por uma cibermultidão.
Homenagem a um primeiro andar
Esta é uma homenagem a um primeiro andar.
(Leitores de feed e newsletters, este link)
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CONTINUAÇÃO
As leis da lógica
Todos os cronistas do dia a dia têm momentos menos bons. Logo, o que os separa uns dos outros não é o facto de roçarem por vezes o bocejo. Não. É a capacidade de brilhar nos momentos realmente bons.
Ferreira Fernandes é um dos bons cronistas da praça não porque seja isento de momentos menos bons (tenho bocejado) mas porque nos encanta amiúde — mais amiúde, eventualmente, que outros.
Com Ferreira Fernandes devemos reaprender as leis da lógica, úteis em caso de sobredosagem de comentadores e analistas taróticos e apocalípticos. Devemos aprender com o artigo de ontem no Diário de Notícias, vai ser um ano ímpar! (referindo-se a 2009):
“Acho que estou a respeitar as leis da lógica: se todos os economistas se enganaram completamente sobre os dias de hoje, é provável, sendo unânimes sobre o dia de amanhã, voltarem a enganar-se. 2009 não pode ser a repetição da Grande Depressão, não pode ser a crise funda, não pode ser a deflação sem saída, não pode. A prova que não pode? Os economistas dizem que só pode.” Vão lá ler, se faz favor.
O tarólogo
Em mais uma demonstração da sua coragem — <modo ironia> que alguns confundem, apressadamente, com cega soberba </modo ironia> –, Pacheco Pereira relembrou ao mundo que a sua argúcia política não é sacada de um baralho de vulgar Tarot. O baralho dele é de outro calibre.
As provas?
As cartas que lançou há um ano, nas previsões para 2008.
“O que eu disse há um ano sobre 2008 foi que “vamos continuar a empobrecer tão certo como dois e dois serem quatro”. A aritmética continua a ser fiável, continuamos a empobrecer. Disse também que “o governo terá a tentação de dar mais do que pode e deve, á medida que se aproximam eleições.” O governo de José Sócrates continua a ser fiável no seu eleitoralismo.”
É efectivamente preciso ser um génio da bola de cristal para afirmar que “vamos continuar a empobrecer”. Todos os outros analistas, aliás, disseram o contrário: que 2008 ia interromper o ciclo de empobrecimento e íamos começar a enriquecer. Todos cegos. Todos menos ele, que previu com brilhantismo que “íamos continuar a empobrecer” e agora, muito aritmeticamente, quer cobrar-nos.
A aritmética continua a ser tão fiável como a lógica. A lógica que nos permite concluir pela diferença qualitativa entre as cartas do baralho de Pacheco Pereira e os outros Tarots. Admitindo que sejam de melhor papel, dizem o mesmo: recorrentes banalidades.
Ou não é uma carta de Tarot e, como tal, uma banalidade recorrente, a frase “o governo continua a ser fiável no seu eleitoralismo”? Isto é previsão de que um homem se gabe?
“Depois há duas últimas previsões que estão na ordem do dia: “os partidos vão começar a arder por dentro” à medida que se aproximam eleições, e “vamos ter cada vez mais presidente”. Tivemos e ainda vamos ter mais. Não tenho aqui à mão as cartas do Tarot que foram lançadas no ano passado, mas peço meças“.
Duas cartadas do mais clássico que se podem encontrar em qualquer baralho de tarólogo da política, incluindo os baralhos da loja dos chineses aqui do bairro a 1,5 euro, com o qual eu próprio brinco volta e meia. Os partidos “ardem por dentro” (um raro momento de prosa poética no Abrupto) sempre que se aproximam eleições, e nem mesmo o facto de se aproximarem três seguidas se me afigura possível de, de alguma forma miraculosa, alterar esse comportamento ancestral e repetido como uma missa. Pelo contrário, aconselha-nos a lógica e até mesmo, quiçá, a intuição. E dizer “vamos ter cada vez mais presidente” não significa nada, mas fica sempre bem dizer como cumprimento. É uma carta agradável. Faça o presidente o que fizer, podemos sempre concluir, no final do ano, que “tivemos mais presidente”.
Como analista político, Pacheco Pereira hoje vale isto. Um conjunto de recorrentes banalidades apresentadas em papel com monograma.
Os 5 posts mais populares de 2008

Fim de ano é uma boa altura para recapitular. Eis os 5 posts mais populares de 2008 aqui no Certamente!
- A televisão e os jornais parecem ter sido inventadas para servir as piores características de Miguel Sousa Tavares foi, sem surpresa, o post mais popular do ano. Afinal de contas, “os blogues e a Internet parecem ter sido inventados para servir as piores características dos portugueses — disse Miguel Sousa Tavares numa peça que a SIC transmitiu” Publicado a 3 de Maio, contém uma lista dos posts de reacção à boutade do popular escritor. Não foram poucos, por essa blogosfera fora.
