Vacas frígidas

Texto forte, intratável como só os anti-despenalização merecem, escrito por vieira do mar no controversa maresia (via Bomba Inteligente).

A minha posição sobre o aborto é clara e está publicada desde o dia 3 de Março. Sobre a história do barco do amor e do governo do aborto também já escrevi o suficiente. Resta-me aplaudir o texto de vieira do mar e outros que exponham a insanidade e a hipocrisia.

  1. 1 Nonio

    Há algumas curiosidades neste caso do barco do aborto que comento no meu blog em http://nonio.blogs.sapo.pt

  2. 2 Mario Sergio

    é realmente um assunto a se discutir, eu sou contra o aborto…

  3. 3 wordcandance

    Aproveito o poste, e em sequência das ideias do Paulo Q., com as quais concordo, para chamar a atenção para a petição on-line, que está a decorrer:

    “Os cidadãos e as cidadãs abaixo-assinados, vêm por este meio apresentar a sua total discordância e perplexidade perante a decisão do governo de proibir a entrada em Portugal do barco da Women on Waves, que pretendia atracar no porto da Figueira da Foz, no âmbito de um projecto visando a defesa da saúde sexual e reprodutiva das mulheres, do direito à escolha responsável e da defesa da descriminalização do aborto.

    Os argumentos apresentados pelo governo são incompreensíveis quer à luz da lei nacional, comunitária e internacional, quer à luz das normas democráticas e cívicas que implicam a participação dos cidadãos e das cidadãs, das suas organizações autónomas, a livre expressão de opiniões e o debate construtivo, neste caso em torno de problemas muito reais (..)”.

    Quem quiser assinar:

    http://www.petitiononline.com/19592c11/petition.html

  4. 4 jpt

    Caro PQ. Assisti ontem a debate na RTP-I (judite de sousa convida…). Duas convidadas muito fracas (as do não), Três decentes/articuladas (duas do pró-escolha e o médico, parece-me que pela manutenção da lei porque suficiente) e um imbecil (o sociólogo, que deve ter feito mais pela causa anti-liberalização do que toda a Igreja fundamentalista junta). Consegui pesar alguns argumentos. Li, entre outros posts, três coisas que achei ponderados sobre isto: o Rua da Judiaria (e atenção, nada laico), o Acidental (pelo não, mas laico) e o Projecto (cheio de dúvidas, mas pela despenalização). Cá por mim, se me permites a intrusão em blog alheio, cheio de dúvidas. ATeu (está no blog, abundantem/), nas tintas para o dr. Portas, eng.Guterres e prof. Louçã (idem). Mas não consigo decidir, o meu intelecto aqui tranca, obstáculos internos (noutras coisas também decerto, mas sigo pimpão sem perceber). Exactamente por isso aqui refiro gente que ouvi/li a falar bem e com posições explícitas ou matizadas. Honestamente em todos os lados vejo argumentos falaciosos e/ou frágeis. Porque raio é que um bom punhado de gente que oscila como eu há-de levar com o epíteto de “assassino/baby killer” de um dos lados e de “hipócrita insano”?
    Às vezes venho a estes comments e uso uma saudável linguagem desbragada como é uso local, e ainda bem. Apetecia-me fazê-lo agora, mas acho que teria outro sentido. Daí que fica a irritação
    (segue noutro comment que este já vai longo)

  5. 5 jpt

    Há uns tipos que me dizem que a vida é sagrada, inviolável. Lindo. Apesar das forças armadas legítimas, apesar do direitos (claro que controlados) à legítima defesa e à utilização da força extrema pela polícia. Contradição. Sim. Incontornável. Tudo desaba, acho eu. Claro que sim. Nem vale a pena continuar deste lado. Ground Zero.

    E do outro lado? resmungam que os do “não” querem impor a sua moral À sociedade. Mas isto são questões de valores (ok, moral para simplificar). Então o caso contrário naõ é vero, não querem também impor uma moral? bolas (auto-censura aqui).

