Portugal e a neutralidade da Internet
publicado 7 Novembro 2006 em Geral.Nos EUA discute-se a neutralidade da Internet e em Portugal não. Em Portugal temos conteúdos exclusivos da Sapo que aprendemos a aceitar. Ou por exemplo a Vodafone querer impedir a utilização dos seus acessos à Internet para o VoIP. Ou a já velha política de certos ISPs Portugueses em distinguir tráfego nacional do internacional. (shriek, neste forum, via mail)
O autor tem toda a razão. Em Portugal nem sequer se segue o debate, quanto mais fazer o debate. E se por um acaso da sorte este acontecesse, seria como falar para uma parede. O consumidor português de Internet não tem NENHUM TIPO de poder de intervenção, nem sequer de diálogo, com os operadores. Na realidade é um pouco pior: conhecedor do país que tem, o consumidor limita-se a agradecer ao deus “mercado” a possibilidade indubitavelmente divinal de poder aceder em banda, enfim, mais ou menos larga dependendo da hora e local, ao que se vai publicando e debatendo lá fora. Disfrute da sua sorte e esteja calado.
- 1 Pingback on Nov 8th, 2006 at 16:36


Olá.
“via e-mail” significa que lhe posso enviar coisas para por aqui à borla?
Isso é que era engraçado!
– “on topic”
Distinguir tráfego não é o mais absurdo. Eu tenho Vodafone 3G e tenho 5GB de download… e 1GB de upload (wtf?!?!?!?!).
Vá lá que até ao final do ano tenho tráfego ilimitado…
Rui
«O consumidor português de Internet não tem NENHUM TIPO de poder de intervenção, nem sequer de diálogo, com os operadores.»
Não? Já fui cliente da PUUG, da Telepac, da IP, na Netcabo, da ONI, da Via Networks e da Clix. Mudei várias vezes porque a oferta era melhor. O poder dos clientes nasce da concorrência. (Só me arrependi desta última, a Clix está muito longe da Netcabo em qualidade de serviço).
Caro jcd, continuas a ser um cliente consumidor. Um indivíduo. Um exemplo, precisamente. Um exemplo do que escrevi. Perante um mau serviço, o que fazes? Mudas de operador, convencido que isso te trará benefício. Depois de passares por todos eles, escolheste aquele em que és melhor tratado por comparação.
Há efectivamente um poder na concorrência. Mas a concorrência não é suficiente para garantir um serviço de qualidade a contento de todos. A concorrência só garante o contento de um lado.
Não há empresas sem clientes - é o mantra. O contrário, até parece que é verdade. Mas não é.
Referia-me a associações de consumidores. Específicas. Há apenas as genéricas — que aliás têm feito o que podem. Vai à Deco e pergunta-lhes pelo número de queixas e reclamações de maus serviços. Olha, calo-me.
De qualquer modo, a questão da neutralidade da internet transcende largamente a realidade nacional, embora seja decisiva para a sua evolução. Dito de outro modo: o futuro da internet será aquilo que for decidido nos EUA, mas seguirá os mesmos standards em Portugal.
A questão da neutralidade da internet não é importante por causa dos consumidores, mas sim por causa dos produtores. O que está em discussão é quem é que pode oferecer conteúdos na internet e em que termos. E isso, no fundo, é o que distingue a explosão da internet que hoje conhecemos de qualquer outro media antes. E é isso mesmo que está em causa. Esta “teoria” é aprofundada neste post: http://teseeantitese.wordpress.com/2006/10/23/acerca-da-net-neurality/
Caro José Moreno, não partilho totalmente do seu ponto de vista, mas o seu texto é de grande profundidade, notável análise. Se me permite, vou puxar o seu comentário e o link para dentro do post.
Se a intervenção do cliente se limita à mudança de operador… vou ali, já venho como poder! Um cliente a menos, para os ISPs é só isso - um cliente a menos, num universo de milhares… é como perder uma moeda de cêntimo no Metro… É como votar no partido menos mau em dia de eleições; “eles” chegam ao poder e estão-se nas tintas pra quem os elegeu: governam a seu bel-prazer em função de estratégias económicas e políticas sem querer saber da vida dos cidadãos-eleitores.
São duas faces da mesma realidade: os direitos do cidadão português - escolher, pagar e não “bufar”.
É esta a “liberdade” de que gozamos hoje em dia (e viva o velho, que é melhor que nenhuma… mas liberdade é mais do que isto: poder mudar de ISP, de Governo ou de marca de peúgos…)
que e’ da fundac,a~o para a fronteira digital portuguesa?
Caro Paulo: o debate é seguido, e com direito a vídeo! [em http://weblogger.wordpress.com/2006/11/03/nao-a-internet-a-duas-velocidades/
“Ben Scott sorri como se tivesse acabado de ganhar a lotaria. Coordena o site SavetheInternet.com e é um dos principais apologistas do princípio da neutralidade da net. Este está consagrado na lei das telecomunicações, que proíbe aos fornecedores de acesso conbrar aos sites para encaminhar os seus conteúdos com maior rapidez.
Scott trava uma batalha diária com os gigantes das telecomunicações AT&T e verizon, que pretendem multiplicar os lucros criando portagens de acesso à Net. Há mais de um ano que lobistas como Mike McCurry, antigo porta-voz de Bill Clinton, eclipsam Scott e o seu exército de internautas, empresários on-line e defensores do consumidor junto do Congresso.
[…]
O debate incide sobre uma disposição obscura do capítulo II da lei das telecomunicações, que assegura a não discriminação no acesso à Net. Do telégrafo ao modem, passando pelo telefone, as vozes e ficheiros que viajam pelas linhas foram sempre tratados da mesma maneira. A lei das telecomunicações está em revisão, a primeira desde há dez anos, a fim de incluir as tecnologias actuais, como a televisão por cabo e a Internet. O debate agita o Congresso desde há um ano, mas nenhum ponto é tão controverso como a neutralidade da Net. Os operadores de rede gastariam milhões para eliminá-la, mas os internautas empataram o jogo. A guerra rebentou em 2005, quando o Supremo Tribunal modificou a classificação oficial dos fornecedores de acesso. Seguros de poderem governar a Internet com menos restrições, a AT&T, a Verizon e congéneres não esconderam a intenção de criar uma banda de passagem rápida reservada aos sites dispostos a pagar.
[…]
Para os defensores da neutralidade da Net, como Snowe, a introdução de tarifas múltiplas modificaria a Net de forma substancial. Esta foi concebida como uma “rede simples”, que não faz qualquer distinção entre os tipos de conteúdos que nela circulam. Segundo os grandes sites, como o Google ou o Yahoo!, foi esta igualdade de tratamento que deu origem à “inovação sem autorização” que, por sua vez, provocou a revolução na Net. O sistema de tarifas múltiplas vai garantir, afirmam, um quase monopólio aos operadores, que controlam hoje 98 por cento do mercado do acesso à Internet, o qual representa 20 mil milhões de dólares [16 mil milhões de contos].”
Mas nada como ir lá e ler…
Relativamente ao caso Tuga, bom… nada mais há a fazer senão ir mudando de operador… na vaga esperança de um dia acertar…
Abraço,
CT
Pergunto-me se o pacote do clix que oferece 20 ou 25 gigas de trafico por mes por um preço significativamente mais economico que o da netcabo nao sera tb uma forma de condicionar a neutralidade do acesso?
(Estava a procura de info, um destes dias instalo a slingbox para receber o panda e a sporttv no meu comp directamente de pt)