Lamento

LAMENTO. José Pimentel Teixeira reagiu muito mal a um comentário colocado no meu blog. Ler aqui o post dele. E aqui o meu post, com os comentários abaixo, incluindo um dele e a minha resposta. Porque só depois de lhe responder descobri que tinha elevado a conversa à categoria de post, achei por bem fazer o mesmo. Segue. Com um único comentário, que é pessoal e foi previamente enviado a José Pimentel Teixeira por e-mail: lamento a ira dele contra mim. Que considero totalmente injustificada. Segue a minha resposta.

Caro jpt, o meu sorriso cúmplice era para a piscadela de olho do comentarista Helder, por causa da guarda-pretoriana. Era um diálogo no comentários, apenas.

Quanto à sua irritação, é-me difícil percebê-la. Saber quem é João Miranda só dignifica o próprio João Miranda, na minha humilde opinião. Acho mesmo que podia ter sido o próprio João Miranda a declarar quem é, mas é claro que a decisão é dele e eu respeito a decisão, apenas revelo aqui a minha opinião sobre isso.

Discordo de si nalgumas coisas.

Uma: o próprio, ou alguem, ainda não confirmou se aquele João Mário Rodrigues Miranda é o João Miranda que assina no Blasfémias aquelas deploráveis “postas” (deploráveis é opinião minha, bem entendido); logo, tomo a informação com reserva; e sempre lhe adianto que, a confirmar-se, aos meus olhos João Miranda subirá uns pontos (não que ele se importe com isso, não que isso seja pouco menos que irrelevante para a conversa, é apenas dizer-lhe como eu reajo, e eu reajo bem a saber quem são as pessoas, mesmo que respeite o direito ao anonimato).

Segunda: embora aquele link nos levasse a saber que tipo de qualificações profissionais terá João Miranda, nada nos revelaria sobre o seu perfil profissional (ao contrário do que você afirma).

Terceira: é claro que a profissão de João Miranda pode nada ter a ver com as suas posições no blog, mas quem está no espaço público está sujeito a esse tipo de avaliações. Eu que o diga: tenho um blog pessoalíssimo mas sou diariamente julgado como jornalista e não como cidadão. Não é uma queixa, é uma constatação: para o bm e para o mal, estamos no espaço público, logo sujeitos a algum escrutínio do público. É injusto? Admito que sim. Diga isso aos políticos que são insultados e vilipendiados centenas de vezes ao dia. Aos artistas. Escritores. Futebolistas. Arquitectos. Empresários.

Quanto ao resto: há muito que me calei sobre o provedor e é assunto que, como devia saber, lamento profundamente a intoxicação feita ao que escrevi, pelo que nem mais uma palavra. Os arquivos falam por si e a história será feita se tiver de ser. Os deveres, na ausência de um código de conduta (e não estou sequer a defender a sua existência) cada um faz aquilo que a sua consciência lhe dita, em última análise. Já tirei um post sobre João Miranda porque a minha consciência mo ditou, fique a saber. Este post, porém, era irresistível, de tão ridículo acho o comportamento de alguns dos Blasfemos na promoção e defesa da imagem do seu aparente líder.

Caro jpt, pidescas são coisas já passadas e ainda por vir na blogosfera. Como tentativas de assassinato de carácter ou reputação. Fazer links para informação pública não me parece um acto pidesco em circunstância alguma. Mesmo que aquele João Miranda não seja o João Miranda, ter-se-á tratado de um erro. Se bem ou mal intencionado, só o autor (ou uma investigação) poderá avaliar.

Em todo o caso não vi motivos para tirar o link ou o comentário. Por respeito, tirá-lo-ia a pedido de uma pessoa. É escusado dizer quem.

No sistema que giro, já fiz duas limpezas, ambas a conteúdos ilegais. Já fui indagado com a Justiça por causa de conteúdos lá colocados (não por mim, obviamente). O sistema rege-se por um código: conteúdos ilegais podem ser apagados sem aviso. Quem define a ilegalidade não sou eu, claro está, mas sim as instâncias próprias (os tribunais). O sistema é neutro face aos conteúdos, posições ou pessoas.

