Desta é que erradicamos a exclusão social!
publicado 29 Abril 2006 em Geral.O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, teve azar na subida ao palco, começando por tropeçar. Valeu na circunstância, imaginem!, o secretário-geral da CGTP: Carvalho da Silva estendeu-lhe a mão complementando o discurso do 25 de Abril. Com efeito, Cavaco esquecera-se de convocar os “detentores do poder económico” para o “grandioso compromisso cívico” que é o combate à exclusão social. Como se sabe, dada a sua tremenda importância e brilho, amplamente demostrado pelas justas remunerações que graças a Deus auferem, justiça essa que as notícias sem dúvida mal intencionadas do Wall Street Journal não beliscarão,os detentores do poder económico são pessoas de extraordinária capacidade e com elas o país vai andar para a frente, finalmente. Sobretudo desde que tem por presidente o homem que durante mais anos chefiou o Governo português e que tem uma relação especial com tais sábios, não liguem que o esquecimento foi do nervoso da estreia.
Contando - finalmente! já não era sem tempo! - com quem dirigiu economicamente o país nos últimos 30 anos e com quem o dirigiu politicamente, sem dúvida que agora é que estamos definitivamente bem entregues, agora é que vai ser! Exclusão social, cuida-te! Tens os dias contados!


Eh,eh,eh! muito bem.
Um @bração do
Zeca da Nau
Será que se vai mesmo fazer alguma coisa de modo a erradicar a exclusão social ou foi apenas mais um discurso da praxe?! Vamos ver se o Cavaco Silva pretende mesmo levar a sua luta para a frente e vai ter algum trabalho relevante nesta área ou se vai marcar a sua presidência por discursos sem qualquer intenção.
Caro João Pinto, se quer a minha opinião, não, não se vai fazer rigorosamente nada para alterar a situação. Vai-se falar muito, é claro, e da mesma forma que séculos de apelos à esmola feitos por gerações e gerações de padres nos seus púlpitos contribuiram com zero para a diferença entre ricos e pobres, oferecendo fachada e “protecção emocional” aos contribuintes, os bem intencionados discursos actuais têm a exclusiva função de servir de máscara para a realidade. E cumprem-na gloriosamente. Ao menos que alguém faça o seu trabalho bem feito.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
( )
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
( )
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
(Camões)
Mas se todo o mundo é
composto de mudança
troquemos-lhe as voltas,
que inda o dia é uma criança.
(José Mário Branco)
Já nem se muda alguma coisa, para que fique tudo na mesma. Basta, agora, fingir que se muda. E Camões sabia-o. E Cavaco e Sócrates sabem-no. E José Mário Branco também.
Parabéns pela mestria e pelo blogue.
Paulo, “ver para crer”, embora eu, cada vez menos, acredito nos politicos! De facto, fala-se muito, mas faz-se pouco. Mas, já que falam, já não é mau, pois assim alerta-se para os problemas, o pior é que, muita coisa pode ser feita mas na realidade faz-se muito pouco. O exemplo que dá é muito bom, a própria Igreja apregoa o fim da diferença entre ricos e pobres mas, o que é certo, é que a Igreja está cada vez mais rica e não faz tudo o que está ao seu alcance para acabar, ou pelo menos reduzir, essa diferença entre ricos e pobres. Porque é que os politicos haveriam de ser diferentes?