Durante anos pensei que o ciúme era capaz de levar as pessoas demasiado longe. Ao longo de décadas tive a convicção que o despeito abre a porta aos actos insanos (dos que provocam arrependimento póstumo quase invariavelmente). A inveja, membro superior desta associação de malfeitorias, é ainda mais tramada, pois que provoca cegueira, e as suas consequências, em gíria basfond, levam um gajo à cana sem saber ler nem escrever.
Mas nunca achei, e continuo a não achar, que esses fossem sentimentos que levassem um homem à maldade ou a maldade ao homem.
O que eu não sabia, hoje sei. A vaidade é maldosa e em casos doentios insuperável. Há homens que nada têm senão a sua vaidade, ao ponto de nem alguma eventual obra lhe sobreviver. A vaidade como um dos estados terminais da miséria humana, um estado que aniquila qualquer ressonância de bom existente na palavra orgulho, eis um pensamento sem o qual eu gostaria de ter continuado a viver.


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