Análises fáceis
publicado 3 Agosto 2006 em Geral.António tem um título incompreensível, os falsos anúncios dos blogues, para um post supostamente de análise ao Blogsvertise.
Obviamente que eles não dizem isso no site deles, falam de conversas e de promoção aos produtos dos clientes deles. É conversa da treta!»
O Blogsvertise tem o direito de promover o seu programa da forma que entender, desde que dentro da legalidade. É claro que o valor está nos links, ou enlaces, e não nos comentários dos autores, que (enquanto não temos web semântica) são totalmente irrelevantes para a economia da pesquisa em que se enquadra este negócio. Não precisa o Blogsvertise de afirmar e repetir a cada passo da sua documentação o que toda a gente que anda nisto sabe.
António dá a entender que o sistema não é transparente e independente. Independente, não vejo porque teria de ser, tratando-se de um negócio, ainda por cima privado. Quanto à transparência, penso que dificilmente poderia ser maior. Falta ao Blogsvertise expôr publicamente as suas próprias regras para aceitar ou não o trabalho de um blogger. Francamente, acho que é pedir demais, caro António.
Ao preço a que andam os enlances (sim, porque isto de optimização de sites, compra e venda de linques é um negócio de milhões) pagar 10 dólares por entrada é um negócio da China.”
Uáu. Caro António! Eu recebo até metade disso por enlace, diga-me onde! E olhe que o meu endereço é bom, rende, tenho um PageRank de 5/10 e veja o meu Alexa! Faço mais barato, vendo links de arquivo a 5 dólares!! (Na realidade um link pode até valer isso mas noutras circunstâncias. Mas esta informação não é gratuita, lamento. Tem um preço. Pague-o ou gaste-o em tempo para a encontrar.)
A objecção final de António ao programa é ridícula.
Ele não obriga, ou sequer sugere (e desconfio que não estão sequer interessados), que os blogueres sejam honestos para com os leitores e deixem uma nota a mencionar a natureza comercial da entrada”
Passando por alto o escorregadio conceito de honestidade quando aplicado a um meio tão díspar como a blogsfera, o sistema não obriga ou sugere o contrário e deixa bem explícito que o post a escrever é tão livre que não tem, sequer, de ser sobre o que está hiperligado. É óbvio, como António “descobriu” antes, que o que se vende é o link e não o post. O que tem isto a ver com conceitos de honestidade (partindo do falso princípio de que haveria uma obrigatoriedade de honestidade para os bloggers) é algo que me escapa. Eventuais resquícios da muito antiga confusão entre blogging e jornalismo?!? Que arcaico.
A análise de António faz algum sentido, sim, quando avalia o impacto futuro deste negócio. Há um impacto, claro.
Primeiro, devemos relembrar que a economia da pesquisa está em permanente evolução. A Google, Inc já mexeu diversas vezes nos algoritmos do PageRank e há vozes que dizem, até, que a importância que o público lhe dá é altamente exagerada e que na verdade não conta assim tanto. O AdSense sofreu uma mudança radical há semanas, devido ao combate à fraude nos cliques. Essa mudança, que não foi sequer anunciada, quanto mais explicados os seus pormenores (como António exige à Blogsvertise), afectou um número não-calculado de publishers cujos rendimentos sofreram fortes variações negativas. Os pesos relativos dos links orgânicos e não-orgânicos variam quase diariamente, em função da caça de gato e rato que sempre foi o negócio da pesquisa.
Estas medidas de evasão são necessárias. Sem elas (e algum secretismo nelas) os motores de pesquisa sobraçariam ao spam médico e pornográfico, que tem os melhores estudiosos na matéria e usa colossais redes de zombies para as suas inoculações. Recordo uma vez mais que o Altavista cedeu a posição dominante ao Google em grande medida porque soçobrou às mãos dos pornógrafos.
António dá o flanco quando diz temer a perda de valor dos enlaces dos blogues. Com isso está a reconhecer um valor aos seus links, embora antes tenha moralizado sobre o facto de alguém querer comprá-los e vendê-los.
Das duas, uma: ou António é blogger pelo prazer e o valor dos links é o que menos lhe importa, ou admite querer tirar algum tipo de rendimento do seu trabalho e aproveita, ou não, as oportunidades que o mercado ofereça. Preferencialmente, direi eu, as oportunidades legais e limpas como a do Blogsvertise.
Gostaria de ler os argumentos (revistos) de António sobre todos estes aspectos. E ainda sobre a sua frase final. Quem leia os blogs americanos dificilmente pode acreditar que uma pessoa esclarecida como António, por muito fechada que esteja na umbiguista e anémica blogosfera portuguesa, seja capaz de a escrever.
Uma sugestão: não faça como os blogburros nem fique paranóico, António. Linke e deixe-se linkar.