Eu, no meu blog, não sou necessariamente neutro. Escreverei o que me apetecer, responsabilizando-me (enquanto cidadão, não enquanto jornalista pois não exerço a profissão no meu blog).

  1. 1 jpt

    Respondi-lhe em email.

    1.Permitir-me-á aqui deixar trecho dessa comunicação pessoal. Porque resume o que acho, e talvez interesse a algum leitor que desça aos comentários:
    “… e nisso se mostra ainda mais o porquê desta irritação e da associação
    com o patrono do weblog. Brincar com as profissões, os estatutos, as
    práticas profissionais dos bloguistas é um acto de para-censura, é
    conduzir ao tipo de atitude “não me meto nessas coisas, não ponho em
    risco a minha reputação” etc e tal. É censório, procura criar ambiente
    de silenciamento. V. pensa mais em bloguismo (no sentido de “sobre”)
    do que a maioria dos bloguistas. Mete o nome, puxa a carroça, milita
    (no elevado sentido da palavra). E depois deixa correr uma prática
    destas. Mais que não fosse é suicidário (bloguistico-suicidário).”

    2. Não é relevante se o documento público que ali está indicado é certo ou errado. É relevante se vale a pena e o porquê de ali estar. Estar a gozar/criticar alguém pela sua profissão devido ao desacordo que se tem com as suas opiniões é intelectualmente nulo. Não é essa a razão da minha recusa - coisas nulas há muitas. Mas que fique explícito, não vale um caracol.

    3. Não falei de leis, as tais que V. invoca. Em tempos houve um 1º ministro português que afirmou que a ética da república é a lei: nunca desprezei tanto um político português como nesse dia (e os subsequentes; e os que com ele alinharam até ao fim; e os disponíveis para continuar a alinhar).
    Não falo de leis, falo daquilo que o mais elementar (ou se calhar não) bom gosto, decência apelaria. Se lhe quiser chamar ética chame-lhe, mas não estou nas leis, não há aqui nada de ilegal.

    4. “saber quem é JM só o dignifica” Nem coloco em causa, não é disso que se está a falar. É o a que propósito, com que propósito, vamos buscar cvs nestes registos [”o homem anda a ganhar a vida”… o que é que se queria, que vivesse de rendimentos? para escrever no bloguismo há que ser o carlos da maia?]

    5. Estas questões são fluídas, como quaisquer outras. Se eu fizer um blog sobre antropologia (que é a minha formação) é normal que o “quem sou eu” seja mais do que mera curiosidade. Escreverei então evocando e invocando uma particular profissão/formação. Agora quando me dedico ao sporting, ao tal guterres, ao paulo querido, a novelas foleiras e quadros assim-assim, mais meia-dúzia de croniquetas de costumes, o que é que legitima que os cvs (meus, de todos os outros) sejam afixados nos jornais do povo, nos blogs? O que é isto?

    Se um políticio escreve sobre política então há continuum a explorar. Sim. Se um físico sobre física, se um economista também. Um profissional que escreve publicamente sobre a sua actividade tudo bem, que seja analisado também segundo (não só, também) a sua “autoridade” de “especialista”. Assim não.
    PAra não parecer qualquer virgem ofendida refiro que já coloquei isso também: sobre bloguista que é profissionalmente ligado às actividades políticas referi a inadmissibilidade (para mim) de determinado comentário. Disseram que exagerava. Eu acho que não: quem vive da política, da representação, da delegação ao expressar publicamente ideias políticas está também a expressar-se profissionalmente.

