Eu NÃO assino a petição
publicado 18 Maio 2005 em compre um cérebro!.Vai por aí grande algazarra por causa (ora ora, que novidade!) do sexo. Está meio mundo escandalizado com o programa de educação sexual nas escolas. Bem, confesso-me: pertenço ao outro meio mundo, que não se escandalizou com um programa honesto, com algumas falhas como é normal, mas correcto na essência da abordagem.
A avaliar pelo impacto nos verdadeiros destinatários, os alunos do secundário, penso que o programa é útil.
Podiam os adultos responsáveis, como se auto-pretendem os peticionistas, preocupar-se com o excesso de carga sexual presente hoje nos media mainstream, que vai da publicidade super-erotizada a produtos corriquentos como sabão às distorções da sensualidade para vender automóveis, e saiam-se melhor na fotografia de papás e mamãs conscientes.
O nosso ambiente urbano tornou-se num escaldante, vibrante apelo ao sexo, sexo, sexo. Vivemos num mundo que dá ao sexo um papel contranatura.
Acho muito desejável fornecer aos putos algumas defesas para contraporem ao artificialismo com que o “mundo adulto” trata hoje o sexo.
A masturbação e o homossexualismo estão do lado do naturalismo sexual. Lado do qual manifestamente não estão o paradigma de beleza emanado dos anúncios de shampô, os corpos de iogurte, ou a associação entre a cavalagem de um automóvel e a capacidade do respectivo dono sacar as mulas mais bem arranjadas (isto não sou eu a falar, vejam os anúncios).
Foda-se, EU NÃO ASSINO A PETIÇÃO. Sou contra ela. Logo, nem me darei ao trabalho de publicar o link: já me chegou por correio várias vezes, o que para mim é spam, e anda por aí mais publicitado do que eu desejaria.
[ Nota posterior: as exigências da petição têm contornos pidescos absolutamente inaceitáveis. Como esta: «exigem que sejam identificados os alunos que já foram expostos a este programa, e que o Ministério da Educação apresente um pedido formal de desculpas a cada um dos seus pais.» Eis uma excelente oportunidade para dizer: comprem um cérebro! ]


Pois faxavor diga-me já onde é que está essa petição, que é pra eu passar bem de largo e não a assinar.
Eu cá só assinava se fosse uma petição pra obrigar os paizinhos e as mãezinhas a explicarem às criancinhas os “factos da vida”; que esses é que têm a obrigação, mas como não tão pra se maçar ou têm vergonha de falar de coisas naturais, toca a atirar tudo pràs costas largas do Estado e das escolas.
Assinemos é contra a infantilização das crianças!
Ali à minha frente estão dois jovens entretidos a brincar aos namorados. Reproduzem a cena da novela da tarde, penso eu, porque há algo de artístico e de pose nos gestos.
Cá por mim, não vou assinar a dita petição. Faz falta falar, da realidade e do faz de conta.