Numa peça televisiva desta semana é mostrado um chefe da PT a anunciar como um serviço inovador o triple-play único e não existente em Portugal. O jornalista podia ter interrompido para explicar aos tele-espectadores que o serviço efectivamente já existe em Portugal, devendo o entrevistado estar a referir-se à sua carteira de produtos e não ao mercado, onde o Clix já oferece triple-play há meses. Dificilmente o senhor poderia dizer que não conhece o produto da concorrência e o jornalista teria não apenas cumprido a sua missão de informar correctamente, como colocado no devido lugar uma pessoa habituada a pôr e dispôr da televisão e das revistas de informática como orgãos de propaganda de massas.
Não sou propriamente um provedor, ou um crítico dos meios, nem quero. Estou simplesmente a ecoar a preocupação de um leitor, que neste caso é também a minha pois reagi da mesma forma à peça e incomoda-me o excesso de simpatia pelas fontes e a falta de conhecimentos. O leitor em causa, Nuno Barros, fez-me chegar pelo formulário de contacto um simpático repto, que não pude aceitar (disse-lhe a razão). Mas sempre chamo a atenção para um erro comum no jornalismo português relacionado com as tecnologias e faço um apelo, se assim lhe posso chamar, aos jornalistas que lidam com os patrões desse meio: sejam mais atentos e confrontem-nos com o que eles dizem, ou confundir-se-ão com suportes publicitários.

  1. 1 Yah

    É o mesmo género de uma notícia que saiu há uns meses sobre uma tal “*primeira* rede editorial de blogs” que na realidade não era. Same thing, já outras existiam há meses.
    Não o vi tão crítico nessa altura.

  2. 2 kincas

    Efectivamente assim é.
    Não são jornalistas mas sim “captadores” de conferências de imprensa.
    É o que por ai mais existe.
    Mas é bom ter atenção aos telhados de vidro, pois o mal de não estar informado e fazer de “jornalista” é um fenómeno crescente.

  3. 3 Paulo Querido

    Caro Yah, se você acha que é a mesma coisa, é porque é estúpido. Ou então não acha e o seu comentário é apenas uma reles provocação. Em que ficamos, estupidez ou provocação?

  4. 4 Yah

    Não está a dizer que um jornalista reportou um acontecimento como inédito quando na verdade não o foi ? No caso, o Clix já tinha o mesmo serviço.

    Na outra notícia que referi passou-se o mesmo, a imprensa reportou um acontecimento como inédito, como “o promeiro” quando na verdade já existiam outras redes de blogs, na altura foram dados outros exemplos, uns melhores que outros.

    Explica-me onde está a “reles provocação” ou a “estupidez”, ou é o seu habitual poder de argumentação ? A mim soa-me à mesma coisa… a si como se sente afectado (a ver pela reacção nervosa) e tem telhados de vidro acredito que não convenha que seja.

  5. 5 Paulo Querido

    Não, não estou a dizer que um jornalista reportou um acontecimento como inédito. Você é que quis ler assim e levar para esse lado, lá terá as suas razões (e aí tem a provocação).
    Na “outra notícia” não se passou nada assim. A sua confusão com ela é deliberada (aí tem a reles provocação). A razão para vir de novo com isso — só posso suspeitar. E suspeito, e rio, mas guardo a suspeita e o riso para mim, fique descansado.
    Não argumentei (embora possa, mas não consigo, que não está aqui a sério): fiz uma afirmação e uma pergunta.
    Não há discussão sobre o conceito de triple-play. Houve discussão sobre o que é uma rede e um agregador. Talvez por acaso, a rede não mudou o seu discurso mas o agregador sentiu-se na necessidade de mudar o seu e passou a apresentar-se como uma rede.
    Você acha que eu me sinto afectado porque quer achar, e disso fazer um caso. E classifica de “nervosismo” o que é evidentemente mera falta de pachorra para aturar de novo os casos clínicos que insistem em aparecer por aqui sempre com o mesmo padrão.
    Você diz que eu tenho telhados de vidro neste assunto, acreditando que não me convenha qq coisa que não percebi. Eu digo: vozes de burro chegam onde podem. E não digo mais nada, para não mostrar o desprezo que você naturalmente confundiria com o meu habitual poder de argumentação / nervosismo / qualquer coisa que dê jeito como arma de arremesso.

  6. 6 Mário Lopes

    Caro Paulo, será possível evitar o discurso retórico em que nada diz?

    Pode ficar o dia todo a tentar diferenciar rede de agregador. Na prática, é a mesma coisa. A não ser que você mande no que os seus agregados escrevem. Aí sim, é uma rede editorial porque existe, efectivamente, alguém a editar. Como isso não acontece, é exactamente a mesma coisa.

