A rede de blogs ou como NÃO escrever um post
publicado 2 Fevereiro 2007 em Geral.O Carlos Andrade descobriu hoje a pólvora. Ou terá sido a roda? Hum… acho que descobriu que foi o último a descobrir — e isso irritou-o. Mas o que eu acho é irrelevante ao lado do que ele acha.
Que Carlos Andrade se irrite, é lá com ele. Que fique com uma dor de cotovelo tão grande, mas tão grande que escreve um post totalmente cego, é algo que apela à nossa piedade. Piedade, porque o Carlos Andrade como técnico competente e dos raros com trabalho apresentado, tem direito a um momento mau.
Como não me perguntou nada, não vou responder-lhe, e muito menos confirmar ou desmentir as afirmações dele. O que lamento é mais um exercício do que podemos esperar do tal de “jornalismo do cidadão”: um post que tece umas considerações e apresenta umas conclusões com base na intepretação do que o Carlos julga serem os factos, ficando todo contente com as deduções que fez.
Carlos diz que esperava um anúncio. E depois “viu” num post meu o anúncio, mas não era o anúncio que ele esperava. (Valerá a pena dizer-vos que não fiz o anúncio que Carlos leu?)
Carlos recorda que em Setembro eu colocara um anúncio (esse sim, eu escrevi) a pedir bloggers. Pensou, mas como nunca mais teve “novidades…” (respeitáveis reticências dele).
Carlos visitou o Naweb2 e “rapidamente percebeu” que o autor é o Ricardo, assim como quem faz uma descoberta sherloquiana entre o café e o bagaço. Quando tudo o que é necessário é saber ler e consultar a página sobre, com link bem visível no cabeçalho e disponível em qualquer página do blogue. Normal mais normal não há.
Normal — é o que o Carlos acha de se montar um rede de blogues. Ainda bem (para ele). Deu-se até ao trabalho de informar os leitores dele ter descoberto graças aos seus enormes talentos para fazer um whois que eu sou o mentor dessa rede (elementar, meu caro Watson), como se eu fosse o único capaz de montar uma rede.
Carlos juntou estas peças todas e conclui que eu formei uma rede de blogues. Muito bem. Dá-se até ao luxo (isto um gajo como o Carlos sabe imenso destas coisas, ‘tão a ver) de afirmar que eu pretendo “replicar o que Jason Calacanis fez” e estou “a criar uma rede de blogs á semelhança da Weblogs, Inc.”.
Devo repetir nesta altura que Carlos não me perguntou nada; o que ele diz sobre o que eu estou a fazer e como, é uma afirmação que só o vincula a ele. Leiam-no por vossa conta e risco.
Ele até acha que “faz sentido”, o que é espantoso. O Carlos Andrade é pessoa tecno-letrada o suficiente para saber um pouco mais que isto. Suspeito, portanto, que não quer abrir o jogo todo com os leitores dele. Ele lá sabe porquê.
Depois, vêm as “acusações”. O Carlos Andrade acusa-me (!) de ter “omitido a verdade”. Não explica que verdade, nem que razão ou direito me vincula à respectiva divulgação. O que o Carlos Andrade “explica” é isto:
1. eu “referi discretamente” (primeiro crime) dois “novos” blogues (aspas dele prefigurando o meu segundo crime: os blogues não são novos, começaram, imagine-se, em 3 de dezembro do ano passado, são antiquérrimos!), que “por esquecimento” (aspas dele, citando-me) não faziam ainda parte da minha blogroll;
2. o terceiro crime é que tudo isto (eu ter-me “esquecido” de colocar dois blogues “novos” na minha blogroll) é uma “grande treta, para não dizer outra coisa”, pois sou eu a principal parte interessada. Jurisprudência! Jurisprudência! A partir de agora, as partes interessadas não podem ter links para os blogues em que são partes interessadas, a menos que façam declaração de interesse prévia! Ó Carlos, vai exigir também assinatura reconhecida? Olhe o Simplex, homem!
Se Carlos fosse realmente bom, teria verificado os restantes links da minha blogroll. Recomendo-lhe que o faça.
A seguir, Carlos Andrade mete-se por onde não deve. Faz afirmações gratuitas, umas, e falsas, outras. Como não me perguntou nada presumo que não quer saber, pelo que não me incomodarei a explicar which is which.