- 1 Pingback on Ago 11th, 2006 at 22:13


Paulo,
eu não espero que saiba o que me vai na cabeça, mas já que entendeu escrever sobre o que eu possa pensar de enlances, comercio e pagamentos a blogueres podia ao menos ter lido os comentários da entrada que liga no artigo onde explico que nada me move contra os pagamentos e os ganhos comerciais em blogues (se eu até faço uns trocos) e que até considerei este programa. Só que o que paga não me basta.
[Continuarei mais tarde, escrevia uma longa resposta à sua entrada quando esta desapareceu (refresh automatico?)]
E não me paga quanto eu quero, não porque seja abastado (nem por sombras), que não me importasse de ganhar 100 euros extra por ano, não que me importasse de vender e dar ligações ou que encontre quem me pague melhor (provavelmente só por ajuste directo, mas não estou no mercado à procura).
Não paga, simplesmente porque os 10 dolares nao sao suficientes para o meu trabalho e para aquilo que tenho de abdicar ou fazer para os receber:
não me sinto nada confortavel a trabalhar com as condições da companhia, e por conseguinte não me chega para o trabalho de “vender” o negocio aos meus leitores, porque acredito que o programa ou vai por agua abaixo ou vai dar bronca (ou mini-bronca blogoesferica) e nao me paga para eu estar sempre a olhar por cima do ombro à espreita, nem me paga para os enchidos que teria de cozinhar no blogue para ligar alguns dos projectos que me pudessem cair na rifa. Se para o Paulo é suficiente, força.
[este refresh está-me a irritar seriamente :(]
Naturalmente eu não esperam que eles divulguem quais os criterios que usam para atribuir trabalhos (relevancia para o cliente, PR, etc, não interessa explicar isso) ou porque podem nao pagar pelo trabalho (nofollows, js, sites cheios de keywards, supresas desagradaveis, etc) mas eu espero de uma empresa que me apareça com tal programa quque seja mais clara em pedir aos blogueres uma opiniao honesta (ou irrelevante) e que isso não fará parte da avaliação e parece-me para mim essencial que sugira de forma clara (e não obrigue, erro meu) aos clientes que sejam claros nos objectivos das suas entradas (ie que incluam uma nota). E é esse o meu problema com o programa: irrita-me saber que no futuro de cada vez que ligar um produto ou serviço, de cada vez que quiser fazer publicidade (salvo seja) a uma empresa que foi excepcional para comigo terei, ou me sentirei obrigado a fazer um disclaimer (nao conheço nem foi pago et al) e/ou terei enfrentar o cepticismo dos meus leitores.
Sei perfeitamente que as empresas nos EUA se tentam imiscuir e aproveitar das relações sociais para aumentar os seus lucros ( só a P&G tem um batalhao de 600.000 maes alistadas) e que nada posso fazer para evitar a onda que se prepara para entrar pela blogoesfera e pelas nossas vidas, mas não quer dizer que tenha de o aceitar e que aderir ao jogo seja a unica solução inteligente.
Caro António, grato pela sua compreensão. O refresh está com um valor muito elevado (15 minutos) mas pelos vistos não suficientemente elevado
Vou modificá-lo.
Recordo que o preço falado é de 10 dólares por post. Não sei como irá a coisa evoluir, claro. Mas está consciente que em anúncios, sobretudo no AdSense, dificilmente (estou a ser bondoso) se conseguem em Portugal receitas minimamente dignas do nome.
Discordo dessa coisa da “onda que se prepara para entrar” na blogosfera e nas nossas vidas. Fora do decrépito umbigozinho português sempre em torno da mesma meia dúzia de pessoas, a blogosfera está imparável e os posts qur se esperavam comerciais, por parte de empresas. tiveram o condão de trazer interesse e nível às conversas.
15 minutos? nao dei por ela mas eu tive algumas interrupções.
E eu acho que a vinda de empresas (se fala de empresas que blogam como a dell a ms, o gg ou a dreamhost) directa ou por interposta pessoa é excelente, uma forma de comunicar directamente com quem quer participar (uma entrada recente no blog da dreamhost deu muito que falar).
Já a parte em que se misturam textos de autor com interesse comerciais vou ter de passar pelo menos no meu espaço actual, pelo menos enquanto nao encontrar uma formula que me permita sentir confiança no modelo.
Caro António, nenhum dos grandes bloggers americanos bloga amadoristicamente. Veja cada um do Top 100 do Technorati.
Cada autor deve encontrar a formula mais adequada ao seu blog — passe ela, ou não, pela inclusão de alguma forma de monetizar, sejam anuncios sejam links ou outros programas.
O que certamente é mau é receber-se por baixo da mesa para dizer bem, por exemplo, de determinada pessoa ou partido.
“O que certamente é mau é receber-se por baixo da mesa para dizer bem, por exemplo, de determinada pessoa ou partido.”
Mas certamemte que sim!
Pessoa, partido, empresas, associações, eu estou de fora só imagino o Paulo deve ter uns insights.