Vamos fazer a experiência
publicado 15 Fevereiro 2006 em Geral.VAMOS FAZER A EXPERIÊNCIA. Com aqueles fornos, eram precisos 15 anos para matar 6.000.000 judeus, disse um embaixador. «Eles que forneçam os árabes, nós damos os fornos e vamos ver quem é que tem razão!» - resposta pronta ouvida por aí.
[ Se acha que este post é xenófobo, caro/a leitor/a, fique a saber que me estou na tintas. Um imbecil capaz de dizer o que disse o senhor embaixador merece disto e muito pior. ]


O problema, acho eu, não é o facto de ofender o senhor embaixador iraniano, porque não tenho dúvidas que ele até era capaz de seguir a sua sugestão. «Tomar o todo pela parte», eis uma coisa que também vou ouvindo por aí!
Sobre a posição do Irão em relação ao holocausto:
Interpretemos bem as afirmações dos outros se quisermos fazer análises correctas da situação.
1) o Presidente do Irão NUNCA contestou a existência do holocausto. Chamar-lhe um mito não é negar a sua existência. Como costumo dizer, Marilyn Monroe também se transformou num mito, mas ninguém nega que existiu. O que ele disse foi que os autores do holocausto, os europeus, o transformaram (por pesado complexo de culpa, digo eu) num mito que colocaram no lugar de Deus, já que negar Deus não é punido no Ocidente, já o sendo negar o holocausto. Isto choca muitíssimo os muçulmanos, para quem Deus é sempre o valor mais elevado. E tanto não negou o holocausto que até afirmou que os seus autores (nós) deviam reparar eles mesmos tal crime (dando terras aos judeus, sendo caso disso) e NÃO APRESENTAR A FACTURA AOS PALESTINIANOS, que nunca participaram em pogroms e muito menos no holocausto. O que é correcto e que, além do mais, corresponde ao que pensam todos os 1500 milhões de muçulmanos (e não só).
2) O que atrás se disse, explica também a utilização do tabu do holocausto pelos iranianos como arma de arremesso ou de retaliação contra a Europa, pelo caso das caricaturas blasfemas. É que eles sabem que esse é praticamente o único tabu da Europa, a única forma de a ofender. Se atacassem Cristo, ninguém se ralaria, até porque aqui há quem faça muito melhor nesse domínio… basta ver a caricatura nojenta que o proprio Aspirina publicou aí para baixo de um Cristo gay…
Se o Ocidente se arroga o direito de insultar o que os muçulmanos têm de mais sagrado, Maomé, parece-me normal que estes retaliam atacando o mito mais sagrado dos ocidentais, porque assim lhes tocam no ponto fraco, lembrando-lhes que são eles, ocidentais, os autores do holocausto…
Deixemo-nos, pois, de papéis de virgem ofendida…
E qual a justificação para esta proibição de os historiadores averiguarem o número exacto de vítimas do Holocausto ? Sim, porque parece que é a única restrição legal à liberdade científica que conheço. O holocausto não seria menos negativo se em vez de 6 fossem só 4, 3, ou 2 milhões as suas vítimas. Não sou historiador, nem estudei a questão, mas também me parece empolado o número de 6 milhões e altamente suspeita a proibição de o contestar…
Em Auschwitz-Birkenau, o principal lugar de extermínio, há documentos que permitem avaliar o número das vítimas aí assassinadas em 1.200.000. Claro que havia outros campos de extermínio mais pequenos, mas parece-me difícil chegar aos 6 milhões…
Com a liberdade de investigação científica (ou histórica) não se devia brincar…
Além do mais devemo-nos perguntar se é correcto utilizar sempre a expressão “Holocausto” (com maiúscula) como referida apenas aos judeus vítimas do nazismo. Eu mesmo cometo esse erro… Porque afinal, holocaustos há muitos. Na II Guerra morreram directa ou indirectamente 25/30 milhões de russos, os verdadeiros vencedores do nazismo. Foi de longe o maior sacrifício humano e ninguém utiliza o termo holocausto (mesmo com minúscula) para o referir. Por complexo de culpa, a Europa continua, a propósito de tudo, a praticar a política da “excepção judaica”, permitindo a Israel fazer o que ninguém mais pode fazer (conquistar territórios pela força, roubar terras, casas e água, ter a bomba H e nem sequer ratificar o tratado de não proliferação, manter um sistema de exílio e de apartheid para a maioria não-judaica, com bantustões, com 15.000 presos políticos sem julgamento e milhares de execuções sumarias de opositores, com eleições apenas para 40% da pupulação de jure (e ainda, apesar disso, ser considerado “democrático), etc, etc.