Termina metendo os pés pelas mãos, provando que o dia lhe estava mesmo a correr mal. Se calhar é só ele, mas “no mínimo, falta um grande disclaimer com explicação anexada”. Não se percebe o que Carlos quer: que eu, o presumido autor desta série de crimes e ilegalidades, explique tim tim por tim tim o que estou a fazer? Lhe explique (com desenhos, se for preciso), ou que explique à saciedade? Faça uma declaração prévia sobre as actividades que pretenda prosseguir nas próximas semanas, meses, quiçá anos?
E chegámos ao grand finale, um pouco baralhado mas os leitores dele não notarão (afinal, trata-se de dar porrada no Paulo Querido, o que é gáudio garantido para uma certa rapaziada que paga bilhete para assistir). Pergunta Carlos: “será mais vantajoso passar estes blogs e outros como amadores do que pertencentes a uma rede de blogs remunerados?” A resposta, triunfal, não se faz esperar: “quer dizer, se é, agora deixou de ser, mas por outro lado também ganha uns hits daqui. ;)”
Pergunta: o Carlos ganha a medalha por ter “exposto” ou “revelado” o TSdPQ, Terceiro Segredo do Paulo Querido? Peeeemp, wrong. Já se mencionou antes e por mais de uma vez, na blogosfera, a rede tratada no post do Karlus Andrade e até a sua designação, TubarãoEsquilo. Eu próprio, neste meu espaço, no dia 29, fiz uma dupla alusão, com link.
Pergunta: o que vai na cabeça de uma pessoa que começa por dizer que faz sentido criar uma rede, explorá-la comercialmente e dividir as receitas, em seguida afirma ser irrelevante tornar ou não pública essa informação, depois acusa de pregar uma “grande treta” e de “omissão da verdade” a pessoa que decide apontar como mentora baseada em pistas e sem confirmar nada (*), porque essa pessoa não “anunciou” ou “anunciou de uma maneira que de todo não esperava” e acaba a tergiversar sobre se os blogues são amadores ou deixam de o ser, e se devem ou não ser apresentados como tal ou espera, talvez não, quem sabe?
(*) Serei eu o mentor? Ou apenas um testa-de-ferro? Veja lá. Serei eu sozinho? Ou apenas a ponta visível de uma grande organização multinacional? Verificou quantos domínios foram criados por mim? Terá ideia de que são para cima de uma centena? Será que pertencem todos à rede? E os outros links da minha blogroll, são todos meus? Ou vou comprá-los? Terei interesses em mais alguns? Em Espanha? Brasil? Ou (esta é muito karlus) estenderei as minhas actividades por redes de blogues também sob disfarce? Afinal, quem é o Paulo Querido e quantas redes de blogues explora ele, hein?!? Vamos lá a saber!
- 1 Pingback on Mar 28th, 2007 at 20:39


Impressionate, mas já esperava uma respostas destas a baralhar tudo. É típica, trademark…

Eu não o vejo é a desmentir a aldrabisse que tentou pregar aos seus leitores. Basta ler o seu post original, nem preciso de grandes textos líricos como este seu a não explicar nada. Mas enfim, o ataque é a melhor defesa. O Paulo está cheio de razão.
Ainda por cima pelos vistos não é a primeira vez nem nada.
Carlos, eu não lhe respondi. Quanto à sua acusação de aldrabice: qual aldrabice? Elogiar e linkar pessoas que admiro ao ponto de ter convidado para projectos comuns é uma aldrabice? Ok, começo a percebê-lo melhor.
Ir repescar esse assunto (façam os leitores o favor de seguir o link primeira vez) é revelador da falta de argumentação que tantas vezes o caracteriza. Se quiser fazer o obséquio, pode responder a uma perngunta que lhe coloquei no seu post? Obrigado.
nitidamente andam por aki campos de trabalho completamente antagónicos, mas sem agressividade claro, nós é que sabemos escrever posts cegos, vendados e atados, se tiverem curiosidade:
http://www.motoratasdemarte.blogspot.com
Só para não ser acusado de favoritismo… Os meus comentários quanto a este caso estão em http://blog.karlus.net/archives/2007/02/01/1644/#comments
Cumprimentos.