- Eleições americanas nos meios online, um artigo de lançamento das campanhas especiais montadas pelos principais meios portugueses para cobrir a eleição presidencial dos Estados Unidos, foi o segundo artigo mais popular, apesar de publicado já tarde no ano, a 29 de Outubro
- Que aos bancos, como o Barclays, só importam os lucros e não as pessoas, já sabemos, mas esta história é edificante foi o terceiro artigo mais lido. Foi um dos assuntos do ano, a saga de Pedro Rebelo com o Barclays por causa de um cartão de crédito. Publicada em 25 de Julho, antes da crise financeira rebentar em todo o seu esplendor, a história acabaria por ser estranhamente adequada para descrever os seis meses seguintes. Escrevia então: “A mim só me surpreende que alguns dos comentadores deste assunto [...] ousem pensar que os bancos existem para servir clientes. É uma falsa ideia. Os bancos existem para servir os interesses dos seus accionistas, interesses estes que consistem, basicamente, em rentabilizar, da melhor forma possível, os seus activos e gerir da forma mais adequada ao máximo lucro as suas especulações sobre a economia real. Dito de outro ângulo: para um banco, qualquer banco, um cliente é um meio para atingir um fim, não o fim ele próprio”
Não só os clientes. O próprio sistema político é visto como um mero instrumento da actividade. Next. - Viva o Magalhães! (ou: qual é o futuro para um país moitaflorado?) foi o quarto mais lido. Outro dos temas do ano, o net-pc Magalhães, vendido por uma empresa portuguesa e pelo governo, um sucesso que incomodou os adversários políticos viscerais ou ocasionais do Primeiro Ministro.
- Jogos para Mac, publicado a 16 de Janeiro, ainda na versão anterior de Certamente,e no qual bendizia a minha condição de switcher (da treta do Windows para o mais satisfatório Mac) e desfazia um dos mitos urbanos acerca da bem propagandeada supremacia dos computadores com o sistema operativo da Microsoft: o facto de ser uma melhor plataforma de jogos. É irrelevante.
Medo, PSD. Medo
Se eu fosse Cavaco Silva, terminava o ano bastante mais zangado com o meu antigo(?) partido e com a minha antiga leal colaboradora, do que propriamente com o partido do Governo e o seu lídimo chefe.
Do PS, Cavaco não esperará nunca flores. Pode dar-se bem e estabelecer pactos com José Sócrates — mas nunca esperará dali nada. É um adversário declarado. Agora, ter sido abandonado pelo seu partido, para mais LIDERADO PELA SUA ANTIGA MINISTRA, eu, se fosse Cavaco, tinha ficado fulo da vida. Muito fulo da vida.
Os analistas de serviço já repetiram ad nauseum a “questão constitucional” e o “erro político”, ou “derrota”. Aguardo que falem das implicações deste aspecto, menos secundário do que parece, do dossiê Açores. É que o que estragou a “avaliação”, quando decidiu avançar pelo lado político da questão, não foi o PS. Foi o PSD. Cavaco podia imaginar confortavelmente que os socialistas podiam insistir no diploma e não emendar uma vírgula. Era um risco calculável e sem dúvida calculado. Cavaco não imaginou que o partido que liderou em duas maiorias absolutas lhe voltaria as costas, envergonhado e cabisbaixo.
O “erro político” é induzido pela base de apoio de Cavaco, não pelos seus adversários partidários. Um pormenor determinante porque um pormenor novo e que irrompe subitamente pelo centrão acima.
Se o PR e o PM estavam no mesmo barco por via da consolidação orçamental, agora caíram nos braços um do outro, empurrado Cavaco Silva pelo inexplicado comportamento do PSD no dossiê Açores. Podem ter os seus arrufos — civilizados, pragmáticos, de cavalheiros que não sendo da mesma família se vêem como companheiros pontuais de percurso. Mas estão nos braços um do outro. Antes um adversário leal que um aliado imprevisível e inconstante.
No ano eleitoral de 2009, Cavaco Silva entra com o pé esquerdo e vontade de desforra. E não contra Sócrates e o PS, que se comportaram (ainda que com a arrogância um pouco acima do esperado) dentro do quadro previsível. Medo, PSD. Medo.
O melhor (e mais bonito) blog de 2008?
Quereis mesmo saber qual foi o melhor (e mais bonito) blog de 2008? Foi o Modus vivendi.










Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou jornalista free lance, escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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