Palermices

PALERMICES. A cena foi caricata, digna de um filme de cóbóis série C. Mãos ao ar, gritaram os polícias quando irromperam pelo 24 Horas. O pobre do Van Krieken, que andava há anos à procura de dar uma notícia, quando deu finalmente uma foi notificado arguido. É preciso azar, Jorge. Desde então a gritaria vem subindo de tom. Nunca vi tantos defensores dos direitos dos jornalistas. De onde sairam? Porque sairam agora? O que os move verdadeiramente? Estão mesmo preocupados? Ou é tudo uma palhaçada que esconde inconfessáveis desígnios? Como podemos acreditar em saloios que ontem atacavam os jornalistas e a sua pretensa excessiva liberdade e impunidade e hoje defendem o direito à liberdade e impunidade?

Da mesma forma que desvalorizo a palermice da PGR (é preciso ser palerma para achar que se tapa o sol da evidente “fuga” de informação do MP com a peneira da “investigação” jornalística), tendo a devalorizar a gritaria geral. Ao contrário de António Barreto, não acho este caso grave. O problema está na PGR e no Ministério Público, onde algo vai mudar em breve, não está no relacionamento do aparelho judiciário com os jornalistas nem nestes. Nem na falta de “opinião” dos dirigentes políticos (admitindo que os dirigentes políticos são capazes de emitir uma válida, como Barreto gosta de admitir, com algum pretensiosismo).

A expressão do director do 24 Horas nas televisões disse tudo. O jornal ia vender mais papel nos próximos dias.
O resto, essa xaropada toda acerca da liberdade de expressão, vinda dos sectores que veio, desculpem mas está na mesma prateleira da PGR. A das palermices. Mãos ao ar!

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