Como os átomos no mundo físico, os bits vêm demonstrando uma incomum capacidade de sobrevivência no mundo digital. Hoje voltei a receber uma mensagem de correio que circula há dez meses. Está longe, muito longe, de ser a campeã da longevidade. Mas esta espanta porque, ao contrário dos típicos corpos digitais que circulam sem data nem origem, holandeses voadores digitais que dão origem a legendas urbanas de escala planetária a pedir um rim para uma criança que morreu há 10 anos (exemplo muito provavelmente verdadeiro apesar de inventado agora mesmo), esta mensagem tem origem e tem data. E tem objectivo - o que é pior ou melhor, conforme o ponto de vista.
Com o assunto Golpe na Galp!!! (número de exclamações pode variar, ver abaixo), faz menção a uma manchete do Expresso e, recebida a uma sexta feira, levará a pessoa a pensar que é a manchete do sábado seguinte. Não é. É uma manchete de, salvo erro, 23 de Julho de 2005. A notícia, muitos se lembrarão dela, versava os “escandalosos” (aspas, enfim, cada um escandaliza-se com o que quer) salários naquela gasolineira e a sua relação com (ex-)titulares, ou parentela respectiva, de cargos públicos.
No email original, que data da semana seguinte e foi reproduzido em muitos blogs (resultados do Google) como se de um original se tratasse, muitas vezes assinado pelo próprio wannabee opinion-maker, misturavam-se os “factos” relatados pelo jornal com frases judiciosamente escolhidas como «este dream team à moda de Portugal, pode dar cobertura a um bando de sanguessugas que não têm outro mérito senão o cartão de militante».
Na mensagem recebida esta manhã o corpus evoluiu: o remetente, um tal de Manuel Fernando, conhecem?, depois de capitalizar PORQUE SERÁ QUE OS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL NÃO PUBLICAM ISTO? DIVULGUEM O MAIS QUE POSSAM, mudou a “assinatura de campanha”, que passou agora a ser «antes sustentar as gasolineiras espanholas que estão no mercado do que estes vampiros! E AINDA DIZEM QUE A CRISE É CULPA DA FUNÇÃO PÚBLICA !!!» (número de exclamações variável).
O lado mau da coisa: depois dos colectores de endereços para fins ilícitos, associados a tantas destas mensagens virais, e dos esquemas nigerianos e parecidos, já há quem tire partido do marketing viral para a guerrilha política.
O lado bom da coisa: depois dos colectores de endereços para fins ilícitos, associados a tantas destas mensagens virais, e dos esquemas nigerianos e parecidos, já há quem tire partido do marketing viral para a guerrilha política.

  1. 1 João Pinto

    De facto, hoje em dia, é muito fácil lançar um boato ou uma falsa noticia. Basta pegar na nossa lista de contactos, enviar um email para toda essa lista com a certeza que uma boa parte desses contactos irão fazer o mesmo com os seus contactos, e por aí a fora. Isto passará a milhares de pessoas com certeza e, por vezes, quando a mesma mensagem inicial volta para nós, vem quase sempre alterada pelo meio, muitas vezes com algum interesse pessoal ou partidário, se for o caso. É o mundo em que vivemos hoje em dia. Perigoso, mas é o mundo actual!

  2. 2 Periscópio

    Não compreeendo como poderão cair em tal embuste. Quando recebo uma dessas mensagens a primeira coisa que faço é ir à página do alegado autor ou jornal confirmar a notícia. Ou no caso dos apelos, digito no google o nome ou texto-chave. Por exemplo, recebi agora um apelo sobre uma criança desaparecida (Rita Slof
    Monteiro). Fui de imediato à página da PJ (http://www.policiajudiciaria.pt/htm/pessoas_desaparecidas/rita_monteiro.htm) e constatei tratar-se de um caso verdadeiro. Reencaminhei o apelo para toda a minha lista de endereços. Perante os meus amigos, clientes, conhecidos e familiares correnspondentes, tenho a responsabilidade de filtrar este tipo de embustes. Só assim se conseguem credibilizar os bits e bytes circum-navegantes.
    Cordiais cumprimentos

publicidade
Neste momento, a actualidade nacional numa única página
Mercado das Previsõeso jogo da sabedoria das multidões


Editado sobretudo com Wordpress
Desenho de página: trabalho TubarâoEsquilo
derivado do original 3K2Redux klein
Validar XHTML, CSS.
Topo