Audiências dos blogues: a importância dos arquivos
publicado 29 Maio 2007 em Jornalismo online.Várias vezes expliquei porque é que um blogue que não é actualizado tem leitores. Quando tinha responsabilidades no weblog.com.pt, onde desenvolvi o Blogómetro, não faltou quem me acusasse de ajustar os factos às teorias (uma originalidade). Ora, já não tenho acesso ao Blogómetro há mais de um ano e o assunto de que eu falava tem mantido, quando não ganho, a sua importância. O tempo comprovou não apenas os factos, como a maioria das minhas interpretações. Talvez agora já a blogosfera possa aceitar com tranquilidade que eu escreva sobre alguns aspectos da audiência na web.
As audiências dos blogues (e de qualquer website, incluindo os websites dos jornais) obedecem a regras diferentes do que se passa com os meios de comunicação tradicionais.
Uma peça de telejornal ou jornal radiofónico “apaga-se” para a audiência ao fim de instantes; num jornal uma notícia dura um dia, num um semanário dois ou três e numa revista pode aguentar-se um pouco mais. Depois, o meio desaparece no éter, no lixo, no sótão e recuperar a sua informação (numa investigação, num trabalho universitário, etc) é uma actividade demorada e que envolve meios em profusão e relativamente caros.
Contudo, as mesmas peças e notícias, as mesmíssimas, desde que publicadas no website do respectivo título, não se apagam: permanecem para quem as queira ler. É muito barato encontrá-las. Muitas vezes encontram-se no primeiro resultado da “pergunta” feita ao Google, noutras é preciso um minuto ou dois para refinar o campo de pesquisa.
Mas encontram-se.
A pesquisa tem uma importância capital nas audiências online. Esta publicação pessoal, por exemplo, tem entre 55 e 60 por cento dos seus leitores “enviados” a partir de motores de pesquisa. Já um blogue como o Economia & Finanças tem uma percentagem maior, acima dos dois terços. No entanto existem blogues de leitura directa: os seus arquivos respondem por menos de duas em cada 10 visitas; mas o propósito do texto que publico no Expresso online não é aprofundar as diferenças: é sublinhar a importância dos arquivos nas audiências online.
Excertos de a teia onde tudo está gravado e ao alcance num instante
«Na web a informação está toda à mesma distância e encontrá-la não depende de uma montra nem de uma primeira página: depende de a procurarmos ou não».
«Alguns preconceitos com que a maioria das pessoas chega à Internet são errados e conduzem a grandes disparates, tanto de comportamento como de afirmações. Um deles diz-nos que na web se vive exclusivamente o instante, o imediato. […]
Uma forma directa de ilustrar o quanto errado ele é consiste em apreciar o gráfico que reproduzo abaixo [no original], relativo às audiências do blogue Gato Fedorento ao longo dos últimos 12 meses.
No geral o que nos diz este gráfico?
Diz-nos que um blogue (um website, um forum, qualquer conjunto de páginas) atrai visitantes e tem leitura mesmo que não seja actualizado. A última vez que o blogue foi actualizado foi em Março, e foi-no muito irregularmente nos últimos dois anos, com uma média inferior a um post por mês. Este ano, por exemplo, os gatos publicaram somente três posts, todos na mesma semana de Fevereiro.
Apesar disso, no mês de Maio o blogue teve mais novos visitantes que em Junho do ano passado!
De onde surgiram então tantos leitores? E porque vêm eles, se o blogue não é actualizado?
Respostas em: a teia onde tudo está gravado e ao alcance num instante.
- 1 Pingback on Mai 29th, 2007 at 19:21
- 2 Pingback on Jun 2nd, 2007 at 16:11


Olá Paulo,
concordo na generalidade com tudo o que disseste, mas há um argumento na tua exposição que é falacioso. Estás a dar o exemplo do Gato Fedorento que não vive apenas dos arquivos, mas sim da popularidade dos Gatos nos outros meios, principalmente a televisão.
Se seis meses depois da última actualização, o interesse provocado pela actualização do meio TV for suficientemente grande é normal que traga mais visitantes.
