Traduzindo a Compta…
publicado 24 Setembro 2004 em tomem os comprimidos!.Vamos lá espremer e traduzir o comunicado da Compta, a empresa dirigida por ex-ministros do PSD, em situação financeira difícil, e que ganhou a corrida (concurso? dizem que sim, dizem que não, ninguém responde oficialmente) para a feitura do software encarregue de distribuir os professores pelas escolas.
«1. carecem de fundamento sério os comentários públicos que imputam responsabilidade à COMPTA no que respeita a eventuais desconformidades do software para apoio ao procedimento do concurso para selecção e recrutamento do pessoal docente da educação pré-escolar básica e secundária;».
Malta: andamos todos a brincar aos cóbois e não devíamos, aquilo é coisa de gente séria.
«2. a COMPTA repudia o tratamento que ao assunto tem sido dado por alguns sectores, designadamente através de comentários imponderados que criam a ideia, errónea, de que os problemas surgidos com as listas de colocação de docentes se deveram exclusivamente a razões de ordem técnica;»
OK. Ficamos esclarecidos: os problemas não foram exclusivamente de ordem técnica, o que necessariamente implica duas coisas. a) houve problemas de ordem técnica; b) houve problemas de outra natureza (será política?).
«3. cumpre, ainda, deixar claro que o presente esclarecimento não tem um carácter mais exaustivo — que porventura dissiparia dúvidas acerca da responsabilidade da ocorrência — em face do dever de confidencialidade a que se encontra vinculada a COMPTA, no âmbito do contrato celebrado com a Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação, precedido de concurso publico»
Normal… É normal o Estado manter cláusulas de confidencialidade em contratos públicos. Normal e desejável. Pois. Resta saber se: a confidencialidade é, como é algumas vezes, destinada a evitar que a empresa contratada venha a público dizer coisas que o contratante preferia que não dissesse; ou… não, não me vou deitar a adivinhar o que se pode esconder numa cláusula de confidencialidade assinada por um representante da coisa pública com uma empresa privada dirigida por colegas seus de partido.
«4. a COMPTA, pugnando pelos princípios da verdade e da transparência, manifesta-se, desde já, totalmente disponível para colaborar em qualquer inquérito, em sede própria, de forma a que, com celeridade, rigor, isenção e a necessária profundidade, se apurem responsabilidade pelo sucedido.».
Quando falam em “inquérito, em sede própria” está tudo dito, não é? Lamento pessoal: os media, blogosfera incluída, não são “sedes próprias” para fazer inquéritos à conduta de empresas contratadas pelo representante da coisa pública. Metamos o rabinho entre as pernas e toca a disparar noutros alvos, que aqueles já se barricaram.
[ Ainda ninguém aceitou a minha aposta: uma imperial em como a ministra vai c’os porcos, mais mês menos mês, não haverá inquérito algum e a Compta continuará numa nice a concorrer a concursos do Estado. ]


ADENDA: pelo que tenho lido foi mesmo concurso e a Compta venceu-o.
Paulo, já viste este post? Comptas feitas, noves fora NADA.
http://afixe.weblog.com.pt/arquivo/152015.html
A ministra já pediu a demissão que não foi aceite por PSL.
Agora é que o Louça podia fazer valer a sua “genica” e obrigar no parlamento a que o acordo com a Compta fosse publicamente divulgado.
Este post é duma boçalidade e duma ignorância sem limites.
Pá, num projecto de desenvolvimento de software pode haver problemas que não sejam de natureza técnica e que não sejam de natureza politica.
A maior parte dos projectos de desnvolvimento de software devem as suas falhas a problemas de gestão de projectos: definição do ambito e dos teste, motivação da equipas, envolvimento do cliente, etc, etc, etc. E muito provavelmente foi qualquer coisa deste estilo que aconteceu.
Paulo, agora não podes é vir para aqui armar em bom e em sabichão em coisa de que não percebes nada, ok?
