Réplica ao Abrupto
publicado 21 Agosto 2005 em umbigosfera.Se a diatribe com que José Pacheco Pereira me recebeu neste soalheiro domingo no seu Abrupto fosse por mim lida até Novembro de 2004, eu ficaria intimidado e reagiria a quente, ou seja, como diz a minha mulher, à pTd. Veríamos um fogo de artifício de impropérios pelo meu lado (não do dele, evidentemente), o séquito dele viria a terreiro e mais uma vez seria eu contra a Internet em peso (como aconteceu duas vezes na década de 90). Uma lástima, devo confessar. Mas estamos em finais de Agosto de 2005 e não vou descer assim tanto. A verdadeira razão é porque não me apetece perder tempo, um bem precioso nesta altura, com um livro para finalizar.
1º: Infelizmente, a reportagem a que JPP alude não está disponível gratuitamente na rede mas tentarei amanhã, segunda-feira, trazê-la para aqui. Porque não se percebe bem o que é posto em causa no Abrupto. Não são os “frágeis dados” que são, aliás, os mesmíssimos dados que servem a JPP para garbosamente ostentar no Abrupto a sua posição sobranceira na blogosfera.
2º JPP escreveu que a minha “análise” no Expresso, «mais que uma verdadeira análise, é uma opinião pessoal (ou um desejo) para a qual se procuram frágeis dados de suporte».
Com a arrogância de um deus descido aos bits, JPP deixa o leitor na santa ignorância das razões de Querido (como ele me passou a tratar no Abrupto, perdi a cortesia do meu nome profissional) para “desejar” e nem sequer avança sobre o que terei eu desejado. Deixa-me assim impossibilitado de responder.
Sempre posso esclarecer os leitores de que JPP não tem nada que eu possa desejar, à excepção provável da sua capacidade de leitura. Não tanto por ele: eu é que não sou pessoa de desejar o bem estar ou o mau estar alheio e muito menos misturaria algo de pessoal com a minha actividade profissional (aqui no blogue é outra coisa, claro).
Mais adianto, sobre a reportagem, que me limitei (se é que o termo é bem empregue) a coligir os dados disponíveis para isso visitando as páginas de gráficos do Sitemeter relativas a uma quinzena de blogues. Fiquei nas mãos com o seguinte gráfico (clique nele para abrir versão maior):
A diatribe de JPP, que me trata como nunca o fizera, e a sequência com que ela surge na página inicial do Abrupto evidenciam que levou o assunto a peito, i.e., pessoalmente. Deveremos concluir que foi por eu ter publicado o gráfico que mostra que o seu blogue continua a ser o mais visitado de todos e tem hoje mais visitas que há um ano? Não Se bem lhe conheço o tique da vaidade (aqui sim, admito estarmos perante uma opinião pessoal embora não um desejo), o que o irritou solenemente foi o público do Expresso poder ver que hoje há mais blogues bastante lidos, que o Abrupto já não é o único, que a blogosfera cresceu para além dele.
Na hábil tentativa de denegrir a reportagem, JPP invoca em seguida as referências cruzadas (o Technorati) enquanto elemento fundamental para as “audiências”. Ao longo do texto JPP mistura diversas vezes, espero que não deliberadamente, influência e audiências, tratando-as como se fossem uma e a mesma coisa.
JPP sustenta: «É tão evidente que este é um elemento crucial na análise de qualquer influência na blogosfera que parece absurdo pretender que blogues que nunca aparecem citados na blogosfera possam ser recordistas de audiência».
Eis um argumento disparatado. Equivale a escrever que “é absurdo pretender que o programa Quadratura do Círculo que nunca aparece citado nos tops de audimetria possa ser recordista de influência “, ou “é absurdo pretender que os Morangos com Açúcar que nunca aparecem citados na primeira página nem abrem telejornais possam ser recordistas de audiência”.
Influência e audiências não são a mesma coisa. O Abrupto tem ambas.
A Quadratura do Círculo é um programa da SIC Notícias praticamente sem audiências e com basta influência no meio político. Do outro lado, a telenovela Morangos com Açúcar é campeã de audiências mas a sua influência no dia-a-dia do país é quase nula e na tomada de decisões políticas andará ao nível da influência do planeta Marte: incomensurável de ínfima
A minha reportagem baseou-se em dados concretos de medição de audiência (maus, mas isso é de outro departamento) e não de influência. Convém frisar, aliás, que a reportagem apresenta mais adiante os blogues com capacidade de influência em determinada fase da evolução da blogosfera (o ano e meses de convulsões políticas, período que naturalmente coincide com o predomínio dos blogues sobre política ou escritos por intervenientes directos nela) como conquistadores de poderes fácticos junto da imprensa escrita e do meio político.
