Caro jpt: estás no teu direito de achar um perfeito disparate isto de serviços e conteúdos pagos. E de fazer humor com isso ;) Também ri com essa dos brasileiros, LOL!

Ao contrário de ti não acho que o futuro dos blogues passe por aqui. Ao contrário de ti, penso que o serviço de conteúdos e serviços pagos irá dar jeito a alguma gente com genialidade que pode, assim, ter uma forma de obter recompensa directa por algum do seu trabalho. Será uma pequena parcela de um todo imensamente mais vasto.

Espantar-te-ias se eu te contasse quantos bloggers já me perguntaram se não haveria forma de obterem receitas com o seu trabalho; nem todos estão nisto por puro prazer, alguns gostam de, de permeio com a escrita de puro prazer, produzir textos com outro alcance.

Pessoalmente tenciono retomar as experiências de conteúdos pagos no meu blogue. Já a tive antes, não correu nem bem nem mal, mas as ferramentas eram más. Isso não significa que o meu blogue se torne num negócio; ele será o que sempre foi, parte da minha memória em formato digital partilhável. Se lhe adicionar uma “montra” com produtos meus de baixo pagamento, não vejo onde isso seja um problema, ou sequer uma “desvirtuação” dos blogues.

Nos EUA existem já milhares de pequenos e médios produtores de conteúdos (não gosto do termo, mas pronto), desde bandas desenhadas em episódios a fotografia, infografia, música e video com formas de pagamento similares, próprias para transacções de baixo valor e adaptadas a este meio específico que é a Internet. Vendem e - o que te parecerá mais espantoso! - há quem lhes compre! (Para um entre vários exemplos, segue isto: Bitpass.)

A única novidade aqui é arranjar uma ferramenta que permite estender a possibilidade de ter uma montra com produtos vendáveis a mais gente; nos sistemas actuais é necessário possuir algum tipo de acesso a um servidor e um background técnico mínimo para os activar. Na solução que busco nada disso é preciso - e estou certo que alguns bloggers gostarão da ideia.

Alguns, uma minoria, e não certamente tu, ok. Da mesma forma que ninguém te obriga a pagar para lro Expresso ou o Público online, também não serás obrigado a comprar conteúdos em blogues. Há sempre alternativas grátis, certo?

Um abraço.

  1. 1 jpt

    meu caro, obrigado pela carta (julguei “apenas” comentário lá no estaminé). depois respondo com mais tempo, que estou de saída - mas lá no dichote só quis dizer que é o futuro haver a possibilidade, não quis dizer a universalidade. E, mais do que tudo, não acho que desvirtue os bloguismos - isso é que não. Blogar tem a virtude da possibilidade de dizermos umas coisas, cada um à sua. É a única, não tem a “virtude” de qualquer essência (tipo a “comunidade” que alguns sonha(ra)m) ou qualquer outra característica. Ou seja, se tem virtude deriva da tecnologia, não de qualquer moral (económica ou outra). Repito, cada um à sua. Quem quer vender que venda (já agora se souberes de alguém disponível para pagar bilhete para o Ma-schamba…)

    Permito-me, na minha, não achar a minha tralha ma-schambeira “trabalho”. Não me importava de ganhar uns tacos, mas conhecendo-me se isto fosse a pagantes trancava-se-me o teclado num “ai, ai, e agora…”. E desculpar-me-ás mas muito honestamente (e meti post sobre isto) acho que há uma legítima (qual é o superlativo de legítima?) auto e colectiva complacência nisto tudo - desfazemo-nos em elogios e críticas (forma elevada de elogio, transpirando atenção). A genialidade é sempre rara, aqui também. Mas talvez em lado nenhum seja tão reconhecida, tão afirmada, navegamos num mar de simpatias mútuas, explícitas e implícitas. E isso meu caro é porreiro, talvez seja a menos agressiva das expressões públicas. Não lhe vejo virtude, mas é uma característica do caraças. Vender bloguismos vai estragar? não acho nada, vender bloguismos é só isso vender bloguismos - neutral

    (vou gostar de ver quem se acha verdadeiramente genial, ou seja quem toma a nuvem da simpatia pelo Juno da verdade - mas isso já são os maus fígados)

    abraço

  2. 2 Eufigénio

    PQ,

    A seguir a conversa desde o seu início, cá, depois lá (maschamba), outra vez cá, e acho que assim me fico, a opinar aqui. Sobre conteúdos pagos nos blogs, não compro, ponto, assim como não compro qualquer outra matéria digital (bloqueios do restelo estes meus). Sobre quem os considerar, quem sou eu para criticar. Mas a questão não é essa, preocupa-me, isso já, o que vai sobrar da blogosfera, e digo bem, sobrar. Se se vende, há que tentar vender, certo? Vende-se o que é melhor, certo? Tenho então que a seguir esta ideia, as boas coisas que hoje por aqui leio, porque são boas, ‘vendíveis’ então, deixarei de as ler, que não as pagarei. Mas ok, fica o lado de fora, o lado gratuito e lúdico, o dos blogs diletantes e ingénuos (?). Mas fico com o quê, com o que sobrou do que não é ‘vendível’. Então fico com menos, talvez até com o menos da parte melhor. Mas fico com alguma coisa, muito bem. Mas que ‘coisa’ essa? Quando num blogue passa a existir perspectivas de lucro, com parte dos seus conteúdos, que se passa com a parte pública, essa que passará a outdoor para quem chega? E temos que aquilo que não se paga, longe de ser já o instantaneo de alguns blogs, o diário mais ou menos intimo que se partilha, a disseminação do que se julga interessante, tudo isso (ainda que não se pague) passa a ter uma função, esta claramente comercial - visa atrair para os conteúdos pagos, que estes, não sejamos ingénuos, são agora a força motriz que move a caneta do autor.

