Um dia, um blogger será raptado?
publicado 19 Janeiro 2007 em Geral.Leio que a jornalista portuguesa Rute Monteiro está desaparecida no Líbano, provavelmente raptada quando se encontrava em serviço de reportagem. Infelizmente, um jornalista raptado já só é notícia no blogue de outro jornalista, no caso Olavo Aragão (C.P. 10.723) no Freelance.
O Olavo — que tive o privilégio de conhecer pessoalmente numa reportagem em Londres, há dois anos, eu para o Expresso, ele para uma revista cearense (viveu no Brasil) cujo nome já não me recordo — preocupou-se em relevar um assunto que caiu inexplicavelmente no esquecimento e cita o blogue árabe Lâ Tadhad (”Não Partas!”), que deu notícia do assunto no mês passado.
A blogosfera, que tanto e tanto se preocupa com os erros dos jornalistas, não poderia também preocupar-se com a saúde deles e as condições de trabalho? Será preciso que um dia, um blogger seja raptado, para chamar a atenção para este problema? Conhecem as estatísticas? 2006 foi o pior ano para os jornalistas desde 1994. 81 mortos, 871 prisioneiros, 1472 atacados ou ameaçados e 56 raptados — um dos quais penso ser a portuguesa Rute Monteiro (cf. Press Freedom Round-up 2006, RSF).
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- 2 Pingback on Jan 21st, 2007 at 0:38
- 3 Pingback on Jan 21st, 2007 at 22:00


E verdade que esta história é uma “promoção” a um livro?.Obrigado.
senhor re21, decida por si próprio:
http://blogservatorio.info/sobre/Olavo+Arag%E3o
http://blogservatorio.info/sobre/Rute+Monteiro
Paulo - e o desaparecimento desta jornalista foi noticiado em que meios de comunicação? Na TV? No Público? No Expresso? Na Antena1? Vamos lá, Paulo, tanto sectarismo não te fica bem.
Desconfio que não me precipito quando deduzo que é mesmo disto que estamos a precisar: de “credibilizar” a blogoesfera com golpes publicitários. Particularmente quando há por aí um caso bem real envolvendo uma criança os seus país e um casal que a adoptou a dar provas de como o mau jornalismo tão facilmente promove o linchamento dos justos.
Péssimo timming, péssimo.
Só mais um detalhe para quem ainda esteja na dúvida, a acreditar na Comissão da Carteira profissional não há nenhum Olavo Aragão a presticar josrnalismo (e muito menos com a C.P. 1228) Basta er aqui http://www.ccpj.pt/jornalistas/cpj_o.asp.
Ao menos o Paulo deixou o gato escondido com o rabo de fora, mas não quero imaginar a reacção de quem cavalgar a onda quando der pelo embuste… Não havia necessidade…
a jornalista 1228 é a célebre Rosa Veloso.
Caro nikonman, sectarismo? Onde? Porque me perguntas a mim se foi noticiado? Perguntaste a algum dos outros 50 blogues onde se escreve sobre este caso? Já te ocorreu perguntar porque é que só eu e o Olavo(!) fomos atacados nalguns blogues?
Caro Rui, há uma cruzada da credibilização da blogosfera? Não sabia! Vou pensar se hei-de inscrever-me num movimento tão minoritário…
Quanto ao site da CCPJ: eu estive vários meses sem constar na lista, depois de ter validado a minha carteira.
Quanto às pistas: não li todos, mas no Indústrias Culturais o Rogério Santos também deixa, e explícita (as minhas não são explícitas), uma pista.
Caro Filinto, eu devia ter sido mais cuidadoso na escolha do número. Foi o 1228 por razões pessoais, ver http://pauloquerido.net/2006/12/no_primeiro_milhar , mas uma vez que está tomado por alguém que não conheço, o mínimo que posso fazer agora é pedir desculpa e emendar o número no post.
Eu tb acho que esta notícia é tanga! Não existe nenhuma notícia sobre qq Rute Monteiro raptada. Não existe nenhum dado sobre qq Rute Monteiro jornalista.