Caro Rui Silva: o seu, sim, é um comentário boçal e de alguem de má fé. Além de revelar uma confrandegora ignorância de… Português. O Rui Silva não leu o post. Como se comprova facilmente quanto à natureza dos problemas. Eu não indentifiquei a natureza dos problemas, sugeri com interrogações uma delas. Mas — OH! — Rui Silva não leu o ponto de interrogação nem percebeu patavina do texto.
Quando defendemos um partido, uma causa é sempre mais fácil tresler as palavras que consideramos “contrários”, puxar da rudeza e insultar os oponentes, do que tecer uma crÃtica construtiva.
Respigo do seu blogue, o blogue de alguem com “experiência na indústria informática em projectos semelhantes”: “[…]há dois factores principais que podem estar na origem destes problemas:
-más práticas de gestão de projecto quer ao nivel da Compta quer do Governo. Nestes casos a responsabilidade é sempre partilhada.
-tráfico de influências entre o governo e a Compta (dirigida por ex- dirigentes do PSD) no sentido de a favorecer na adjudicação do projecto.”
Caro Rui Silva: devemos presumir do seu comentário que, ao contrário de mim, que não ando a investigar e escrever há 10 anos sobre o que a indústria informática vem fazendo em projectos semelhantes e de outros, você é um ser divinamente (?) iluminado que tudo sabe, portanto pode aqui vir insultar-me por dizer o mesmo que você escreve no seu próprio blogue. Se eu não conhecesse os informáticos até podia dizer: é coisa de informático. Mas não é. É apenas coisa de parvo.
Você, seu sabichão de trazer por casa, é que, à falta de explicação sobre o processo, fala com os pais, professores com 30 anos de serviço, e afirma com a categoria que sem dúvida todos lhe devemos reconhecer que o processo consiste “traços largos” em três grandes passos. Não avança com nada de novo. Depois descreve aquilo que a blogosfera em peso também já sabia mesmo antes das suas sábias explicações (e lamento desapontá-lo): as fases de um projecto de desenvolvimento de software.
Depois o Rui Silva consegue defender a escabrosa entrevista de David Justino.Rui Silva na realidade GOSTOU do que ouviu. Nomeadamente, que Justino não tem responsabilidade. Pois, pá, mas então tem-na a actual ministra da Justiça?
E, ó Rui Silva, pá: a ser verdadeira a análise do ministro, que é claramente melhor informático que tu e melhor jornalista de TIC que eu, então o levantamento de requisitos é o quê: um item técnico ou ou item polÃtico (ou até um pouco de ambos)? Onde está a lição?
Quem quiser saber as minhas verdadeiras ideias que passe pelo meu blog (carregurm no link deste comentário). Quem não concordar com o que eu escrevi que deixe lá comentários e vamos à porrada.
No entanto deixo aqui alguns comentários:
-a gestão de projectos não é uma tarefa poltica (o que quer que isso seja) nem técnica. É uma tarefa de gestão de recursos. Mais nada! E o levantamento de recursos de insere-se nela.
-eu publiquei uma explicação sumaria do problema em causa para demonstrar que o problema não tem as “complexidades” que muitos lhe querem atribuir. É um problema simples similar ao da atribuição de vagas no acesso à universidade. Eu publiquei-o em 24/9 e só no abrupto é que vi algo de semlhante ontem à noite… mas se o PQ diz que toda blogoesfera sabia… bem quem sou eu para pôr em causa?
-eu publiquei um post a explicar o processo de desenvolvimento de software por uma razão simples: par demonstrar que pode haver mais razões em jogo além da razão politica (o factor C, ainda por provar) e as dificuldades técnicas puras. O Paulo Querido ainda não percebeu isto… coitadinho. Mais uma vez só se falou nisto nos comentários de
http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/151316.html
(onde eu intervenho mas onde os comentários realmente importantes são os do Jean Luc e os do Marco, estes homens sabem muito mas não sei se sabem mais do que o Paulo Querido). Ah! este post é citado num dos posts anteriores deste blog.