    Segundo, mesmo que rede e agregador fossem efectivamente conceitos diferentes (só na sua cabeça é que são), a “rede” WebTuga já existia muito antes do Tubarão Esquilo.

    Em suma, o comentário do Yah (seja lá ele quem for) tem todo o sentido de ser. Pena que parta logo para a verborreia e para o insulto.

    P.S. - Por favor evite os insultos. Ajuda-me a perceber que estou a falar consigo (e não com um primo ou sobrinho de tenra idade). Obrigado.

  7. 7 Paulo Querido

    Caro Mário Lopes, desculpar-me-á, mas não darei continuidade ao assunto paralelo do agregador.

    O comentário de Yah não faz sentido nenhum. Yah nem sequer leu o meu texto — começou logo a esfregar as mãos a pensar, desta é que vou tramá-lo com aquilo das redes, que me ficou atravessado! Os ódios são assim, cegam.

    Recentrando o assunto: trata-se aqui de apelar à atenção dos jornalistas que lidam com os patrões deste sector para que evitem o “excesso de respeito” e confrontem os seus discursos sibilinos. Se o Mário Lopes quiser conversar sobre o comportamento oportunístico desses patrões e a subserviência que por vezes se nota nalgum jornalismo porventura menos experiente, cá estamos. Se prefere continuar com as diferenças e as semelhanças entre a TubarãoEsquilo e a Webtuga, o espaço está aqui e os Yahs deste mundo também — mas eu não.

  8. 8 Mário Lopes

    Caro Paulo,

    Eu estou consigo em relação ao caso citado. Efectivamente, o jornalista, no dever de melhor informar os cidadãos, deveria ter interrompido e oportunamente referir que não é o primeiro serviço. É um gesto bonito para com a equidade e neutralidade jornalística.

    No entanto, e para terminar o assunto, deverá concordar que afirmar que a TubarãoEsquilo é a primeira rede editorial é também pouco ortodoxo, eventualmente na mesma ordem de grandeza que o artigo supra-citado. Era esse o ponto do Yah e, offtopic ou não, tem razão (independentemente de rivalidades e outros).

  9. 9 Paulo Querido

    Caro Mário, não leve por insulto ou má-criação a firmeza da minha próxima frase: não concordo. Assunto terminado na mesma.

  10. 10 PedroF

    Desculpem não perceber o rol de questões mas parece-me que algumas estão mal colocadas e têm interesse de atirar à pessoa e não ao assunto:
    1) Paulo Querido questiona os jornalistas que publicam reportagens sem questionarem assuntos que deviam conhecer;
    2) se Paulo Querido propôs que a TE era a primeira rede ou agregador ou o que quiserem e se os jornalistas engoliram ou não o que ele disse, só acaba por lhe dar razão no que escreve: que os jornalistas “sejam mais atentos e confrontem-nos com o que eles dizem, ou confundir-se-ão com suportes publicitários.”
    Então, ele tem razão, independentemente do que disse ou deixou de dizer sobre a TE.

  11. 11 Wilson José Neves Morgado

    Ao ler o texto, e não os comentários, veio-me à ideia aquele tópico sobre a não referência por parte do SOL da dita 1º rede editorial de blogues, por alegadamente ser colaborador do Expresso.

    “confundir-se-ão com suportes publicitários.”.. pelo menos o SOl, nessa matéria, já lhe provou que não é…

  12. 12 Mr. G

    jesus… isto mais parece um encontro dos tios de cascais. É isso Paulo Kido, manda farpas nos da tua classe… só te fica bem… e sempre é mais uma entrada no teu blog… mas olha, o TE não foi o 1º … quer concordes ou não, felizmente serás o único a discordar, devido ao teu pouco arejado mundo. :D

  13. 13 Paulo Querido

    Mr. G, eu entendo muito bem o seu fascínio pelos antros pouco arejados. Dá-vos de facto uma pica especial, não é? se não fossem os mundos pouco arejados…

    Caro Wilson José Neves Morgado, a referência a que alude era um parágrafo especulativo. O contexto da especulação era, também ele, totalmente distinto: prendia-se com as lógicas de grupos económicos e o impacto destas no produto jornalístico. O Sol não provou coisa alguma neste campo nem tem de provar: possui um belo quadro de jornalistas experimentados que tomara o resto da Imprensa.

    Caro PedroF, porque será que não me espanta que, neste contexto, o único comentário lúcido seja o de um jornalista?

  1. 1 afterdark » Blog Archive » 3Ménage
  2. 2 Que chapéu? : doispontocinco
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