Por outras palavras, a reportagem não dizia mal do Abrupto nem dos blogues de política, antes pelo contrário. Lamento que leituras apressadas desvirtuem mas it happens all the time, pal.
Tive o cuidado de não enveredar pelo aspecto da influência através do Technorati porque este sistema está também sujeito a deformações de perspectiva. Compreende-se que JPP invoque tantas vezes o Technorati, sobretudo quando levamos em conta que o Abrupto tem uma clara estratégia de afirmação de uma personalidade em determinado meio como reforço da sua capacidade de intervenção no espaço público, neste e noutros meios. Está à vontade para o fazer. Pode impressionar a papalvice que confunde browser com Internet Explorer. Mas eu não posso usar o Technorati como instrumento de medição de influência num determinado campo pela simples razão de que não é isso que o Technorati mede. O que o Technorati mede é a quantidade de hiperligações que cada endereço possui. O Technorati é “cego”, entre outros factores, ao tempo: um link feito para saudar o Abrupto há dois anos permanece na contabilidade ainda que o autor tenha morrido, deixado aquele blogue ou simplesmente deixado de ler o Abrupto.
Outra cegueira do Technorati que é fatal para quem queira sustentar uma análise com base naquele sistema: o factor-vaidade. O Technorati não nos esclarece sobre quantos dos links directos ao Abrupto resultam da moda (em 2003 e 2004, sobretudo, era de bom tom ligá-lo e os novatos faziam-no quase religiosamente, copiando a lista do Aviz que sofreu do mesmo mal). Assim, o sistema das referências cruzadas tende para cristalizar e valorizar os mais antigos. Acresce que o Technorati também não nos esclarece sobre os reais motivos que levam algumas (quantas? Não sei mas desconfio que hoje menos que até há três meses, responderei eu) pessoas a ligar um post de JPP na esperança de lhe atrair o olhar ao respectivo blogue e obter a sinecura de uma citação que nesse dia fará disparar as modestas audiências. «Ena, o Abrupto citou-me! :)» - é uma (muito ouvida e lida) frase que cabe melhor num contexto Morangos com Açúcar do que num contexto Quadratura do Círculo.
(O problema aqui é que JPP sabe precisamente do que estou a falar, ele que gere com habilidade quem linka, quando linka e se/quando deixa de linkar. Que arme em inocente é lá com ele.)
O Technorati não mede tanto a influência, mas a celebridade na rede. O Abrupto é uma celebridade na rede portuguesa.
Mas o Abrupto é também um blogue influente. Mais: como deixei patente na reportagem, tem capacidade de aglutinar energias, como se viu recentemente no caso Ota. Isso sim, é ter influência. Obter um grande technorati só alimenta o fogo da vaidade.
Custa-me que JPP valorize o seu umbigo Technorati e diminua, por razões insondáveis, o valor das conclusões da reportagem cujo objecto principal nem sequer era a influência, ou até mesmo as audiências ou “audiências aparentes”, mas sim a inelutável deslocação de interesses de autores e leitores, patente tanto nos números como nos conteúdos e nas acções que vão hoje pontificando.
JPP não contesta verdadeiramente a reportagem: dá-lhe outro nome, o nome de opinião pessoal (ou desejo). Ao dar-lhe outro nome está apenas a depreciá-la. Não está a analisá-la e muito menos a contrapor-lhe factos. Pretende apenas desvalorizar, relativizar uma reportagem porque esta não lhe agradou. O que JPP apresenta como “factos” “contra” a minha “opinião” são outros factos, é outra conversa. Eu reportei alhos, ele fala de bugalhos.
O post de JPP não tem por isso qualquer valor como crítica.
- 1 Trackback on Ago 21st, 2005 at 22:22
- 2 Trackback on Ago 23rd, 2005 at 0:02
- 3 Trackback on Ago 23rd, 2005 at 1:24
- 4 Trackback on Ago 30th, 2005 at 18:20
- 5 Trackback on Ago 30th, 2005 at 18:23
- 6 Trackback on Ago 30th, 2005 at 19:34
- 7 Trackback on Ago 30th, 2005 at 19:38
- 8 Trackback on Ago 30th, 2005 at 19:45
- 9 Trackback on Ago 30th, 2005 at 21:07
- 10 Trackback on Set 1st, 2005 at 19:08


“Pal”, agora fui eu que te apanhei a *mentir* ;): “«Ena, o Abrupto citou-me!”. Estou cá desde Julho de 2003 e só linkei na altura do “Sítio do não”. Isso de se ser novato e querer aparecer bo Abrupto é treta! Preferi um milhão de vezes aparecer em blogues de pessoas que foram aprendendo a gostar do que eu escrevia, isso é que é importante. Para te dizer a verdade foi aqui que me deu mais prazer ser citado.
