Os lacaios dos senhores da guerra
publicado 30 Julho 2006 em Geral.Uma guerra é um assunto sério, normalmente gerido por profissionais com objectivos estratégicos claros e com controlo de forças nos dois terrenos onde hoje é importante estar: o palco da guerra e a coluna defensiva encarregue de, junto das massas de civis, tentar controlar a opinião publicada mundialmente e desencadear o mais rapidamente possível os mecanismos de adesão / rejeição que levam os povos a esquecer a argumentação.
Esta plateia está repleta dos amadores, jovens turcos de sangue quente, sempre dispostos a entrar num coro e a alinhar numa rixa. O tipo mais interessante de amador é o beligerante. Sempre do lado do mais forte, é mais papista que o papa e grita esfola! ainda o mata! do seu líder não acabou a segunda sílaba. Afirma-se sempre como o detentor de A Verdade. Até podia eventualmente ter razão, mas na prática o beligerante apresenta-se fraco porque contribui sempre para o esforço de guerra do lado que lhe parecer mais forte.
Um amador, especialmente o beligerante amador, é o alvo fácil da manipulação dos profissionais da propaganda. Qualquer exibição de poder, qualquer anúncio de uma ofensiva o excita e atiça. Aliás, não há sangue que ferva mais depressa do que o sangue bem nutrido destes hashashins de aviário.
Em consequência, estes que se dizem do lado certo a favor de Israel até podem estar a ser sinceros, mas se estão fazem o papel de idiotas úteis, porque as suas exaltadas afirmações reforçam a posição dos pacifistas que hoje, na Europa, nos EUA e até na “rua árabe” iniciaram com os seus protestos a contagem decrescente para o cessar-fogo no Líbano.
Esgrimir patacoadas com João Miranda é muito fácil, como comprovo assim. Mais difícil é apoiar uma solução. Eu não tenho nenhuma excepto o cessar-fogo e a intervenção musculada do Conselho de Segurança da ONU com uns EUA compenetrados de que o tempo corre cada vez mais depressa contra eles (e contra nós todos, na verdade) no barril de petróleo do Médio Oriente. A guerra é um assunto demasiado sério para ser deixado aos senhores da dita, aos seus lacaios ou aos pintaínhos pacifistas — podia eu dizer agora.


«pintaínhos pacifistas»?!…
É uma grande pena que tenha estragado no final do texto a excelente qualidade de análise até com alguma tocante profundidade deste todo texto escrito/publicado.
Aquele que é verdadeiramente pacifista (qualidade de valor profundamente humano e humanista na qual me incluo) não é nem nunca foi um «pintaínho». Foi e é sempre aquele que usa a razão para compreender a Razão de todas as coisas, incluindo as humanas e todos os próprios e possíveis caminhos para o humano.
Utilizando a razão, utiliza e defende uma ordem racional. Quer sempre dizer que existe outro caminho para a Humanidade para além e como alternativa ao caminho para o abismo. Porque se a Humanidade continuar no caminho da guerra, com tantas armas e tantos loucos à solta pelo planeta Terra, não faltarão decerto muitos anos para a Humanidade se auto-destruir a si própria.
Humanidade? Eu diria (especificaria) que todos aqueles que seguem o caminho da guerra não são verdadeiramente humanos mas sim horrendos ogres que, na verdade, infestam a Humanidade como doença cancerosa que há que extirpar.
Quem é que pode extirpar esta doença cancerosa mortífera? Neste caso, e nos demais possíveis casos, terá que ser sempre a ONU.
E como poderá a ONU ser a força eficaz e capaz de extirpar o cancro da guerra à Humanidade? Naturalmente que tem que criar um grande exército pacifista armado - com assim capacidade suficiente de dissuasão de qualquer contenda. Usando rigorosamente o lema e a Lei: Toda a guerra é rigorosamente proibida no planeta Terra; todo o matar é ilegal, seja em que circunstância for.
Deverá ser esta a lei primeira da Carta das Nações Unidas. Para isto se concretizar, para que a Humanidade dê este grande salto em frente para uma existência finalmente de paz, é necessário que todos os países do mundo fortaleçam as Nações Unidas, fortaleçam a ONU.
Assim a ONU será de facto a grande boa polícia mundial, pacífica e pacificadora, não permitindo nunca a violação da Lei/Carta das Nações Unidas, garante da paz no Mundo e zeladora da paz e pela paz no Mundo. Este é o grande novo paradigma para toda a Humanidade.
«pintaínho pacifista»? Não. Pacifista defensor de que a ONU extirpe o cancro mortífero da guerra do Mundo.
Confesso que me assustei quando li a primeira parte do texto que escreveu, estava já preparada para ripostar com toda a força que a minha revolta me empresta, quando verifiquei que afinal o início do texto não era seu. Ufa! Que alívio!
Concordo consigo, a guerra é demasiado importante para que uns senhores sentados nas suas poltronas vão mexendo as peças fazendo com que o sofrimento e a morte imperem. Quanto aos pintainhos… piu piu.
LOL
Este texto é uma pastishe mal feita do texto do Joao Miranda, portanto tem tanto valor facial como o dele.
De qualquer forma, estou consigo: tambem sou uma nao-alinhada pacifista, portanto podem “bater-me” de ambos os lados. Que batam!