Caro Francisco Tomé Costa, tenho a certeza que todos os meus leitores menos um não lhe fariam acusação alguma. E eu muito menos. Comente onde quiser, como quiser, é o seu direito. Cumps.
“O queijo limiano tem um aspecto tosco porque é embrulhado à mão.”
Mas que o plástico transparente que o embrulha nada esconde ninguém o nega…
Já repararam que os bogues da rede não tem um único link para outros blogues/sites que não os da rede …
Enfim, a ditadura do Page Rank.
Caro Psy, é mentira. É completa mentira. Porque vem aqui fazer uma afirmação falsa, como se pode comprovar visitando qualquer um dos blogues? Qual é o seu intuito? Ou é apenas estupidez?
Caro Paulo Querido, não me diga que tem algo contra o Citizen Journalism??? “O que lamento é mais um exercício do que podemos esperar do tal de “jornalismo do cidadão””. Já lhe deixei um conselho onde achei que o devia deixar mas de qualquer forma gostaria de reforçar com um categorico “shame on you Mr.Paulo” caso assim seja… Enfim. Parece-me ser o pais que temos…
Caro Pedro Rebelo, tenho efectivamente muito contra o citizen journalism. Se você acha que isso é de ter vergonha, o mínimo que posso dizer-lhe é: a sua é uma opinião deformada à partida, pelo que não vejo vantagem em continuar consigo a conversa sobre as vantagens e as desvantagens, os aspectos positivos e os aspectos negativos do citizen journalism.
Sim: o país que temos é um país onde se afirma categoricamente shame on you, mr qq coisa, quando o mr qq coisa escreve algo com que não concordamos.
Uppppssss. Ou muito me engano ou foi o Paulo Querido quem apelou ao Jornalismo do Cidadão há uns tempos atrás… Que fique bem claro ok? Mudou de ideias? A internet tem destas coisas meu caro: cá se escrevem, cá se pagam. Por favor não torne isto numa querela pessoal afirmando uma qualquer deformação na minha opinião quando não a conheçe. Eu pelo contrário, conheço a sua pois foi o Paulo, tal como atrás referi, que ainda não há muito tempo queria o Jornalismo do Cidadão. Dava-lhe jeito na altura? Então admita-o.
Caro Pedro: o único apelo que faço é ao bom senso.
Sigo com atenção o jornalismo do cidadão, lendo o que posso sobre o assunto, participando nas experiências que me parecem promissoras — até ajudei a fazer um digg à portuguesa. Tenho sido um early adopter de muita tecnologia e também fui dessa.
Tal não significa um compromisso meu com o endeusamento do citizen journalism, como parece ser o seu caso (digo “parece” porque, e tem razão aí, eu NÃO CONHEÇO a sua opinião nem isso é relevante para si, pois já vai no terceiro texto, que eu saiba, sem a ter revelado.)
As experiências permitem-nos hoje avaliar melhor o significado e o impacto dessa forma de publicar. E eu tenho hoje críticas que não tinha há um ano, e argumentos para o debate sobre a cidadania através dos media.
Você não pretende saber nada disto. Está apenas interessado no “sangue”. Deleita-se de prazer por ver alguém atacar-me e rebola de gozo por eu lhe responder. Já vê nisso uma hipótese de querela pessoal — o que é uma coroa de glória para si. Muito bem.
Paulo, dispenso de bom grado o sangue. Digo-lhe desde já que cabidela não é nem nunca foi parte da minha ementa. Garanto-lhe também que nada tem que ver com o facto de alguem o atacar. Não conheço a pessoa em questão de outra forma que aquela como o conheço a si independentemente de seguir os seus textos e trabalhos há muito mais tempo. É precisamente por isso que estranhei a sua expressão. Leio as suas palavras de há 7 meses atrás e penso no que o terá feito mudar de opinião… Estou certo que reparou que não me meti nos vossos argumentos. É verdade. Não expressei aqui a minha opinião sobre o Citizen Journalism pois não era esse o tema do seu post. Limitei-me a comentar e por acaso de forma fundamentada, uma expressão sua que, continuo a pensar, não foi muito feliz não só pelo conteúdo e sentido da mesma mas pela coerência de argumentos que esperava da sua parte.
Não é uma querela pessoal e glórias para mim, garanto-lhe, estão por demais longe de serem obtidas por aqui.