Se reparares na origem dos visitantes, vês que uma grande parte deles é proveniente do site da RTP que tem o link para o blog em grande destaque.
Mas sim, seja qual for a proveniência dos visitantes, um blog arquivado continua a gerar tráfego e a trazer visitantes.
Já agora uma nota: A frase ” Quero seguir os comentários subsequentes, enviem-nos para o e-mail que indico” está a branco e não visível
Caro Sérgio, obrigado pela dica sobre a frase!
Incrível, não dei por isso.
A escolha do Gato Fedorento foi, como disse, escrevi, algo acidental, surgindo-me a ideia quando colectava material para outra peça. Mas é a escolha acertada. Repara, se eu desse como exemplo outro blogue o artigo despertaria menos interesse. Ou ficaria no circuito fechado dos bloggers, e eu no Expresso tento interessar outros leitores.
Sendo verdade que os gatos têm uma grande dose de popularidade, não o é menos que já a tinham na web ANTES da televisão. Em 2004 e 2005 estavam no top 100 do Technorati e ainda têm uma das maiores quantidades de links. Esses links fornecem grande parte da audiência, talvez a par do Google. Verifica no Sitemeter os referrers e confere a quantidade de tráfego que vai de pesquisas no Google por “gato fedorento” ou até “gato” (esta deixou-me de cara à banda).
Vem tráfego da RTP, right, mas a RTP é recente na vida dos gatos, também na hiperligação a partir do site. Em 2006 não houve tráfego vindo da RTP…
Penso que tens razão num ponto: a manutenção da popularidade fora da web ajuda a que a curva de crecimento negativo seja mais suave. Não testei nem tenho dados, mas empiricamente acho normal que o decréscimo fosse mais acentuado. Embora… uma visita ao Blogómetro é instrutiva. O Insurgente é um bom exemplo. Vê os referrers: uma boa parte (não contei, mas assim por alto arrisco dizer que anda por um terço) das visitas é aos arquivos do blogue ainda no Blogspot. E há lá outros exemplos de cátedra. Vê o Troll Urbano, sétimo da lista, e conta-nos o que concluis
Sim, é verdade. Vejo até por exemplo prático do meu CustoZero que passou do Blogspot para domínio próprio.
Ainda hoje (alguns meses depois da mudança), cerca de um terço das visitas são provenientes do endereço antigo.
Paulo, o que aqui afirmas, não serve de exemplo para nada.
Eu gostava que falasses da audiência de alguns blogues anónimos e que nada têm com televisões e outros meios, mais ou menos controlados. Isto assim, como está feito, cheira-me a publicidade gratuita e a fazer constar alguns nomes que, como nós sabemos, não tinham audiência neste meio sem ter outros meios na sua retaguarda: televisões, e…
Há por cá nestes meios, nos blogues, muita “gente” bem melhor.
Parabéns.
Caro David Santos, aqui não falei sobre qualidade. Falei sobre o peso dos arquivos de um blogue para a sua audiência. O peso dos arquivos nada tem a ver com o blogue ser mais ou menos mediático. Um arquivo “pesado” e com uma optimização decente contribuirá com uma percentagem significativa da audiência; um mau arquivo contribuirá com uma percentagem menor da audiência.
A diferença que poderá existir é que um blogue de alguém mediático terá maior audiência por via dessa maior exposição. Mas isso em nada afecta: se esse blogue tiver um “bom” arquivo, este contribuirá com uma maior percentagem para o bolo final do que se tiver um arquivo deficiente.
Não consigo descortinar onde é que isto — que nada tem de extraordinário, sendo bê-á-bá comprovável com uma hora a comparar Sitemeters, para quem está de fora, e comprovado repetidamente por quem já analisou webstats — “não serve de exemplo para nada”.
E, caro David Santos, teorias da conspiração? “Publicidade gratuita”? A quem? E porquê? Será que o Rui ou os Gatos me pagam para os linkar? O Expresso paga-me para escrever e… hum… chamar publicidade a um link para um texto do próprio, parece-me muito arrevesado.
Vamos rebobinar: o que queria realmente dizer?