Quanto ao Technorati, tens toda a razão. São blogues que nos *linkam*, depois desaparecem, mas o link continua lá. Comigo, passa-se isso desde finais de 2003.
Um abraço.
O sitemeter mede o número de vezes que a imagem é visualizada num browser. É possível que haja mais visitas (medidas pelo contador do weblog) se o blog for visto com a opção de visualização de imagens desligada, ou num browser não gráfico. Por exemplo, o autor de um blog pode querer inflaccionar o número de contagens no contador do weblog e, como este não indica o endereço IP de origem das visitas (ao contrário do que acontece com o sitemeter), basta-lhe fazer reload ou refresh no seu browser, sem ver imagens, para conseguir um bom número… falseado.
O que L diz é falso. O contador do weblog, que é o webalizer, tem em conta o endereço IP de origem das visitas. Leiam a documentação em http://www.mrunix.net/webalizer/
L lança a ideia de que é tecnicamente possível ludibriar os sistemas de contagem: claro que é. Todos eles, com efeito. E…?
Há uma coisa que ainda não perceberam entre os itemer e o pqstats. O sitemeter não conta de forma correcta, nomeadamente o spam, bots dos motores de busca, visitas reais aos alojadores de blogues e todos aqueles utilizadores que usam bons, extraordinários firewalls para não serem identificados. E há mais, baseia-se somente na contagem de visitas, não de páginas vistas. Daí a discrepância que existe no blogómetro. Paulo, percebeste agora a minha expressão “uma questão de pilinhas”? ;).
Pelo contrário, e falo por experiência própria, enquanto que na altura o meu blogue tinha sensivelmente uma média de 4.000 visitas no pqstats, tinha uma média de 800 no sitemeter. Isto porquê? Porque o pqstats “apanha” todo esse spam, todos esses bots, todos esses firewalls. Aliás, o contador que mais confio é o statcounter, apanha-os a todos e é o que coincide mais com o pqstats.
Finalmente, o Pqstats é o mais correcto. isto porquê? Porque devide por todos os blogues as visitas ao alojador weblog, que per si já é um blog, todas as visitas, páginas, hits e afins.
Por favor, Paulo, corrige-me quanto ao pqstats, se me enganei em algo.
Um abraço.
Bem, não deixa de ter uma certa piada ler os argumentos do Pacheco Pereira num dia em que o Kottke aponta as falhas do Technorati…
Mas enfim, é um argumento como outro qualquer, e o importante a reter é que, independentemente da precisão de um ou outro contador, não faz sentido comparar um “top 10″ compilado via Technorati e outro “top 10″ via sitemeter - as medidas de cada um, por mais imprecisas que sejam, são sempre válidas dentro do mesmo sistema, nem que apenas numa base relativa…
Até aqui a “blogoesfera” está a mudar,não foi o pTd a responder,mas diga-se,sempre pensei que fosse o pTd a responder,mas respondeu o P.Q.,sinais dos tempos
“O contador do weblog, que é o webalizer, tem em conta o endereço IP de origem das visitas.”
O que quis dizer foi que os endereços IP das visitas não são públicos, pelo que podem ser todos o mesmo. No sitemeter é mais difícil arranjar uma lista de IP muito variada. Diria mesmo que é preciso usar hacking.
“O sitemeter não conta de forma correcta, nomeadamente o spam, bots dos motores de busca, visitas reais aos alojadores de blogues e todos aqueles utilizadores que usam bons, extraordinários firewalls para não serem identificados.”
Destes todos, quais são, realmente leitores (físicos, humanos) de blogs???
O problema principal reside no artigo do Expresso ser uma autêntica bosta. Como é que os blogs foram escolhidos? Eu praticamente não conheço nenhum deles, só o do JPP e o Blásfemias, mas também é raro lê-los… Sabemos que o Paulo Querido tem tendência a fazer publi-reportagens…
Paulo Moura, se o artigo é uma bosta, porque quer saber como foram escolhidos? Se fizer o favor de indicar uma ou mais publireportagens escritas por mim, em troca informo-o de como escolhi esses blogues e não os que você conhece.
L, faça essa pergunta ao autor da frase. Não vale a pena lançar areia.
L,
são os mesmos para todos, só que aqui no weblog são de facto contabilizados. Daí a chamda inflação que apregoam nas estatísticas do Weblog, frase que é mentirosa. Porque se metessem todos os blogues que estão no sitemeter e os pusessem no Pqstats também teriam leitores não humanos contados. Daí se percebe que o Hollywood tenha no 250 visitas diárias no sitemeter e por aqui 15.000. A maioria são bots, e depois? São visitas! O Paulo já escreveu sobre isso aqui. De certeza que o Abrupto
também tem imensos bots a visitá-lo por dia, tem imenso spam a bombardeá-lo, só o não atinge porque não tem comentários como nós aqui. Não são visitas? Não se contabilizam, infelizmente.
