Sempre que David Sifry vem com o seu relatório, multiplicam-se os aaahhhhhs de espanto. A mim não me espanta nada o crescimento do número de blogs, sendo o crescimento exponencial o ritmo deixa de fazer sentido a partir de certa altura (que já passou há que tempos). De significativo no último report, só mesmo o número de posts diários.
Já em Junho fiz aqui uma crítica (quantos somos?) às contagens. Hoje li uma análise que considero fundamental: blogosfera é uma palavra enganadora, onde João Pedro Pereira releva ideias chave deste tema, como a própria definição do que é um blogue. JPP retoma as minhas dúvidas expressas no Verão, que calei depois porque quando um burro fala os outros baixam as orelhas, dizendo: «a questão é que os blogues são apenas uma estrutura de publicação». Pois.
Da importância dos blogues e dos bloggers tem (este) JPP uma visão eu diria realisticamente desencantada, por oposição ao optimismo desenfreado típico dos analistas em causa própria ou à arrogância buliçosa dos nossos A-list bloggers que gostam de se olhar ao espelho e proclamar o “ascendente” desta espécie de ruído de fundo a que chamamos blogosfera sobre um panorama mediático decadente, a meio de uma mudança de paradigma.
O estudo, ou contra-estudo, de Nicholas Carr que JPP cita no Engrenagem, comigo a fazer aqui coro, é mais útil que o do boss da Technorati, porque pega nos dados deste e olha para eles sem a (compreensível) paixão de Sifry: «One thing struck me as I read through […] David Sifry. It wasn’t that the total number of blogs […]. Rather, it was the rapidly shrinking presence of blogs among the top media sites as ranked by Technorati. To put it in popular terms, blogs are being squeezed out of the short head and pushed ever deeper into the long tail.».
De questão em questão, aumentam as dúvidas sobre se devemos, nós bloggers, continuar tão inchados da nossa importância.
JPP conclui a sua perspectiva assim (aplausos): «claro que dizer que a blogosfera é cada vez maior (e por “maior”, entender “mais importante”) é reconfortante para todos os que não têm — mas gostariam de ter — acesso a outros meios de comunicação. É essencialmente por isso que trimestralmente os números do Technorati são recebidos como se de um grande feito se tratasse. Os números da blogosfera satisfazem, sobretudo, o ego de alguns bloggers que sentem, por suposto aumento da importância colectiva, aumentar a sua própria importância individual».

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    conve’m notar que ha’ muito mais dinheiro na long tail que na short head (e.g., apple), i.e’, quem consome da long tail paga(ra’) mais que os consumidores da short head.

  2. 2 Paulo Querido

    Hum? pedro, não estou certo que haja mais dinheiro, nem sei como o contabilizar. Há, sim, mais gente de um e outro lado: mais “consumidores” em demanda de produtos e bens que nunca teriam numa economia de escassez, e mais “produtores” que nunca chegariam com a sua oferta ao “mercado” se não fosse a web, a auto-publicação fácil (os blogues) e os motores de pesquisa.
    convém não esquecer que são estes que possibilitam a existência do mercado. Sem eles, as prateleiras ficariam sem visibilidade e os “consumidores” não saberiam onde estão os “produtos” feitos à sua medida.

  3. 3

    Isto não bate é muto certo com o seu artigo no Expresso on line, onde diz: “Entre o bruá do Vista e o divórcio de Britney Spears numa blogosfera que produz 1,3 milhões de posts diários (David Sifry)”

    A que conceito de blogosfera se reporta aqui? E o David Sifry é o mesmo que é aqui criticado?

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    o que eu quiz dizer e’ que um consumidor da long tail pagara’ mais pelo servic,o e que embora haja menos consumidores ai’, o potencial de revenue e’ maior que no outro lado.

  5. 5 Paulo Querido

    Caro Zé, só não bate certo na sua cabeça porque você insiste em achar que eu estou a atacar a blogosfera. Refiro-me à blogosfera no sentido amplo e é o mesmo David Sifry.
    Caro pfig, não tem de pagar necessariamente mais. Quanto ao potencial de revenue ser maior, é de admitir isso, mas as contas são muito complexas. Maior que o quê? Que numa hit economy onde forçosamente as margens de lucro tiveram de ser encolhidas? Sim. Maior que os lucros da hit economy? Depende do tamanho do nicho, nuns casos sim, noutros não.

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