Eleições na CML: a mistificação em curso
publicado 24 Maio 2007 em Geral, Um jantar em Nova Iorque.O anúncio da candidatura de Helena Roseta às eleições da CML foi uma esperança de pouca dura para os analistas de direita: Carmona vai a jogo num movimento simétrico que anula qualquer efeito que pudesse vir de duas candidaturas “fraticidas”. Para adensar o cenário, António Costa anunciou uma equipa à prova de cataclismo, o que levou esses mesmos analistas ao desespero. Mas vão mudar de munições. Agora, a palavra de ordem de cima é mistificar as eleições intercalares de Lisboa dando-lhes ar de refrega nacional.
O objectivo da mistificação é desviar as intenções dos votantes lisboetas, a quem foi expressamente dada a oportunidade de punir, fora do prazo, os erros de um mau executivo camarário, levando-as para o exame ao governo, que nada tem a ver com as razões que levaram Marques Mendes a fazer cair Carmona. O que está em causa não é governar o país: muito prolixamente, é recolocar nos eixos o comboio desgovernado da CML. Afirmar outra coisa deve ser considerado uma «tentativa de fazer os eleitores de idiotas» (Eduardo Nogueira Pinto, no 31).
Duvido, porém, que a mistificação possa ter algum sucesso: onze candidatos (última contagem), dois independentes de peso, figuras do PSD nas listas da esquerda, gente do PS por todo o lado, o PCP com um candidato fortemente alfacinha, uma enorme discussão em torno dos assuntos de Lisboa, as contas camarárias na lupa dos melhores analistas, um presidente autárquico forçado a demitir-se que se recandidata, nada disto cheira ao país, tudo isto cheira a Lisboa.


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