    E pronto, conteúdos pagos, não pago. Fico do lado de fora. Mas aqui a pensar se esse lado de fora, sonegado do que por qualidade pode ser vendido, e com o que lhe resta a gritar ao “comprem, comprem”, fico aqui a (re)pensar sobre em que blogosfera irei então navegar. Sobre a que não tem qualidade para vender apenas? E da que vende, sobre o que por ser menor esta faz o favor de oferecer?

    Só a pensar alto, espero que não abusivamente.

    Saudações

  3. 3 if

    Os exemplos de que falas são cada vez mais frequentes nos blogs ‘lá de fora’. Vendem-se cartoons, trabalhos escolares, jogos didácticos, tratamento de temas por encomenda, etc.

    É um campo imenso e promissor. Basta ter espírito de iniciativa e métodos de trabalho.

  4. 4 jpt

    “lá de fora” significa, decerto, aqui. tenho também trabalhos escolares para a venda, dificilmente detectáveis “aí” - tarefa que o “se” (kypling?) deve achar óptima. Como podem ver (”se” et al) métodos de trabalho e espírito de iniciativa (ah, ah, empresário schumpeteriano) não me faltam

    Ah, “se” com 9 milhões de blogs é só juntar “espírito” [almas do outro mundo?] de iniciativa e ir vendendo plágios que isto não há-de parar.

    PQ, será que se pode mandar à merda alguém no teu blog? Um palhacinho a dar retórica positiva a quem vende trabalhos escolares. Foda-se, ele sai-me cada um. Cito-me em comentário enojadissimo, multi-enojadissimo, no muito elogiado (a puta da alter-complacência, ouviste ó amigo eufigénio?) Neo-Normal “ó boçal, deram-te um brinquedo e achast-te muita piada”.

    Desculpar-me-á, caro proprietário, mas encontar um gajo(a) “SE” a propagandear a venda de trabalhos escolares só dá para a fisiologia escatológica. Lamento que em casa alheia

  5. 5 jpt

    Ok, raiva, nojo, coisas da ideologia de professor. Peço desculpa ao dono da casa - e que apague os comments se assim a higiene da casa o entender. [mas a ordinarice está mesmo no “espírito de iniciativa” avalizado por “se”]. De seguida saem os palavrões todos que o leitor conhece, dedicados à geneologia de tal hipótese (”se”, claro está)

  6. 6 pTd

    Caro jpt: não considero mandar à merda particularmente ofensivo. Estou habituado à linguagem das sarjetas, como estou habituado à linguagem dos salões. Como jornalista atravessei e atravesso a sociedade verticalmente e habituei-me às diferentes linguagens. Não passam de linguagens e, imho, não definem o seu utilizador.

    Se if não gostar, tem bom remédio. Vários remédios. Um deles é dizer-me que não gostou e… talvez eu pondere a hipótese de te apagar o “vernáculo”.

    Quanto à vitela tépida: desculpar-me-ão, jpt e Eufigénio, mas estou com if: há muita coisa que pode ser comercializada neste espaço alternativo ao comércio tradicional. A relação directa entre produtor e consumidor é uma coisa boa. Há milhares de pessoas com talentos e com trabalhos que merecem o que não tiveram antes: uma possibilidade de comercializarem alguma da sua produção.

    Há uma semelhança entre o “shareware” e os conteúdos de pequeno preço, no modelo que preconizo. E, tal como acontece com o “shareware” há 20 e tal anos, a maioria das pessoas usam-no sem adquirir a licença, o que é absolutamente legítimo, aliás, é mesmo o padrão do “shareware”, e um punhado de gente quer a licença porque precisa, ou apenas deseja, ter as funcionalidades acrescidas, ou a assistência técnica, ou simplesmente recompensar o autor pelo programa.

  7. 7 Marina Silva

    Se não considerarem a minha pessoa uma inconveniência, cá continuarei a depositar algumas frases e pensamentos.

    A dimensão do mercado nos E.U.A., a capacidade financeira dos consumidores, o factor “milhões” a falar a mesma língua num território com a dimensão de um continente, é incomparável com o mercado Lusófono. Se há modelos que lá resultam, é porque nascem das circunstâncias que dispõem.

    Nós não temos as mesmas condições, nem Portugal nem na Lusofonia inteira. Presumo, por isso, que o caminho não seja continuar a tentar imitar os americanos. Ao fazê-lo, os projectos e tentativas de réplicas continuarão a falhar em Portugal.

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