    5. alongo-me. Terminando. SE V. diz que a sua simpatia não era para o comentário em questão mas para um anterior isso em parte desvaloriza o meu profundo incómodo. Compreende decerto que a sua caixa de comentários justifica, pela ordem e pelo relógio, a minha leitura. Terá sido um caso em que uma correcta leitura implicou um incorrecto significado. Ainda assim, pelo que já aqui e lá em casa, escrevi preferiria que V. tivesse dado um carolo no candidato a engraçado

    cumprimentos, bom fim-de-semana. Agora vou para a praia, que tarda

  2. 2 Paulo

    Caro jpt, dedicarei mais tempo às muitas novidades que introduz na discussão (muito boa, obrigado por elevar o nível). Por agora: nunca alterei ou apaguei um comentário, excepto os de natureza comercial, mas corrigi uma vez informação errónea num post, a pedido do visado (que referiu onde estava errado o meu texto). Desejo-lhe, invejoso, uma boa praia…

  3. 3 joão sebastião

    Pelos vistos o jpt gosta é de resolver as coisas à carolada… E bastonada não, já agora ? Estes democratas…

    Incluí o link porque me lembro de já há algum tempo o paulo querido ter feito um post sobre comparação de curriculos e o miranda nunca lhe ter respondido. Bem, a ponta do icebergue ficou no meu anterior comentário, quem quiser que investigue mais. Era bom que alguns dos adoradores do culto liberal tivessem noção que, por exemplo, o miranda anda há anos a viver de dinheiros públicos.

    Ainda há dias no insurgente publicitavam um livro que expunha contradições entre os discursos de chomsky, michael moore entre outros, e a sua conduta pessoal. Aí não me lembro do jpt vir tão indignado. Será que essa fúria é só quando toca aos amigos ?

  4. 4 jpt

    súbito nevoeiro redireccionou-me(nos) o sábado. é um bom paralelo para isto …

    o mais indicado é passar por cima. mas o mais indicado é muitas vezes penoso..

    O PQ saberá, presumo, que já por várias vezes referi a minha opinião: o tom dos comentários nos blogs depende fundamentalmente dos bloguistas, do tom do blog. Faço aqui a justiça, por mais que possa discordar de si neste caso, de apartar o tom do comentador com o tom do blog.

    Pois: quem quer confundir os conteúdos explícitos e implícitos de “carolo” e “bastonada” está “num ai-ai, mãezinha, aquele menino é mau” de puto irritante para o qual não há paciência. Nem em puto, nem em grande. Em puto leva os tais carolos, em grande leva “vai dar uma volta”.

    Porque poderá ser interessante para quem queira ler a discussão sobre isto (talvez bizantina, eu acho que não).
    Aqui o “menino mau” não leu o tal obrigatório texto do insurgente. Peço desculpa pela falta de trabalho de casa.

    Aqui o “menino mau” lembra-se que quando era mais novo em Portugal os muito, muito reaccionários acusavam uns tais de comunistas de terem carros e frigoríficos, de não darem tudo aos pobres, etc e tal. É rejuvenescedor (ou será nostálgico) ver esses tontos de boa saúde agora acusando outros de terem frigoríficos e carros apesar das ideias político-filosóficas.

    Aqui o menino mau acha piada à indigência quando está bem disposto (apesar do nevoeiro). Em dois anos de bloguismo se há bloguista (dentro do mainstream) que me irrite e sobre quem tenha escrito de forma violenta (por mero desagrado com os textos) é exactamente JM. Dir-se-ia que com amigos assim quem precisa de inimigos

    Aqui o menino mau insiste, para parvos assim não há melhor do que uma carolada. Não é a ver se aprendem, que nunca irão lá. É só para não chatearem.

    A democracia é conversa importante demais para ter com putos destes. Começa quando eles vão lanchar.

  5. 5 joão sebastião

    jpt,

    Passando por cima de palavras como “putos” ou “parvos” que só qualificam quem as usa, digo-lhe com sinceridade que a história da sua vida quando era novo não me interessa rigorosamente nada. Nem as suas medalhas e galhardetes de bloguista. Já sobre a falta de trabalho de casa, como lhe chamou, limitei-me apenas a assinalar um facto, o qual não refutou. E as desculpas estão aceites. Em relação aos seus conceitos democráticos vejo que desvirtuou um pouco o passado histórico da democracia: na grécia antiga havia os cidadãos, aos quais se aplicava a democracia, e os escravos. Pelos vistos o jpt agora acha que a democracia é para alguns, os cidadãos de agora, e os outros, entre os quais os “putos”. Espero sinceramente que nunca tenha oportunidade de colocar os seus ideais em prática.