-mantenho tudo que digo acerca do ministro. ele fez o que tinha afazer nos sentido de 1) manter hipoteses de implementar o sistema ainda este ano e 2) conseguir fazê-lo em tempo útil. Mais uma vez leiam o post no meu blog e façam a vossa opinião. Se não gostarem façam o favor de me dar pancada na caixa de comentários. É para isso que ela serve.
- Eu sei alguma coisa destes aspectos. Não digo que sei tudo mas sei alguma coisa… e tenho a certeza absoluta de que sei mais do que o Paulo Querido (o que não é dificil).
-Já agora, com que direito é que o Paulo Querido fala em nome da blogoesfera? Com que direito é que ele diz coisas como “já toda a blogoesfera sabe isto ou sabe aquilo”? E mesmo que saiba que mal é que há em eu o repetir? Quem é que ele julga que é? O guru? O profeta? O educador da classe operária? A blogoesfera é livre, uma pessoa escreve o que entende e mais nada! Sem censores, sem gurus e sem eminencias pardas. Aqui todos valemos o mesmo.
Num post anterior,o PQ de facto cita o
http://papeldeparede.weblog.com.pt/arquivo/151291.html
Em que se diz, tal como eu, que o problema é simples (do ponto de vista técnico!!!!).
No entanto eu mantenho que podem ter havido problemas se gestão de projectos que não têm nada a ver com politica (o famoso factor C, que aparentemente nem sequer aconteceu…). Aliás, se o problema não é “complexo” técnicamente e o factor C não existe, só nos resta a hipotese de ter havido gato em termos de gestão de projecto… não é, Paulo Querido?
Caro Rui Silva, em primeiro lugar obrigado pelas explicações e por termos desistido do anterior nÃvel de conversa. Assim é mais fácil trocar ideias.
Recordo o que escrevi acima:
a) houve problemas de ordem técnica;
b) houve problemas de outra natureza (será polÃtica?).
Por “outra natureza” deduz-se… outra natureza. Aventei a possibilidade de ser a natureza polÃtica. Mas dei campo à existência de outras naturezas. Ou teria escrito de forma diferente.
Mas… o problema de “gestão de projecto” é, na minha humilde opinião, de natureza técnica. Não de programação, logo não necessariamente da responsabilidade total da Compta, mas quem gere o projecto, e nomeadamente quem fez o caderno de encargos, foi alguem da esfera técnica do ME.
Não lhe quero dar lições, mas espera-se que os programadores-analistas contratados sejam capazes de corrigir, ou dar dicas, ou pistas, ou dizer “isso não pode ser feito assim” aos gestores de projecto que os contratam e com quem — espera-se — discutam o dito cujo projecto.
A análise de um grande sistema passa por diversas fases e é primordial que a fase de análise (queremos dar tal input, as variáveis são tais, queremos extrair tal output) corra bem. Não correu? Azar, temos pena (e nós, os pais, temos mais que pena…) e, pôrra, é um problema técnico, de técnicos (que não de programadores de código).
Mais pontos:
1) continua por esclarecer, por quem de direito, o nÃvel de complexidade (ou de simplicidade, se quiser) do sistema que falhou e não é no Gildot, no Barnabé, no papel de parede, no Abrupto, no seu ou no meu blogue que tal esclarecimento será prestado. Por aqui emitimos opiniões. Mais ou menos fundamentadas, mais ou menos disparatadas conforme a hora e o local…
2) Quanto a David Justino, ficamos como estamos, você de um lado e eu a pensar de outra maneira, nada a fazer.
3) Eu sou um jornalista de profissão e candidato a aprendiz de programador, já o repeti vezes sem conta. Você é informático. Saber mais que eu não é difÃcil… DifÃcil seria eu saber mais que você. O meu remoque era apenas este: eu sei alguma coisa, pelo que a pessoas como eu é mais difÃcil atirar umas larachas para o ar a fingir que se é conhecedor. E nada de pessoal aqui, nem me referia a si em concreto.
