Histórias com Atlântico de permeio

O António Martins Neves é jornalista da Lusa. O Fernando Peixeiro também é jornalista, está destacado em Cabo Verde. Os dois trocam correspondência. Com o Atlântico de permeio nas saudades, vão contando um ao outro histórias das cidades que não são as suas mas onde vivem por força da profissão, Lisboa e Cidade da Praia.
A dada altura, o António e o Fernando decidiram partilhar connosco a sua correspondência. O resultado é um blogue refrescante: Atlântico Expresso.
As leituras escorregam ligeirinhas como o fresco da Primavera. Eu, entretido com a parafernália técnica do Atlântico Expresso, vou lendo de soslaio. Mas hoje uma prosa do António estacou-me a atenção. Um americano no Alentejo relata uma historieta muito engraçada, que não vou aqui desvendar (vão ler, merece) mas que tem uma relação comigo. Aliás, duas. Bastou ler para me transportar imediatamente para o ambiente das minas alentejanas, um cenário que me fascinou numa altura em que andava de Yashica ao peito. A luz, eu vinha do Algarve na VFR e fazia um desvio para ir fotografar aquela luz. Parava duas horas ali, no meio do nada com a erva a ondular e o metal retorcido a contar os outros tempos ao oxigénio que o consome. Um quadro fantástico de arqueologia industrial, um dos meus fascínios.
A outra é de ternura pela coincidência. O episódio aconteceu ao António quando ele estagiava no Diário Popular, que foi onde o conheci.
Há mais coisas que fazem a trabalheira da TubarãoEsquilo valer a pena, claro, mas por via dela reencontrar o António (agora de prosa madura, um senhor) foi bom.

  1. 1 Mª Antónia Borges

    Agradeço a sua recomendação de leitura já que a historieta é engraçada. Uma delícia refrescante sem pretensões ou palavreado caro em grego ou latim. Um blogue que é uma verdadeira revelação. E, já agora, deixe-me que elogie a sua prosa também que é excelente! Gosto muito de o ler e deixe-me que lhe diga que prosa madura exige vida que é o que a maioria das pessoas nesta blogosfera não tem! Só têm invejas e dores de cotovelo que expõem sem pudor e mesmo que o seu blogue não tenha quem o comente em abundância o que significa que a sua prosa incomoda muita gente que não o lê, até isso revela a invejazinha portuguesa. Só para dizer mal é que as pessoas aparecem. Quando é para elogiar… desaparecem.

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