Doze Naus leva Manuel Alegre a Coimbra
publicado 31 Maio 2007 em Livros e Editoras.Abílio Hernandez, professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, vai apresentar a última antologia de poemas de Manuel Alegre, Doze Naus, numa sessão que decorrerá na livraria Almedina Estádio a 1 de Junho de 2007 (sexta-feira), pelas 21:00, e contará com a presença do autor.
Manuel Alegre, ainda novo, escrevia: “Meu poema rimou com a minha vida”. Doze Naus não é excepção à regra. É o retrato do homem que se espalha pela nova obra do poeta. A colectânea pinta um Manuel Alegre caçador ou apaixonado pelo mar; faz o esboço de Manuel Alegre e do seu amor à liberdade, à pátria e às coisas simples.
No seu mais recente livro de poesia, publicado com a chancela da Dom Quixote, Manuel Alegre convida os leitores para novas viagens. “Embarc[a] nas (…) doze naus de Ulisses” para partilhar memórias pessoais e memórias de Portugal. “Somos um país pequeno e pobre e que não tem/ senão o mar/ muito passado e muita História e cada vez menos/ memória/ país que já não sabe quem é quem/ país de tantos tão pequenos/ país a passar/ para o outro lado de si mesmo e para a margem/ onde já não quer chegar. País de muito mar/ e pouca viagem”, escreve no poema “País de Muito Mar”.
“Há memórias que aspiram a ser recuperadas: memórias históricas, literárias, filosóficas”, sublinha Yvette Centeno, professora na Universidade Nova de Lisboa, na apresentação da obra na capital. Na contracapa do livro, pode ler-se que “na poesia de Manuel Alegre (…) existe uma consciência profunda do tempo trágico que a título pessoal ou colectivo lhe foi dado viver”. Em Doze Naus, as suas palavras dialogam com outros poetas e figuras marcantes da poesia para interpelar o tempo e o real.
Manuel Alegre acredita na poesia, na poesia “como ritmo, como música interior, canto e encanto, incantação, como exorcismo”, refere no seu auto-retrato). Escrever poemas significa, para ele, assumir uma relação mágica com o mundo. Manuel Alegre “escrevive”, ou seja, “escreve para viver, em sentido absoluto, e vive para escrever, também em sentido absoluto”, afirma a sua amiga Yvette Centeno. Os seus versos são “uma entrega fiel, que não permite hesitação ou outras mais fáceis escolhas”, conclui a ensaísta.
E não é por acaso que Yvette Centeno acrescenta ainda que Manuel Alegre “imprime em muitos dos seus versos o ritmo das baladas de Coimbra”. A cidade que o acolheu quando era estudante em direito e que ele cuidou, enquanto deputado, entre 1975 e 2002, lembra-se dos seus textos, interpretados pelas figuras de proa do “canto livre” e pelos grandes guitarristas de Coimbra. A cidade recebe Manuel Alegre na próxima sexta-feira, uma oportunidade única para conhecer um pouco melhor o poeta, mas também, o homem.


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