4) Rui: seja mais atento a ler. Eu não falei “em nome” da blogosfera, eu falei “da” blogosfera. Da blogosfera que já tinha debatido suficientemente as fases de desenvolvimento de um projecto. Não há mal algum em repetir, claro. Eu também não contribui com grande coisa neste post… que não passa de uma reflexão sobre a “informação” prestada pelo comunicado da Compta.
5) Não tenho vocação de guru, sou mais de os entrevistar. Profeta, muito menos. E educador, só da minha filha.
6) “Aqui” somos livres de opinar. Aqui e não só. Como calculo que seja meu leitor recente, informo-o que sou acérrimo defensor das liberdades individuais e colectivas, entre as quais o direito de expressão.
7) Mas não, aqui não valemos todos o mesmo. Nem aqui nem em parte alguma. Não tenha essa ilusão.
Num projecto há uma equipa do cliente e outra dos consultores.
Os consultores (especialmente os responsaveis pelo levantamento de requisitos) têm obrigação de dar sugestões dicas e muito mais importante, têm obrigação de pôr os intervenientes do cliente a pensar nos problemas. Costuma-se dizer que um bom consultor tem de conseguir fazer as perguntas certas. E é verdade e é isso que de um modo geral acontece. Mas nem sempre!!!!
Mas tem de haver o outro lado, o cliente é que percebe o seu negócio e é ele que tem de falar. Agora, o que acontece muitas vezes é que as pessoas do lado do cleinte que intervem no projecto não consegue comunicar convenientemente o que pretende.
Há um milhão de razões para isso: desde incompetencia e desconhecimento puros, até medo de arriscar e de se comprometer com uma solução, isto em clientes com culturas muito conservadoras até razões relacionadas com a forma como a comunicação é feita entre consultores e cliente, há de tudo acredite em mim!!! :))
O que é que os consultores devem fazer nestas circunstancias? É complicado, muitas vezes é aprovado um documento de especificações incompleto. Nessa altura, se o cliente não tiver tomado certas precauções em relação à gestão de alterações (o ponto mais importante na gestão de projectos!!!) está metido em sarilhos (que se traduzem em $$$$$$).
Desde que a bronca rebentou que eu fiquei com a impressão de que tinha havido chatices a este nivel. à medida que fui estudando o problema essa minha impressão foi-se reforçando e agora tenho a certeza quase absoluta de que foi isso que se passou.
Por isso, é que eu acreditei no ministro quando ele ontem disse que tinha havido problemas no interface entre os funcionários do ME envolvidos e os consultores. Acreditei porque faz sentido! Agora a culpa muito provavelmente reside em ambos os campos. Eu não conheço nenhum projecto que tenha corrido mal e em que as responsabilidades não sejam partilhadas entre o cliente e os consultores.
PS. Acho que discutir se a gestão de projectos é “técnica” ou não é perder um pouco de tempo… por isso vamos deixar a questão por aqui, ok?
Não me surpreende nada. A Compta foi e presumo que ainda possa ser, um importante fornecedor da SIBS (Multibanco).
Durante anos a SIBS patrocinou os carros de corrida do filho do VÃtor Magalhães, o Pedro Magalhães e na altura apesar deles serem fornecedores da SIBS era a SIBS que entrava com o dinheiro para o menino correr em automóveis. O curioso é que ele não corria com o patrocÃnio da Compta, empresa do pai, mas sim da SIBS.
Mas as curiosidades não se ficam por aqui, porque no que diz respeito à SIBS a Compta era, não sei se ainda é, simplesmente o maior accionista da Spectacolor, cujo contrato que tinha com a SIBS era algo de no mÃnimo digno de ser considerado surpreendente, dadas as condições do mesmo.
A última curiosidade é que a actual administração da SIBS depois de tomar posse, uma das medidas que tomou foi acabar com este contrato que achavam, bastante suspeito e abrir um concurso a diversas empresas do sector para atribuição do contrato de exploração de publicidade em ATMs.
Agora a pergunta mais interessante: Quem é que foi a empresa escolhida?
Surpresa, não é que foi de novo a Spectacolor!
Um grande bem haja para todos vós.