Get a (second) life!
publicado 18 Maio 2007 em Imprensa.O Get a (second) life, blogue sobre as aventuras no Second Life, está cada vez melhor. Tem sido notícia um pouco por toda a Imprensa e a equipa está de parabéns, que dou à Catarina em nome de todos.
Recentemente, foi notícia no semanário Sol. Por razões que só ao Sol dizem respeito, a peça omitiu a referência à integração do Get a second life na rede TubarãoEsquilo, bem como qualquer referência a esta. A Catarina Campos, que é uma pessoa extremamente educada e correcta, fez as necessárias alusões à TubarãoEsquilo e também ao meu nome (porque estive na origem do projecto do Second Life ao encorajá-la a levá-lo a cabo). O problema não foi dela, de todo.
Pergunta: se eu não fosse colaborador do Expresso, ou se a TubarãoEsquilo fosse de outra pessoa, a peça do Sol teria omitido a simples referência à pessoa que esteve na génese do blogue e o contexto editorial em que este se situa?
Nada aqui é pessoal. Ainda na sexta-feira passada encontrei o Vitor Rainho e cumprimentámo-nos como quem não se vê há tanto tempo quanto nós não nos viamos, embora a correr (ambos com pressa).
Raramente são falados, talvez porque as pessoas os aceitam como “naturais”, mas os casos de omissão de noticiário cruzado caem na alçada do fraco, ou nulo, respeito pela deontologia e pelas regras jornalísticas. E se há casos em Portugal. Um noticiário de telejornal (noticiário: estamos a falar da informação) trata como peça noticiosa de grande destaque o êxito da telenovela da casa mas omite a mínima referência à telenovela da concorrência. Das duas, uma — e ambas más: se é realmente notícia então ambas são, e não há motivos para omitir a concorrente, ou não é notícia mas sim uma forma de promoção (publicidade) dos produtos da casa e como tal devia ser legitimamente assinalada.
Quem diz telenovela, diz qualquer outra iniciativa — ou, até, uma cacha ou o brilhante comentário de um analista da casa.
Este espisódio é caricato e não o tomo a sério (a TubarãoEsquilo só depende de si própria e quando a Catarina me relatou as ocorrências limitei-me a sorrir e disse-lhe que era natural). É apenas um exemplo do que se passa diariamente na Comunicação Social. Apenas isso.
Embora eu tenda a considerar que é uma das consequências nefastas do mercado, na verdade já existia em Portugal no tempo em que quase não havia comunicação social privada. O mercado não erradicou este mal. Pelo contrário.
Adenda: quando a Catarina e o Second Life foram notícia no Expresso, aí sim, era aceitável a ausência de menção e fiz o que podia para que assim fosse.


Quanto aos parabéns, muito obrigada.
Temos tentado ali dar alguma ideia das várias vertentes do Second Life, para tentarmos até nós perceber o que aquilo é (nunca se consegue chegar a conclusões finais, claro, é tanta coisa e para cada um será aquilo que se queira que seja).
Quanto à omissão da TE, sem comentários.
Um abraço e obrigada, Paulo.
O mercado não acredita em promover a concorrência, a comunicação social depende da publicidade, daí que não lhes interesse enviar as pessoas para verem outros anúncios.
Cat Magellan, de nada, é merecido. Queremos mais notícias dessa frente
Mário…. pois.
Porquê a indignação? A notícia não era a “rede TubarãoEsquilo.”…
No Expresso andam a oferecer dvd quase de borla para cativar os leitores, e depois querem que a concorrência vos faça publicidade gratuita…
À sexta-feira também ninguem fala do semanário SOl na Sic Notícias, não é ??
Eu fiquei a matutar sobre outro pormenor: as fotografias utilizadas. Primeiro, umas das fotos que foi parar ao Sol era da minha autoria e, segunda, essa foto tem a minha avatara…
Caro Wilson, nunguém se indignou.
A notícia não era a TubarãoEsquilo.
O “vos” na sua segunda frase é um duplo abuso: eu não represento o Expresso nem pedi nada com base na minha relação profissional (e afectiva) com o Expresso.
Devo no entanto mencionar que essa sua frase é elucidativa da forma como os leitores, alguns leitores (a maioria dos leitores?) vêem este “filme”: para si o noticiário é tudo uma questão de publicidade gratuita que os jornalistas fazem uns aos outros.
Suponho que na SIC Notícias se fale o menos possível no Sol e vice-versa, todo o meu texto tem precisamentw a ver com isto: algumas notícias são tratadas de forma diferente consoante o seu objecto pertenca, ou não, ao mesmo grupo económico, a um grupo económico amigo ou não concorrente, ou a um grupo económico concorrente.
Relativamente ao ponto de partida para esta análise, a omissão da TubarãoEsquilo no contexto da rede que agrupa o Get a Second Life, e do meu papel nesse projecto, foram deliberadas editorialmente e não decorrem de nenhum tipo de esquecimento das pessoas entrevistadas, que deram os créditos devidos. Num paralelismo, é como a SIC entrevistar a Teresa Guilherme sob pretexto de um novo programa lançado na TVI com o apoio pessoal de José Eduardo Moniz e a peça final referir apenas a produtora e o nome do programa, sem o situar na antena.
Ou no lançamento de um novo produto ADSL da Clix chamado ZBR a notícia no Diário de Notícias falar no ZBR e omitir o grupo de origem.
A sua opinião não faz nenhuma luz sobre a pergunta que deixei no ar: se a TubarãoEsquilo não me pertencesse, ou eu não tivesse ligação ao Expresso, a peça sobre o Get a Second Life teria saído como saiu?
Ana, sei por experiência própria que se uma imagem apanhada na web não trouxer uma referência de autoria bem explícita, a tendência é para quem edita não se dar ao trabalho suplementar de a procurar.
Mais: não é nenhuma novidade vinda com a Internet, este tratamento secundário da autoria das imagens vem muito de trás, não sei exactamente de onde (talvez do início do jornalismo-papparazzi, nos EUA do pós I Guerra) mas persiste.
Infelizmente… Entretanto, coloquei no meu blog uma Licença Creative Commons.
Novidades: o GETA vai aparecer no noticiário da RTP1 esta noite.