Golfinho, sem ironia, ao ler-te e a outros sinto-me mesmo excluído, um infoexcluído. Nã percebo nada do dialecto. Faz-me falta um glossário, mas que explique, não se fique na tradução.
PQ o Expresso aqui chega à 4ª, caro como o caraças, e ainda mais chato do que aí, porque já vem velho, não temos o fim-de-semana sem saber o que fazer e assim a lê-lo. Nem compro. Ainda para mais é preciso ir buscá-lo ali ou acolá, e esgota. Ainda bem. Assinatura digital não - nem sequer tem o saco de plástico para deitar o lixo.
Não há hipótese de botar o tal texto aqui, mesmo que seja a tal bosta - ou é chato para o próprio jornal o jornalista blogar o texto [admito]?
Esta cena das visitas é um bocado o tal tamanho dos pirilaus, como bem diz o golfinho. Mas tem interesse, saber que hipotético público se tem. Já várias vezes disse que o webalizer não me dá crédito nenhum [blogs que não existem com milhares de visitas, blogs parados super-visitados, disparidades incríveis com o sitemeter, este muito mais estável, (mesmo qeu comprenda que o webalizer conta almas penadas, essas que agora têm nomes estranhos, escandinavos, como sabe o golfinho). Li por aí (acidental?) que disse ser o hollywood o mais lido, isso é muito estranho - não é estranho que o seja, isso não é mesmo. O que é estranho é que o tenha dito - foi assim? fico em pulgas para ler as palavras e tentar perceber (contexto)
lembro que aquando dos barnabés estes tinham o slogan de serem mais lidos [o que procurava eco político, e alguma vaidadezita] - mas bem contaditos [sitemeterX4 ou X5] havia outros tão ou mais lidos. Se nessa altura serviu para enganar o pagode (E que pagode) para quê insistir na fiabilidade dos tais boots e o caraças? Vá lá, bote lá o texto, sff
(assim como quem não quer a coisa o meu blog dobrou as visitas nos últimos tempos. no webalizer. que espíritos malfazejos andarão por cá? porque gente não é certamente]
abraço
e já me esquecia, tive que cá voltar. saúdo o novo formato do blog, livre de ruído. abraço
“Dude”, comigo estás sempre na boa, com ou sem ironias. E lembro-me, mais uma vez, se a memória não me falha, que também escreveste aqui, que essa coisa de estatísticas era como as sondagens. Sabes que mais? Preferia-te ter como único leitor, que sei que és, sarcático, irónico, com todos os teus defeitos ;)), porque sei com o que posso contar e, sei que desse lado tenho respeito e um AMIGO, que mil abruptos. O que me interessa não é a côr, religião, sexo, política, “whatever”, das pessoas que lêem o blog, é que gostem do que está lá escrito e que o visitem por isso.
Já agora, deixei um comentário referindo a tua pessoa, se quiseres acrescentar algo, força.
Um abraço.
P.S. só não concordo que a lista do Aviz seja a oficial, sabes porquê? Porque estás a pôr em causa a própria lista que criaste há pouco tempo por aqui e, a última que foi criada, actualizada foi esta: http://blogsemportugues.blogs.sapo.pt/. A minha, humilde opinião é que, hoje em dia, as pessoas seguem mais estas listas, nomeadamente, o top 100 do weblog, ou o top 100 do sitemeter, ou a lista dos blogues listados em português do que o do Aviz. Isto porquê? Porque senão, a cada 10 blogues que surgem, um não linkava o meu na esperança de eu retribuír. Quando retribuiu, mantêm o link, quando não, apagam :))
P.S II - Peço desculpa, no comentário anterior, pensei que estava a responder ao pTd. Desculpa JPT
Abraço redrobado, mesmo assim aos dois.
Só ontem li o artigo. Fez todo o sentido a publicação e o conteúdo e a argumentação abrupta é estapafúrdia. Enfim, pavonices.
DATISMO (do grego datismós)
Voltando ao Abrupto, do meu colega Pacheco Pereira (colega destas lides, entenda-se), vejo-o (ao Abrupto) como uma fonte inspiradora onde tenho bebido muito da génese (do grego génesis) que tempera a salada, desconfiando, no entanto, da sua salubridade (do latin salubritate) e consequentes efeitos secundários! É lá que mitigo a ignorância que se vai apoderando do meu egocentrismo acumulado no meu mais profundo cavernáculo existencial. Como diria o Eugénio
Perceberam? Eu também não, nadinha, mesmo. Foda-se a conversa!
Mas pronto, a minha Saladamista é um must. Mái náda.
Tudo o resto é quase a pique, escarpado, repentino, solto. É abrupto.
Claro que não li isto tudo, mas bastou-me ler o post da Encandescente para ver ao que isto chegou…