O desiludido mas realista texto de psicotico intitulado A grande hipoteca trouxe-me à memória a minha própria desiludida mas realista opinião sobre Portugal.

Sem prejuízo de voltar ao assunto, eis em traços gerais:

O país não é mais viável. Honrem-se oito séculos de História, com algumas décadas de poderosa glória, tendo a humildade de reconhecer que chegou o fim. Feche-se o país, embrulhe-se a bandeira, entregue-se o poder político a Bruxelas e o económico a Espanha (uma mera formalidade administrativa pois que é onde eles já estão, afinal).

Esta minha sugestão não deriva do estado “ruinoso” da economia portuguesa, bem longe disso! Entendo que um país não se faz para dar lucro, desprezando evidentemente os actuais discursos politicamente correctos sobre a inoperância governamental continuada sobre o défice e demais detalhes ínfimos da governação de um país. Nem para dar lucro, nem para mostrar contas a um amanuense qualquer — sobretudo aos proto-amanuenses que, graças à Internet e aos blogues, desperdiçam milhões de bytes a exigir relatórios aos políticos a quem passaram anteriormente dois cheques em branco, um nas urnas, outro na declaração de impostos.

Também não tenho uma visão apocalíptica do mundo em geral e do país em particular, o que é estranho sendo eu leitor regular de Vasco Pulido Valente.

Não.

Seria mais por eles, os candidatos a amanuenses deste país, que o mandava fechar — se me saísse tal poder no euromilhões dos céus. Por eles e pelas chusmas de inúteis que nos últimos 50 anos “dirigiram” o país, conduzindo-o até onde estamos hoje.

Por eles e por nós, sendo “nós” eu, por um lado, e você, leitor, pelo outro. Nós que podíamos ter uma oferta cultural, um salário, um preço da gasolina, cojones no governo, dirigentes que sabem o que dirigem e para onde, tudo isso em Espanha, paredes meias, ou noutros pontos da União.

Nós somos cidadãos europeus. Eu sou cidadão europeu. A minha cidade natal é Faro, a minha língua de berço o Português, a minha cultura a ocidental.

Num mundo em que a geografia conta cada vez menos, como barreira e como mola da economia, o modelo dos países ordenados pelas fronteiras está fora do prazo de validade. Um assunto a seguir noutra altura. Por agora, isto: o erro histórico de Portugal foi 1640. Deixem-se de merdas sentimentais que ninguém vos paga para isso; era muito melhor para todos nós sermos uma província espanhola. Éramos mais felizes. Alguem duvida?

  1. 1 fernando esteves pinto

    eu nunca duvidei.

  2. 2 António Duarte Bento

    «província espanhola»?, nós?, Portugal?… Estás «louco»?…, ó meu caro amigo Paulo Querido!
    Andas a ouvir demais o Oráculo de Economês!…

    Um abraço

  3. 3 Vi

    Castelhana nunca! Abrenúncio! Os de Bruxelas não sei se serão melhores, ou como diz a minha mãezinha, “Tão bom és tu, como és tu vê lá tu.” Posso oferecer um porta-chaves de macramé com embutidos de frivolité, pràs chaves não chegarem a Bruxelas numa qualquer argola pelintra, ou amarradas com um pedaço de cordel…

  4. 4 jpt

    sobre isso do portugal não percebo nada. mas agora que este blog está um bocado amaricado está

  5. 5 O Raio

    Que horror!
    Este texto fax parte da imensa manobra que há por aí para destruir o país.
    Primeiro quebrar a nossa confiança, destruirmo-nos.
    Depois é só entregar, a espanha ou Bruxelas, tanto faz.
    Estou farto destes descendentes do Vasconcelos (o que foi atirado da janela para a rua em 1640) nitidamente a mando de potências estrangeiras.
    Estou farto da união europeia, estou farto de espanha e estou farto dos lacaios destas duas…
    Deixem-me respirar!

  6. 6 pTd

    Desisto. Rendo-me. Fiquem cá. Adeus. :)

  7. 7 António Duarte Bento

    Portugal tem destas maravilhas. Cidadãos vulcânicos, como se nascidos em Vulcan. Que de repente se evadem, se evolam, se transformam eles na sua própria alma/aragem. Que apreendem o virtual e o trazem de mansinho para o real, assim, duma assentada, dum riscar de fósforo, dum abrir de par em par os braços e abraçar a própria alma/aragem que se evola (e que se vê evolar já lá longe). Uma rosa forte tão forte é assim o abraço que se lança na peugada da alma/aragem que se evola.
    Somente um português é capaz disto; de correr atrás da sua própria alma/aragem.

    (É por ser um anjo com asas e não voar que Portugal sofre)

    (Mas tudo vale a pena. Pela Rosa!)

  8. 8 sr

    O Comércio do Porto ainda vive.
    Leiam-nos em
    ocomerciodoporto.blogspot.com

  9. 9 António Almeida

    caí, sem me recordar como, no post humilde homenagem 5 do já longínquo dia 29 de Agosto de 2003.
    A resposta é Pão Com Manteiga, célebre programa de rádio/revista/livro da autoria de uns quantos “marados” que incluía Bernardo Brito e Cunha, Mário Zambujal, Carlos Cruz, ? Fanha e outros de que agora não me recordo o nome.
    Não consegui perceber se alguém descobriu.
    Já que aqui estou, vou dar uma vista de olhos e depois digo qualquer coisa.
    Bom Agosto.

  10. 10 António Almeida

    Já vi que a resposta foi dada em Setembro.
    Até agora gostei do que li.
    Não gosto do template, mas gostos não se discutem.
    Vou continuar… depois digo qualquer coisa.

  11. 11 rV

    Acabarão por definhar agarrados ao brasão a chorar pela bandeira, enquanto os verdadeiros intelectuais com os quais nada aprendem e apenas criticam olharão com compaixão pela ignorância de tem teve a cana na mão e insistentemente comeu o isco por julgá-lo iguaria em vez de pescar o peixe que verdadeiramente lhes afagaria o estômago… santa ignorância a de fechar aos olhos à qualidade de vida do outro lado da fronteira… à duzentos anos que andam a marrar com os cornos e nada aprendem…

  12. 12 António

    “o erro histórico de Portugal foi 1640″… É fácil dar uma resposta sem conteúdo, mas com justiça, a essa afirmação, dizendo “ó caro amigo, tenha a primeira atitude patriótica da vida e emigre para Madrid”.

    Mas seria apenas ripostar contra o que não é uma agressão, e sim um acto de desespero. Com maior ou menor humildade, menor neste caso, é típico do português ter opinião sem reflexão, e o caro escritor é um típico português. Obviamente não muda nada - o português não é um homem de acção - antes critica por razões pessoais : atira, para causar reacção e convencer-se da própria existência, opiniões bombásticas para um grande público imaginário. No fundo, um acto de desespero para ser lembrado.

    Boa sorte.

  13. 13 José

    Pois, pois…
    E já alguém se lembrou de perguntar se Madrid ou Bruxelas querem os portugueses para alguma coisa?

    P.S. Se me é permitida opinião, também não gosto do layout.

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