    Quanto ao essencial dos meus comentários têm a ver com o ser e o parecer do miranda, nada mais. Eu acho muito bem que ele tenha uma longa e frutuosa carreira cientifica ou na area que mais lhe convier, e que ganhe a vida honestamente fruto do seu trabalho e mérito, isso nao me diz respeito. So que quem o lê fica com a ideia que o homem é uma sumidade em economia e um empreendedor a quem os impostos sugam uma enorme fatia dos rendimentos. A realidade mostra exactamente o contrário, que ele vive de dinheiros publicos. E essa diferença é de assinalar, tal como fazem os liberais do blog satélite (o insurgente) a propósito de michael moore ou chomsky, para se ficar a saber as diferenças entre o ser e o parecer de quem escreve. Até porque o próprio escreve que quem nunca leu um livro liberal não sabe discutir o liberalismo. Será que todos os que discutem as obras de Mozart são compositores ?

  6. 6 jpt

    há uma enorme diferença com algum do pensamento grego (algum, algum, isso da “grécia antiga” é também de quem não leu muito, mas enfim…): alguns consideravam que havia quem nascesse para mandar outros para ser escravos. não penso assim: penso que há parvos, há ordinários, e há outros. Fazem-se assim, a partir de alguma similitude inicial. O que v. aqui fez, tenha eu ou não medalhas, é uma ordinarice ou uma nulidade intelectual (Chame-se-lhe parvoíce se se quiser). Em meu entender uma ordinarice e uma parvoíce.

    Agora fique-se com os seus argumentozitos de quem leu tal blog e aquele, e gostou ou não de tal blog e aquele, e está muito militante contra e a favor de tal blog e aquele. PAra mim, sobre si, passei, nem leio. Nem interessa. Bem espremido não há nada. E ainda que houvesse não vinha por bem, apenas por pequenino. Sem carolos, está a ver?, nem isso

  7. 7 joão sebastião

    jpt, poderão ser argumentozitos mas foram suficientemente bons para lhes fugir e não os contrariar, e partir para reles ataques pessoais, sem fazer ideia de quem eu sou, apenas baseados nos seus preconceitos (bem patentes na noção da “similitude inicial”). Continue assim e um dia talvez seja contratado por algum blogue satélite, ou mesmo planeta. E agradeço a ignorancia prometida, espero que seja pra cumprir.

  8. 8 joão sebastião

    jpt, boçalidade ainda aceito, má-educação já não. Teve oportunidade de contrar os ditos “argumentozitos”, não o fez, pelos vistos não o sabe ou consegue fazer. Prefere ataques pessoais baseados em puro preconceito, uma vez que não me conhece de lado nenhum. Quem o conhece que o ature, eu não o farei, e espero que a ignorância que diz irá assumir se cumpra.

  9. 9 Fatima Cordeiro

    Caro Paulo Querido:
    Na altura da polémica, creio ter razao ao dizer aquilo que disse. Mas neste momento parece-me que mais não faz que atear a fogueira de uma coisa que já devia estar ultrapassada. E aí começa a perder a credibilidade e a razão. Certo?

  10. 10 Paulo

    Cara Fátima Cordeiro: não vejo nada que possa estar ou não ultrapassado. As divergências entre eu e João Miranda são tão antigas como a publicação de posts cruzados evidenciando-as. Veja os arquivos de ambos os blogs. As divergências, creio eu, são insanáveis e as distâncias entre nós (o que defendemos e a coerência com que o fazemos) são imensas, colossais. Mas coloquemos as coisas no seu lugar: que importa isso ao mundo? Importará apenas, e superficialmente, aos leitores regulares de ambos (e aos outros nem tanto).

    A minha credibilidade e a minha razão, ou as respectivas ausências conforme a perspectiva, não se ganham e perdem num post. Ou em dois.

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