A doença dos intelectuais de direita
publicado 29 Outubro 2005 em Sem categoria.A DOENÇA DOS INTELECTUAIS DE DIREITA. Pobre Pedro Lomba — pensei com os meus zips na sequência da leitura da sua crónica de ontem no DN. Conheci o rapaz e nutro por ele estima — o que só veio aumentar a minha compaixão. É mais uma vítima da estranha doença que ataca exclusivamente os melhores (e os piores) intelectuais de direita. Com o nome provisório de pachecopereirismo, a doença ataca subita e indiscriminadamente. Isto é, tanto pode atacar jovens intelectuais ainda virgens da política como respeitáveis literatos cosmopolitas.
Um dos primeiros sintomas, observado em Lomba numa pequena e singela peça intitulada “Alegres e intelectuais”, consiste em renegar a (ou pelo menos afastar-se violentamente da) comunidade de origem. No caso, os intelectuais. Lomba quer assim esquecer-se o mais rapidamente possível (quanto mais rápido, maior a taxa de sucesso da doença), e fazer-nos esquecer, que é cronista, crítico e, até, um livre pensador e estudioso da doutrina política conservadora. Como é sabido, vítimas anteriores deixaram “cair”, ou adiaram, o intelectualismo revolucionário da extrema-esquerda.
A ânsia de protagonismo, eis a principal teoria avançada pelos especialistas para explicar a súbita atracção de pessoas de bem, respeitáveis intelectuais, pelo vazio cultural e doutrinário de políticos sem discurso ou com discursos comprados na loja de ocasião recomendada pela agência de publicidade que estiver a dar. Protagonismo aqui deve ser entendido como a procura das luzes da ribalta, que hoje são os holofotes da televisão, pois na verdade todas as vítimas já eram protagonistas no seu campo antes de o deixarem.
Uma vez infectados pelo estranho vírus, os auto-excluídos intelectuais de direita podem ser observados na praça pública a pedir coisas sem nexo como “eleições para adultos”; mas distinguem-se sobretudo pelos (novos) dotes de zelosos defensores do inominável, uma espécie de patrulheiros encarregues de dispa(rata)r sobre tudo o que mexa e que não seja imediata e obviamente favorável ao seu novo objecto de culto.
Tenho pena, honestly. O Lomba era tão bom rapaz, tão promissor, até me fez acreditar que a direita tinha assegurada a descendência à altura da classe do professor Marcelo. Afinal…


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