Para russos, polacos, arménios, ciganos, tutsis e peles-vermelhas não há “holocausto”, porque aparentemente não são “povos eleitos” ! Devemos acabar com esta palhaçada. Todos os povos são iguais, não há questões históricas imunes a críticas e novas apreciações e holocausto a sério e com letra grande é o russo (20 milhões de mortos por Estaline e mais 30 por Hitler) ou o chinês (50 milhões de mortos, 30 dos quais no Grande salto em frente do Grande Timoneiro em 59/62). Claro que também houve outros holocaustos como o dos judeus, mas é bem provável que este fosse bastante inferior ao dos propalados 6 milhões. En todo o caso é intolerável que tal não se possa discutir…
Caro Euroliberal, obrigado pela útil discussão. Como calcula, fico contente por o meu simples texto a provocar. É sempre boa ideia provocar.
Essa das virgens ofendidas não cola
Virgem, vá que não vá, agora ofendido, eu, não de todo. Para cuspidela, cuspidela e meia — e não sei porque há-de a minha cuspidela ser pior que a de um ministro iraniano.
Quanto ao resto: concordo consigo nalguns pontos (era tempo de o holocausto dos judeus (de quem tenho sangue e ascendência) deixar de ser um assunto tabu e indiscutível), mas fico logo todo eriçado quando vejo que essa dessacralização é feita pela comparação. Saber o número exacto é uma questão de rigor histórico (o possível…), não um combate ideológico, uma busca do Santo Graal Da Prova Da Supremacia Da Esquerda / Direita (escolha o seu lado) Em Número De Mortes.
Mao deu-se ao luxo (?) de deixar morrer dezenas de milhões de chineses (e no Ocidente, who the fuck cares? são chineses!) por mero capricho, a ilusão de um homem. No entanto, até há um bar ou restaurante em Lisboa com o nome dele e alguns membros proeminentes da classe política europeia foram maoistas.
E sim, a história de Israel / Palestina um dia será contada como deve. De santos, os judeus nada têm. Bem como os seus vizinhos. A questão ali é outra.
Permitam-me só uma pequena achega. Apesar de achar acertado muito do que o Euroliberal aqui apontou, parece-me que está a esquecer-se de um pormenor que torna o holocausto do judeus algo diferente dos outros (é difícil abstrairmo-nos da monstruosidade que é um qualquer holocausto, eu sei): com a solução final pretendeu-se erradicar um povo (também aconteceu com os ciganos), uma etnia específica, de forma sistemática, industrial até, o que não é exactamente o mesmo do que uma perseguição política ou uma matança por efeitos colaterais em actos de guerra, ainda que o resultado prático seja igualmente horrível. É a premeditação científica que eleva a monstruosidade a um patamar diferente, quanto a mim. (nota: uso o itálico em vez das aspas porque sim)
6000000 de vitimas a dividir por estes 6 campos, depois dividididas por 730 dias ( uma determinação temporal minima e aceitável ) prefaz a morte diária de cerca de 1300 pessoas em cada campo. Um número aceitável, tendo em conta a capacidade das câmaras de gás e o poder do Zyklon B. Cada câmara de gás podia receber até 2.500 prisioneiros por turno! Mas haviam mais métodos. Por exemplo, com uma metrelhadora MP38 ou MP40 ( carregador 32 ) podemos facilmente matar centenas de pessoas numa mera meia hora. Mas haviam outros metodos como enforcamentos, execussões ( também há imagens! ) Estes 6000000 nã0 foram mortos apenas em campos de exterminio!