“Weblogues”? É no Blogspot!
publicado 27 Fevereiro 2007 em Geral.Duas páginas sobre, hum, “weblogues” (um termo híbrido que ninguém usa excepto o tradutor do livro de Rebecca Blood, publicado há três anos) no Diário de Notícias: Blogosfera e jornalismo devem complementar-se. Peças um tanto óbvias, para quem está por dentro, um pouco menos óbvias para quem ainda nada saiba sobre esta parte do mundo.
Admito que a blogosfera seja notícia e, ao contrário da maioria dos bloggers que gostam de colocar uma pose de velhos estadistas, nada tenho contra, bem pelo contrário, estas peças de entrada, de bê-á-bá, sobre o meio; todos os dias há novatos, todos os dias há gente que não sabe e procura saber e este nível é bom para elas compreenderem o que está a acontecer por aqui. O que me desagrada são as vistas estreitas e os antolhos.
Nem vou comentar as duas ou três tiradas incompreensíveis (e enigmáticas para quem está de fora), ou extemporâneas, de alguns dos ouvidos, e a referência velha de três anos a três dos primeiros livros saídos de blogues (são mais de uma vintena os blooks recenseados na única lista que se conhece em Portugal, esta, e vários deles tiveram mais sucesso que os citados, tirando o best-best-seller Pipi).
Guardo-me para isto: a peça portuguesa peca por confundir, como é hábito e costume em Portugal, a blogosfera com o Blogspot.
Está para além da minha limitada imaginação a importância jornalística que justifica mencionar como “favorito” o blogue menos interessante da actualidade, o Gato Fedorento, que nos últimos quatro meses tem três posts (todos em Fevereiro, nenhum na tradição dos Gatos, antes respondendo a uma infelicidade qualquer escrita por aí).
Mas pior, e risível, é a indicação do blogue de António Granado: http://pontomedia.blogspot.com. Porque escolheu a autora, Ana Pago, que até falou com António Granado, meter este endereço, que ninguém usa (não há um único link para ele no Google e o Granado defendeu, e bem, o endereço há que tempos mas nem ele o usa), quando toda a gente sabe que o Ponto Media está em http://ciberjornalismo.com/pontomedia? Deduz-se que a própria Ana Pago terá ido a http://ciberjornalismo.com/pontomedia, pois que do blogue refere ser um favorito em Portugal. (Claro que é, além de um dos mais antigos, prestigiados e dos raros com um PageRank de 6/10, o que está aqui em causa não é a escolha, justa, mas a atribuição de morada errada sem outra justificação além da confusão da autora entre blogosfera e Blogspot.)
Digam-me que estou errado e que não, não se está, por omissão, distracção ou mau aconselhamento, a reduzir a blogosfera portuguesa ao editor do Google. Digam-me que não estamos perante uma secundarização do papel do Sapo e do Blog.pt, bem como do weblog.com.pt, que ainda mexe (more on this one soon) — além do número crescente de blogues em endereços próprios, sobretudo entre a geração de recém-licenciados em Comunicação Social e nos cursos tecnológicos. (Basta, aliás, olhar para a caixa ao lado, dos favoritos na América, em que os três blogues referidos têm todos o seu próprio endereço.)


ja ha eternidades lhe disse isso - nao deveria haver “cursos para correspondencia” (ou “de formacao”) para bloguistas? eh que ha tipos que nem sabem o que eh um page rank e andam nisto…quanto mais enderecos proprios e outras maravilhas
Oh, os page ranks são de outro campeonato
Já os endereços próprios podem estar ao alcance de todos, mas implica gastos (poucos é certo), e mais trabalho e alojar um blogue próprio também. Há quem não queira ter essas penas (e até eu gostava de conseguir ser assim) e só queira um blogue pronto a editar.
Mas concordo que é terrívelmente redutor só falar no blogspot!
Mesmo em 2001, quando considerei a hipótese de criar um blogue fartei-me de procurar alternativas.
Caro jpt, você não sabe, não sabe — mas já vai na terceira plataforma. Ensine então aos jornalistas que a blogosfera é (muito) maior que a rua do Blogspot. Só isso.
Caro Mário, a questão é mesmo: é terrivelmente redutor só falar no Blogspot. É uma plataforma popular (com tudo o que de bom e de mau a palavra implica) e faz-me lembrar o McDonalds: quano chegou a Portugal era um “restaurante” para as classes média e média alta, coisa fina (lembro-me bem do corropio ao lado do Galeto, no primeiro franchise cá), mesmo que no resto do mundo fosse um spot popularucho, de ambiente duvidoso (nos EUA é mesmo um sítio muito low level).
Ora aqui está mais um exemplo… E o pais está, infelizmente, cheio deles… Ora, assim se bem me lembro… Pacheco Pereira e o seu Abrupto… Ai está mais um utilizador do termo blogue… Não fala em weblogues mas fala em blogues… Que raio? E o pior é que a comunidade que escreve sobre a blogesfera nacional é quase unanime a referir o “blogue” do camarada Pereira como ponto de referência…
nao me digam que nao e fino ter um blog no blogspot. tenho ja que mudar de poiso, que pelintrice a minha