    O Aborto existe. Mas em mais áreas do real nós aceitamos o real porque o é? No natural, e mesmo esse lutamos para o mudar (vs doença, ritmos naturais etc).

    Que é uma questão da mullher individual (e talvez do seu par) (está no teu post). Meu caro, nada, mas nada mesmo na sociedade é individual. Isso é um mito, isso é uma irredutível ideologia (e dantes de alguma direita, surpreendente que alguma esquerda a agarre agora, instrumentalmente). Nada do que se faz não se relaciona com os tais valores sociais - não me lixem. Abortar é questão de valores, e a sociedade é que os produz e dissemina. Não é a D. Celeste que vai sozinha optar por isso (e ésse pensamento é, contraditoriamente, uma fabulosa forma de culpabilização de todas as mulheres, mas passa por enquanto, outra vez porque instrumental).

    O aborto é suficientemente penalizador da mulher que o faz. Aqui concordo. Mas há uns anos largos dizia-se (e acredito) que a maioria dos assassinatos era passional. Peço desculpa, o que é auto-penalizante/desestruturador? Abortar às 3 semanas e meia ou dar um tiro na mulher/marido/mãe/pai dos filhos/amor da vida/centenas de noites de sexo/projectos todos só porque alguma coisa se passou e uma pessoa se passou? Despenalizar o crime passional?

    Paro, hipócrita e insano. Prender as mulheres? Não, não acho. Mas os argumentos são uma tralha. Digo eu, insano. E não lhes chamo um aborto porque a ironia é aqui terrivelmente injusta.

    Não conheço a lei. Mas ontem ouvi o médico na TV dizer algo interessante. A lei espanhola é semelhante à portuguesa. Aplica-se de maneira diferente. Porque ambas têm algo como “perigos psíquicos” (naõ retive a expressão) para a mulher. SE isso é verdade porque não lutar por uma mudança na aplicação (para além de todas as outras envolventes, sociais refira-se, aqui sociais)? SE é verdade, repito, desconheço a lei (o que não é desculpa, como qualquer leigo sabe).

    Se isto é verdade, quem é o insano? O gajo que torcem o nariz, ou os que direccionam a questão? (e repara que, educado, retiro o hipócrita, que não seria para o bloguista mas decerto alhures. mas isso seria declaração de intenções)

    Já vai longo, desculpa, mas fico assim com duas ideias: os argumentos do sim francamente; e uma radical concordÂncia - o nosso governo é de uma imbecilidade insana.

  6. 6 pTd

    Caro jpt: sinceramente não é tema que eu goste de discutir. Desde logo porque sou um dos milhões de portugueses co-autores do crime de aborto, pelo que tudo o que eu escrever será usado contra mim ;) Depois porque já escrevi tudo o que queria sobre o aborto, ver links acima.

    O que agora vou pontuando aqui no meu canto é alguma coisa que por aí leia que me excite. Como foi o caso do barco das Women on Waves e do Governo, como foi o caso do post de vieira do mar.

  7. 7 jpt

    olha vinha fazer uma ressalva… não é preciso. mas já agora, quem não é cúmplice/co-autor?

  8. 8 pTd

    Pois. Eu vinha também adicionar uma provocação semelhante ;) Mas achei melhor não.

    A actual lei não é a melhor e há quem a queira alterar. Eu não participo em discussões do foro clínico e MUITO MENOS com gente do pró-”vida”. Gostava que o aborto fosse despenalizado e (dando alguma atenção às tuas questões sobre o nada é individual em sociedade) regulado de forma a guiar e proteger todos os que com ele têm de lidar, do “co-autor” à enfermeira passando pelo médico, pela autora e pelo director clínico do estabelecimento.

    Face à lei é essa a minha atitude. Face à discussão exaltada entre uns e outros, a minha atitude é mais é erguer o dedo do meio de cada uma das minhas mãos, uma mão para cada extremo.

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