Como é q se dá tamanha credibilidade a 1 post de um blog que existe há 1 semana, que cita 1 blog árabe que tem 6 ou 7 post e que o ultimo é esse sobre a jornalista (de 3Dez06), que cita ouro blog inexistente…
E referem-se n blogs com mais sobre a noticia qd todos citam o mesmo!!!
Acreditas verdadeiramente que não há externalidade negativas deste episódio para todos os que por aqui fazem da sua credibilidade a única justificação para dar opinião e ser lidos?
O Páulo, não sejamos ingénuos. É o desporto favorito de muita gente descredibilizar a blogoesfera e os que por cá escrevem, particularmente jornalistas, os supostos visados da má lingua que enforma este happening. “Os sacanas nem sabem que há uma jornalista raptada”
O que é que ganhamos com este tipo de brincadeiras (além de ajudarmos um gajo porreiro a vender o seu romance). A pergunta está mal feita: além de ajudarmos um gajo porreiro a vender o seu livro será que não vendemos um bocadinho da nossa alma ao diabo?
Eu confesso que se tivesse sido enganado pelo engodo estaria danado porque teria chamado uns nomes feios aos jornalistas, imputando-lhes culpas sobre um facto que não existe. Pelo menos eu não gosto de lançar falsas acusações, particularmente aos jornalistas que já são alvos qb…
Posto isto, se eu critico este tipo de atitudes (ou outras com consequências similares) aos jornalistas que leio, não poderia deixar de criticar duramente esta brincadeira com três agravantes:
- alguns dos “actores” são bloggers que me habituei a considerar credíveis e muitos mentiram deliberadamente,
- o engano foi intencional.
Por isso e por ter a minha cruzada pessoal (para usar a tua expressão) por ser tido como alguém que valoriza a sua credibilidade.
Simples, não?
como simpatizante da PETA e habitualmente muito interessado com o que se passa em Espanha, é natural que conheça a Rosa Veloso, o nome, a jornalista, a correspondente da RTP em Madrid. Falando a sério, creio que, como outro(s), esta “cosa” não beneficia nem a blogosfera nem o jornalismo e, se percebi bem, nem os seus promotores.
Caro Rui,
respondendo à tua primeira pergunta, a mim não me importam as \”externalidades negativas\”. Se me importassem não teria feito este texto, ou não o teria assumido depois.
Há externalidades negativas SEMPRE e NO MATTER WHAT. Lê os comentários ao meu post sobre o iPhone e lê amanhã um post meu no Expresso com a carta de um leitor e a minha resposta (também sobre o iPhone). E aí faço jornalismo: no suplemento de Economia fiz uma análise breve e amanhã no blogue 2.0 farei opinião enquadrada num meio de comunicação social.
Rui, que fique bem claro: eu não faço jornalismo neste espaço. Nunca fiz, sempre assumi que era um espaço pessoal a partir de certa altura com objectivos mais sérios de publicação - mas nunca jornalismo. Logo, para mim não faz sentido o tipo de críticas que me têm feito enquanto jornalista neste assunto. Eu não escrevi nada sobre este assunto como jornalista e não penso fazê-lo. Avalia a minha credibilidade como blogger, como autor, como pessoa, avalia-me AQUI.
Ao contrário de ti, considero perfeitamente irrelevante para as vendas do novo romance do Luis Carmelo (e de qualquer outra obra sua) o que se diz na blogosfera (disso mesmo dei nota ao Carmelo em mail recente).
Se o que se escreve na blogosfera contasse para vender (ou não vender) livros, muitos mais livros tinham sido vendidos. E tal não se verificou.
A relação da blogosfera com a cultura fora dela é verificável por exemplo no facto de em alguns meses mais blogues terem escrito posts a anunciar o É a Cultura, Estúpido! do que pessoas se deslocaram ao São Luiz. De facto isto aconteceu TODAS AS VEZES que eu lá fui.
Daqui decorrem duas leituras curiosas. Primeira, participar na promoção do É a Cultura, Estúpido! é bem visto e, quiçá, aplaudido, enquanto participar na promoção de um romance o não é. Segunda, há pessoas que promovem um acontecimento ao qual não têm o hábito de ir (e algumas acredito que nunca foram).
