Da hipocrisia

Conheci em tempos um sujeito que cabe na típica nomenclatura de putanheiro: casado e frequentador de raparigas um pouco por todo o lado, com prepoderância para a Duque de Loulé e arredores. Tinha o seu próprio “código moral”: não dormia fora de casa. A mulher sabia de tudo e, como milhões de outras, aguentou a situação por causa dos filhos e da dependência económica. Quando o mais novo entrou para a faculdade a mulher, que ao longo de quinze anos pacientemente construira o seu pequeno negócio de bairro, pediu o divórcio e pô-lo fora do sofá (da cama, já tinha posto anos antes).
Foi um contratempo dos diabos para o meu amigo Zé. Não ter as meias lavadas no sítio certo e a bandeja com a cerveja de futebol de sábado causaram-lhe um enorme transtorno. Nunca mais foi o mesmo.
Moral da história: sem hipocrisia uma pessoa definha.

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