O saco de plástico
publicado 30 Setembro 2006 em Geral.Era previsível. À terceira semana, a clivagem Sol-Expresso tomou conta da blogosférica conversa e o debate ocupa o seu verdadeiro lugar quando o que está em causa é fazer mais barulho que o adversário. (Adeus, debate.)
Hoje, o assunto do sábado poderia ser: quantos exemplares de cada um dos semanários ficaram nos postos de venda? Ou: irá o Sol repetir as vendas anunciadas nas duas primeiras semanas? Ou ainda: com os DVD a entrar na rotina dos títulos mnos apelativos, as vendas populares do Expresso vão diminuir?
Mas não. O pontapé de saída foi dado, e onde mais poderia ser, no Blasfémias. jcd tem um post presunçoso sobre a “dificuldade” da sua “decisão” (link). A resposta de João Morgado Fernandes não se fez esperar e, num texto que jcd e os “liberais” já vinham merecendo, dá uma lição sobre o pluralismo opinativo do DN que o Público e o Sol só podem almejar (Oh diabo).
Como eu previ, era fácil perceber para onde ia cair o “coração” da blogosfera histórica.
Agora a minha experiência esta tarde nas bancas.
Primeiro spot, uma gasolineira de grande tiragem. Pego num saco de plástico e já vou a caminho da caixa quando percebo que é o saco de plástico do Sol. Recuo. Levo, não levo? Olho as capas de dois dos cadernos pedindo ajuda a uma decisão. Decisão: nenhuma valia dois euros. Procuro o Expresso. Não há. Pergunto ao encarregado. Esgotou. Ok, é a gasolina da bomba um.
Segundo spot, uma papelaria/tabacaria que vende papel, numa zona não totalmente central (não vou correr outra vez a cidade, fiquei esperto). Uma pilha de sacos de plástico dá-me confiança. Mas é sol de pouca dura. O Expresso? Só temos um, mas incompleto. Mas tem o DVD… diz a rapariga com um ar profissional. Não demando o DVD, mas não vale a pena dizer-lho. O que falta: o Emprego e o primeiro caderno. Hesito. O Emprego não me faz falta, mas o Expresso sem primeiro caderno é uma amputação muito grande…
Penso em quantos mais locais teria de percorrer em busca de um exemplar completo (e refiro-me ao papel, não à rodela de plástico) do Expresso por estas tardes de sábado. A experiência das duas semanas anteriores não é para repetir. Venha de lá o exemplar manco. A Economia, a Única e a Actual valem os €2,8.
Atrás de mim deixo duas pilhas de sacos de plástico. As sobras — o pesadelo da minha indústria.
- 1 Pingback on Set 30th, 2006 at 19:21


eHeH!!! Eu hoje arranjei o Piano com oferta do Expresso… e às 11 horas da manhã.
Sol não havia, mas acho que às portas de Outubro isso é normal. Hoje nem sequer o receberam.
E que tal o novo portal? Blogger com um lugar ao sol? Tem piada… ainda vamos ter um WikiSol…
Abraço,
CT
Confesso que quando comprei o Expresso (que de facto tinha esgotado se eu exigisse o dvd) receei que estivessem também a oferecer uma pizza…
«O pontapé de saída foi dado, e onde mais poderia ser, no Blasfémias. jcd tem um post presunçoso sobre a “dificuldade” da sua “decisão” (link). A resposta de João Morgado Fernandes não se fez esperar e, num texto que jcd e os “liberais” já vinham merecendo, dá uma lição sobre o pluralismo opinativo do DN que o Público e o Sol só podem almejar (Oh diabo).»
Já levámos no totiço. Nós, os liberais presunçosos que compram o Público, quando poderíamos comprar esse exemplo de pluralismo que é o DN… E ainda por cima, brincar com a instituição Expresso. Já não há respeito.
Caro Paulo, esclareça-me, o Expresso de hoje tem alguma coisa sobre a tragédia da liberalização do espaço aéreo? Tenho andado à procura de informações sobre o tema e não encontro nada.
Um abraço sulista
jcd
Caro Rui, mas que bela sugestão, uma pizza!
Caro jcd, cada presunçoso compra o diário que lhe dá jeito em função das necessidades. Pessoalmente, optava mais pelo Público até há poucos meses. Compro-o quase sempre nos dias do Inimigo Público, que é simplesmente g-e-n-i-a-l. Não me dá tanto jeito comprar o Diário de Notícias, mas o meu sogro compra-o e acabo por o ler até mais que ao Público.
Na minha opinião, o Público tem vindo a piorar, a perder a qualidade que já teve.
Quanto à tragédia da liberalização do espaço aéreo, jcd, essa era uma conversa que deixei a meio porque estava em Bruxelas aquando da troca de comentários e precisei de dar atenção a outro assunto.
Remeto-o para a leitura de John Ralston Saul (na wikipedia), The Collapse of Globalism and The Reinvention of the World (na Amazon).
Tem um capítulo onde descreve o assunto muito melhor do que eu faria.
Um abraço.
Ops… Claro que podemos (e devemos!) brincar com a instituição Expresso. Por mim, com todas as instituições (dentro das regras de educação e bom senso em uso — ou que cada um, em cada momento, achar convenientes). O “vosso” problema, enquanto “liberais”, lá no Blasfémias, é brincarem sempre para um dos lados. Não. A Sacrossanta Perfeição do Excelso Contributo Dos Nossos Doutos Empresários para a economia portuguesa não sai do pedestal.
«A Sacrossanta Perfeição do Excelso Contributo Dos Nossos Doutos Empresários para a economia portuguesa»
deve andar para aí perto dos 100% da riqueza de todos nós.
Pois aqui, no Alentejo Profundo, nao chegam nem o Expresso (completo ou imcompleto), nem o Sol - só com encomenda e no dia seguinte!
Caro jcd, eis uma questão de perspectiva. A riqueza, deduze-se, não é gerada pelos trabalhadores das empresas mas pelos seus donos. Claro. Outra vez esta conversa?!? Não!
ó pq quem é o jpq?!
às vezes passo por aqui e até me apetece fazer alguns comentários aos seus posts, mas… depois o ex.mº jpq debita umas coisas completamente descontextuadas e eu fico a ver navios… e tb depois como o pq o leva “a sério”, fico sem perceber se o que tem valor é o seu post ou se é o “coment” do tal de jpq!…
é claro que me vai dizer que td tem o seu valor e a sua perspectiva, mas, mesmo depois de ir “beber” ao Blasfémias, dá-me a impressão que este blog - aqui tt falado - reproduz-se nos comentários do seu blog mt mais que no própriamente dito.
amanhã lhe direi - tb aqui - a minha opinião sobre o descalabro da exagerada/desatinada tiragem do Sol.
cump
herc
gostei do trabalho que publicou no Expresso. acabei de o ler agora mesmo. parabéns.
em viseu, na maioria das bancas, sobrou o Sol e o Expresso vendeu o que vendia normalmente.
penso que vamos assistir, na próxima semana, à realidade das tiragens e das vendas em ambos os títulos.
hc
«A riqueza, deduze-se, não é gerada pelos trabalhadores das empresas mas pelos seus donos. Claro.»
O problema é sem empresário não há sítio para os trabalhadores criarem riqueza.
«Remeto-o para a leitura de John Ralston Saul (na wikipedia), The Collapse of Globalism and The Reinvention of the World (na Amazon).»
tenho que comprar um livro para me documentar sobre um facto tão corrente? Por favor, Paulo, estamos na época da Internet…
sempre a falar do sol…q obsessão…