Arquivo de Outubro, 2005
RIO SECO. «Chamei-os aqui para vos dizer que não falo convosco».
O MAIOR DOS GRANDES VISIONÁRIOS. Desencantem-se, não é Aníbal Cavaco Silva — embora sofra de um mal semelhante: acha que lhe basta falar. É mesmo o homem mais rico do mundo. Deu uma entrevista à BBC (fez 50 anos, o que foi pretexto um pouco por todo o lado para se lembrarem dele). «As pessoas […]
O PAÍS IRREAL. Roubei uma horita ao patrão e fui à janela ler o que os blogs dizem do político não-profissional que se candidata a Presidente da República. Das duas, uma: ou as sondagens dos media “valem o que valem” (expressão politicamente correcta que significa na realidade “não valem um chavo”), ou a blogosfera é […]
O AMADOR. Convém nunca perder de vista quem é responsável por toda esta mixórdia em torno do profissionalismo na política, uma questão menor (como lhe chamou, e bem, Marcelo Rebelo de Sousa) e infeliz (como lhe chamo, e bem, eu), e que já se assume como o primeiro ponto de fricção que vai separar as […]
LEGITIMIDADE. Há anos José Duarte tornou públicas as suas dúvidas acerca da legitimidade de um concerto de jazz onde só estavam brancos. Um texto célebre. Que me ocorre hoje ao ler que o Conselho Nacional do PSD aprovou por unanimidade e aclamação o apoio do partido a um candidato presidencial: qual será a legitimidade de […]
SENSATEZ. O Ancião, o Poeta e o Burocrata. Um povo atento ao futuro dos seus filhos pede sábios conselhos ao primeiro ou, se quer rasgo e brilho, procura o poder das palavras do segundo para se galvanizar e inspirar.
PORTUGAL JÁ ESCOLHEU. As alternativas são (ou eram), numa palavra: o Ancião, o Poeta e o Burocrata. Por mim, vou recomendar à filha e enteados e sobrinhas em idade escolar que dêem maior atenção aos cursos em Madrid, Paris e Londres. A mãe e eu iremos visitá-los sempre que tiverem saudades e as low costs […]
A DOENÇA DOS INTELECTUAIS DE DIREITA. Pobre Pedro Lomba — pensei com os meus zips na sequência da leitura da sua crónica de ontem no DN. Conheci o rapaz e nutro por ele estima — o que só veio aumentar a minha compaixão. É mais uma vítima da estranha doença que ataca exclusivamente os melhores […]
XXX. Pedro Lomba pedia ontem no DN eleições para adultos. Suponho que não está a pedir que votemos o conselho de administração da Playboy. Mas fiquei embaraçado na dúvida.
O FIM DA WORLD WIDE WEB. O site Candidatura do professor Aníbal Cavaco Silva à Presidência da República é um perfeito exemplo, um dos melhores case studies, sobre como não fazer um site. Na gíria é conhecido por dead end: chegar lá é como bater contra uma parede, não há forma de sair da frente […]
ELOGIO DA MEDIOCRIDADE. Francisco J.V. consegue dizer tudo, e pouco, num post n’A Origem das Espcies intitulado Soma & Aritmtica.. A sua argcia poltica assegura-nos que LPM ganhou a campanha para Scrates baseado no, cito, desejo de mediocridade que afecta o Pas em geral e os eleitores em particular, uma vitria do modelo do […]
AS AUDIÊNCIAS DOS BLOGUES, PERSPECTIVA SÉRIA. Rui Cerdeira, no Adufe.pt, tem uma excelente perspectiva séria sobre as audiências dos “blogues”. A dele, no post, e a dos comentaristas. Explica porque é que o Adufe tinha um “sitemeter” baixo e como resolver (em parte) o problema, o que se recomenda a todos os editores de blogs […]
O EUCALIPTO. A direita portuguesa está metida numa alhada. O PSD está aflito, marginalizado pelo impensável feito do PS, que com Sócrates conseguiu captar o centro, reunindo este governo uma dose de consenso bastante grande para o que era esperável (até Cavaco garante apoio ao Governo!). O CDS está quase extinto. Entretanto, um número crescente […]
MISTIFICAÇÕES. Duas figuras do mesmo partido político candidatam-se ao mesmo cargo. Sinal de vitalidade democrática? Não: luta fratricida.
Uma área política inteira apresenta um candidato só a um acto eleitoral nacional, embora existam nessa área quatro partidos formados, dos quais dois com representação parlamentar, e algumas dezenas de “personalidades” vincadas. Rarefacção de ideias? Não: consenso.
CANDIDATO MENOR. Não é de todo necessário que um candidato a Presidente da República se apresente arrojado e arejado, moderno e inovador — capaz de mobilizar a população ou, pelo menos, inspirar os que dirigem a população. Mas também não é necessário apresentar-se como o oposto disso — com Eanes na primeira fila, fazendo a […]
O sôr Patrocínio (isto não é uma alegoria para os anos “fartos” do cavaquismo)
2 respostas publicado 26 Outubro 2005 em Geral.O SÔR PATROCÍNIO (ISTO NÃO É UMA ALEGORIA PARA OS ANOS “FARTOS” DO CAVAQUISMO). O sôr Patrocínio era o nosso merceeiro. Lembro-me tão bem! Eu era um mariola e quando passava pelo lugar do sôr Patrocínio costumava roubar-lhe guloseimas. Hoje desconfio que ele virava as costas de propósito: gostava dos miúdos, sobretudo dos mariolas como […]
O GRANDE MECÂNICO. Segundo António Torres, director-adjunto da Democracia Liberal (dirigida por um homem que muito prezo, o nosso amigo João Carvalho Fernandes, do Fumaças), Cavaco nunca foi cavaquista (uma óbvia verdade destinada a distinguir Cavaco do cavaquismo, esse período negro, ainda por digerir nas suas várias ramificações, da História de Portugal) e é por […]
FALTA DESCASCAREM-NAS. No prime time de há pouco assisti a uma intervenção pública do candidato Mário Soares. Sabem os meus leitores regulares que o dr. Mário Soares não é a minha primeira escolha para o cargo. Mas ao ouvi-lo ocupar espaços políticos antecipadamente, sabendo da sua história e das suas capacidades, não pude deixar de […]
NO CÉU DE PINTORES. A esposa cumpriu com o que sabia ser um desejo dele, marimbou-se nas convenções e pediu apoio aos irmãos. Fomos a correr buscar um toca-cds e um apressado punhado dos clássicos que tanto lhe agradavam. Foi a primeira vez que ouvi música num velório. Para mim era o que faltava naquele […]
UM HOMEM ELEGANTE. Em desempenho de função jornalística conheci em pessoa Aníbal Cavaco Silva (e também Mário Soares). A impressão, que até hoje perdura, é a de um homem seco e alto, elegante e cosmopolita — bastante contrária ao estereotipo dominante do filho do gasolineiro, imposta ao país pela arrogância citadina da classe de origem […]


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