Da arruaça

Há pessoas que não enganam. Presumo que os conhecem: são os natural-born troca-tintas. Gente capaz de intoxicar uma reunião, um grupo de gente, um amigo, 80 leitores. Indivíduos incapazes de se enxergarem. Com um ego maior que eles próprios, cegos às evidências, cegos aos laços e compromissos (embora colem ao peito a etiqueta de esquerdistas).

Eu conheci algumas pessoas assim, infelizmente. Mas como um azar nunca vem só, um dia até fui sócio de uma. A empresa era engraçada, as pessoas que a compunham estimulantes. Até ele, na verdade, era promissor, um jovem escritor com algum talento, duas ou três ideias boas e aparente vontade. Claro, nunca eu o tinha visto em acção. Depois vi-o em acção. A empresa fechou, com dois sócios a fugirem dela, indignados. A empresa não chegou sequer a iniciar actividade. Mal se organizou a estrutura este nosso “amigo”, que no momento das escolhas fugira de um cargo de responsabilidade, passou a disparar contra os responsáveis com uma caçadeira de chumbo tão grosso que salpicou até quem, como eu, tinha um lugar marginal na estrutura e não estava entre ele e os seus alvos.

Empresa desfeita, bico calado, que isto uma pessoa gosta de ser discreta face aos seus falhanços. Ah, mas não o Jorge Candeias. Não, o Jorge Candeias não. Ele é mais do género de não conseguir ficar calado. Não aguenta. Não se aguentou. Ao fim de uns mesitos a esforçar-se por ser pessoa, acabou inevitavelmente por se chibar.

Como o Jorge Candeias é uma pessoa de fortes rancores, quando abriu a cloaca despejou-a sobre mim. Ainda bem: agora como noutra altura, sirvo eu de amortecedor. É um papel que cumpro com agrado.

Como o Jorge Candeias é um indivíduo sem carácter, explica à saciedade que há “coisas ditas em reuniões que não iriam ser abertas ao público”. Nessa explicação, Jorge Candeias abre todo o seu jogo. Bem ao jeito dos cobardes que gritam “agarrem-me senão dou cabo dele” enquanto se refugiam nos braços dos amigos, o Jorge Candeias grita “cuidado” comigo que vou fazer aquilo que ele próprio começou por fazer. Ateia o fogo e depois acusa os bombeiros de usarem gasolina em vez de água.

Além de cobarde é irresponsável. Injuriou-me, eu estou aqui a injuriá-lo e por aqui me ficarei; uma vez basta. É fatal como o destino o Jorge Candeias redarguir no seu estilo de candidato a arruaceiro. Eu farei por me conter. Como diz um ex-amigo comum, ele é mais violento do que eu, mas eu sou mais inteligente do que ele. Ao que retorqui com veemência: olha que eu consigo ser mais violento do que ele, mas ele não é capaz de ser mais inteligente do que eu! E desligámos.

  1. 1 Jorge

    Claro, claro. É a arruaça, claro.

    E por isso é que dos oito sócios da coisa, ficaram dois do teu lado, contando contigo.

    Quanto à “arruaça”, o que eu escrevi foi, textualmente, o seguinte:

    “Ouçam este homem. Sim, porque quando se fala em enganar os outros, ele sabe bem do que fala.”

    Com tanta interpretação possível para esta simples frase, é eloquente quanto baste que tenha dado origem a este arrazoado que está aqui por cima.

    Amigos do Paulo Querido, o gajo é porreiro enquanto não tiverem ideias que lhe apeteça roubar. Se quiserem disfrutar do disfarce de homem do Paulo Querido, guardem os vossos projectos bem guardados para vós mesmos. Se não o fizerem, é natural que fiquem a conhecer o rato.

    E fim. Podes-me difamar à vontade. Só me atinge quem tem nível para isso.

    (agora vamos lá a ver quanto tempo este comentário aqui fica. Essa é outra que me abre a curiosidade)

  2. 2 Jorge

    Só uma coisinha mais. Visto que a frase “coisas ditas em reuniões que não iriam ser abertas ao público” está removida do seu contexto (o que também tem uma eloquência que cega, diga-se de passagem), e visto que o contexto está facilmente acessível, aproveito para vos direccionar para ele. Está aqui. Ou, caso este sistema tenha o HTML desabilitado, em http://www.haloscan.com/comments/lampadamagica/111869708593941240/

    Tirem as vossas próprias conclusões.

  3. 3 pTd

    Continuas o mesmo mixordeiro intoxicativo. Se fosses capaz de dizer que ideia tiveste que eu te roubei — bem, ficávamos pelo menos a saber que ideias tinhas.

  4. 4 pTd

    correcção óbvia da gralha acima: “…a saber que ideia tiveste”.

  5. 5 pTd

    Ops, com a pressa de ir lavar as mãos já me esquecia: posso difamar-te da mesma forma que tu a mim. O que nos distingue aqui-agora é fácil, facílimo perceber. É ver quem difamou primeiro. Se tu podes, caro Jorge, porque caralhos não poderia eu, de facto?!

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