Conteúdos pagos: ponto da situação na antecâmara da geração-C (de cash)
publicado 31 Maio 2007 em Economia.Via comentários, o leitor Paulo Reis fez-me a seguinte pergunta:
Caro Paulo Querido,
Gostaria de saber qual o futuro dos conteúdos pagos, já que refere que é um apologista deste tema desde 2005 (link).
O comentário foi retido pelo filtro e com razões para isso, que não vêm agora ao caso (nem vou aprovar o comentário, optando por responder aqui).
A minha opinião nesta matéria não mudou desde Abril de 2005 quando dei aquela resposta ao José Pimentel Teixeira. O futuro dos conteúdos pagos é sorridente, um pouco mais sorridente do que o presente.
As pessoas estão aos poucos a perceber que nem toda a informação gratuita é útil e a cultura vai evoluindo no sentido de aceitar a divisão da oferta.
Há conteúdos de pouco ou nenhum valor acrescentado com viabilidade em certos nichos da actividade (a economia da atenção, a recompensa da notoriedade, ou de retorno indirecto). Em simultâneo, há conteúdos (e serviços) com mais valor que podem operar numa economia assente na publicidade (a comunicação social é um bom exemplo). E também lugar para conteúdos de subscrição directa (abundam na web anglófona os estudos pagos).
É curioso notar que muitos destes seguem o modelo mais comum da informática, anterior até à própria web: o conceito de shareware, cujas virtudes tenho abordado com regularidade. A regra é vermos as conclusões do estudo (as consultoras são as principais produtoras destes) difundidas pelos meios de comunicação social e apresentadas publicamente numa versão condensada; esta conduz os interessados até ao website da empresa, onde poderão adquir a versão integral com o trabalho completo, as análises dos especialistas, os gráficos de absorção rápida e, em certos casos, conclusões pertinentes para as estratégias comerciais que foram deixadas de fora nas conclusões gerais.
Este modelo está bastante difundido. Só não o vemos no mundo lusófono porque temos uma cultura que estigmatiza o lucro (uma espécie de reino deixado aos capitalistas…) de uma forma geral. Um blogger português precisará de coragem suplementar para iniciar um projecto orientado ao lucro porque sabe de antemão que terá um coro de reacções negativas com base em dogmas tão curiosos como “os blogues não são comerciais” (curiosamente, uma regra imposta em geral por pessoas que recusam regras sob pretexto de terem uma Internet “livre”).
Contudo, nas novas gerações geek (and I mean novas, porque a geração geek acima dos 30 anos é tão católico-conservadora neste aspecto do horror ao lucro quanto os seus pais e seguramente pior que os avós) já se nota algum desprendimento. Sabem, ou intuem, que o mercado de trabalho não lhes dará valor (o mercado de trabalho não valoriza ninguém e cada vez será pior pois há excesso de oferta de mão-de-obra e vai continuar a existir excesso de oferta de mão-de-obra) e procuram alternativas de forma mais desempoeirada.
Se puder, essa geração fará blogues com alguns conteúdos de valor pagos à peça ou por assinatura (e os de menor valor pagos via publicidade ou outros modelos). Fará e consumirá. Há sinais que apontam no sentido de a Geração-C (de conteúdo) dar lugar à Geração-C (de cash).
- 1 Pingback on Mai 31st, 2007 at 15:10


Caro Paulo Querido,
Desde já, os meus agradecimentos pelo seu comentário.
Pretendia apenas lançar este tema ao qual estou ligado profissionalmente, uma vez que tenho uma empresa que implementou uma solução de contéudos pagos em portais verticais para um operador de telecomunicações em Portugal.
Para além disso encomendamos um estudo de mercado a uma consultora para verficar qual o potencial deste mercado nos próximos cinco anos.
Se quiser lançar o tema de contéudos digitais pagos seria interessante no sentido de retomar esta velha questão.
Obrigada,
Paulo Reis
Caro Paulo Reis, não tenho muito mais a acrescentar ao que já aqui escrevi. Cuidado com as consultoras. Abraço