Quem diz o É a Cultura, Estúpido! diz outras coisas, entre as quais o Gato Fedorento ou O Meu Pipi.
Julgo que o debate em curso, se for aprofundado, vai ser MUITO, mas mesmo MUITO elucidativo sobre a blogosfera portuguesa e a forma como as diversas peças que a compõem se (não) relacionam entre si, quais os objectivos e (evocando uma pergunta de Luís Carmelo, por acaso) o grau de liberdade, ou de submissão, com que escrevem.
A mim, não me surpreende.
Há um aspecto sobre esta história, Rui, que a afasta de outras que citas e que, na minha humilde opinião, arruma a questão da credibilidade. A seu tempo direi qual. Até lá, um abraço.
Eh pá, mas eu em nenhum momento me quero referir à credibilidade de ti como jornalista só e apenas como blogger (que também a tens como bem sabes).
Quando se mexe com a confiança das pessoas, por muito bem intencionado que seja a inciativa provocas sempre danos irreparáveis. É assim na vida pessoal mais íntima e tenho cá as minhas desconfiança que também será assim no resto dos relacionamentos humanos e particularmente num meio em que a confiança, a palavra é tudo - não podes suspender essa prática para respeitares a agenda/calendário de um amigo sem correres esse risco (que obviamente és livre de correr).
Por isso é que no matter what isto tudo é, desde já, profundamente… mau.
Ex.mo Senhor,
Gostaria, caso não lhe fosse incómodo, que respondesse à minha curiosidade
1. Participou nesta campanha de marketing do novo livro do escritor Luís Carmelo sem saber que o estava a fazer?
2. Participou nesta campanha de marketing do novo livro do escritor Luís Carmelo sabendo que o estava a fazer?
4. Como entende que gere o aproveitamento deste seu espaço, onde publica regularmente as suas matérias jornalísticas, com as questões de deontologia inerentes à sua profissão?
Muito obrigado
João Paulo Torres
Quinta da Beloura
R. Centro Empresarial,
Edifício 24
2710-444 Sintra
Portugal
Caro senhor João Paulo Torres, agradeço a sua atenção ao meu blogue e o cuidado que coloca na leitura. Reservo as respostas às duas primeiras questões para a altura que considerar devida, pedindo-lhe a sua compreensão como meu leitor.
Posso desde já responder à terceira, que identifica com o número 4. Eu giro como entendo e com objectivos pessoais este espaço que tem o meu nome no endereço e onde, ao contrário do que subentende a sua pergunta, não publico regular (ou irregularmente) matérias jornalísticas, não exercendo neste espaço a minha profissão. Neste espaço não estou obrigado ao código deontológico que rege a minha profissão. Embora não exclua que haja motivações deontológicas tão entranhadas em mim que por vezes o meu discurso possa ter reservas ou cautelas.
É uma questão muito interessante, a que coloca.
Caro “Luis Guilherme”, ou deverei dizer “Zeca”, vai precisar de mais que um troca de falsos nomes para me iludir.
Para quem tem tão bem defendido a credibilidade da blogoesfera, esta sua aventura e do seu colega Luís é uma desilusão.Afinal são tudo aquilo que você tem combatido, lixo.
Caro Paulo.
Este seu artigo está a supor automaticamente que apenas jornalistas escrevem de e para a blogoesfera.
Esquece-se, portanto, dos outros todos como eu.
Em relação à notícia, concordo que os blogs sejam uma forma de divulgação das coisas, mas por vezes começa a massar ver sempre a mesma coisa.
Rui
Caro Npessoa, o lixo é uma questão de perspectiva. Obrigado de qualquer forma pela sua opinião.
Caro Rui Cruz, não me esqueci de ninguém porque não referi alguém em concreto. A blogosfera é GRANDE e COMPLEXA - e isto a melhor síntese que me ocorre fazer sobre a respectiva composição.
Caro “Luis Guilherme”, ou deverei dizer “Zeca”, não aprendeu ainda a ler?