Propaganda e jornalismo: uma pequena achega
publicado 15 Junho 2007 em Imprensa.Numa peça televisiva desta semana é mostrado um chefe da PT a anunciar como um serviço inovador o triple-play único e não existente em Portugal. O jornalista podia ter interrompido para explicar aos tele-espectadores que o serviço efectivamente já existe em Portugal, devendo o entrevistado estar a referir-se à sua carteira de produtos e não ao mercado, onde o Clix já oferece triple-play há meses. Dificilmente o senhor poderia dizer que não conhece o produto da concorrência e o jornalista teria não apenas cumprido a sua missão de informar correctamente, como colocado no devido lugar uma pessoa habituada a pôr e dispôr da televisão e das revistas de informática como orgãos de propaganda de massas.
Não sou propriamente um provedor, ou um crítico dos meios, nem quero. Estou simplesmente a ecoar a preocupação de um leitor, que neste caso é também a minha pois reagi da mesma forma à peça e incomoda-me o excesso de simpatia pelas fontes e a falta de conhecimentos. O leitor em causa, Nuno Barros, fez-me chegar pelo formulário de contacto um simpático repto, que não pude aceitar (disse-lhe a razão). Mas sempre chamo a atenção para um erro comum no jornalismo português relacionado com as tecnologias e faço um apelo, se assim lhe posso chamar, aos jornalistas que lidam com os patrões desse meio: sejam mais atentos e confrontem-nos com o que eles dizem, ou confundir-se-ão com suportes publicitários.
- 1 Pingback on Jun 16th, 2007 at 17:36
- 2 Pingback on Jun 20th, 2007 at 14:55


É o mesmo género de uma notícia que saiu há uns meses sobre uma tal “*primeira* rede editorial de blogs” que na realidade não era. Same thing, já outras existiam há meses.
Não o vi tão crítico nessa altura.
Efectivamente assim é.
Não são jornalistas mas sim “captadores” de conferências de imprensa.
É o que por ai mais existe.
Mas é bom ter atenção aos telhados de vidro, pois o mal de não estar informado e fazer de “jornalista” é um fenómeno crescente.
Caro Yah, se você acha que é a mesma coisa, é porque é estúpido. Ou então não acha e o seu comentário é apenas uma reles provocação. Em que ficamos, estupidez ou provocação?
Não está a dizer que um jornalista reportou um acontecimento como inédito quando na verdade não o foi ? No caso, o Clix já tinha o mesmo serviço.
Na outra notícia que referi passou-se o mesmo, a imprensa reportou um acontecimento como inédito, como “o promeiro” quando na verdade já existiam outras redes de blogs, na altura foram dados outros exemplos, uns melhores que outros.
Explica-me onde está a “reles provocação” ou a “estupidez”, ou é o seu habitual poder de argumentação ? A mim soa-me à mesma coisa… a si como se sente afectado (a ver pela reacção nervosa) e tem telhados de vidro acredito que não convenha que seja.
Não, não estou a dizer que um jornalista reportou um acontecimento como inédito. Você é que quis ler assim e levar para esse lado, lá terá as suas razões (e aí tem a provocação).
Na “outra notícia” não se passou nada assim. A sua confusão com ela é deliberada (aí tem a reles provocação). A razão para vir de novo com isso — só posso suspeitar. E suspeito, e rio, mas guardo a suspeita e o riso para mim, fique descansado.
Não argumentei (embora possa, mas não consigo, que não está aqui a sério): fiz uma afirmação e uma pergunta.
Não há discussão sobre o conceito de triple-play. Houve discussão sobre o que é uma rede e um agregador. Talvez por acaso, a rede não mudou o seu discurso mas o agregador sentiu-se na necessidade de mudar o seu e passou a apresentar-se como uma rede.
Você acha que eu me sinto afectado porque quer achar, e disso fazer um caso. E classifica de “nervosismo” o que é evidentemente mera falta de pachorra para aturar de novo os casos clínicos que insistem em aparecer por aqui sempre com o mesmo padrão.
Você diz que eu tenho telhados de vidro neste assunto, acreditando que não me convenha qq coisa que não percebi. Eu digo: vozes de burro chegam onde podem. E não digo mais nada, para não mostrar o desprezo que você naturalmente confundiria com o meu habitual poder de argumentação / nervosismo / qualquer coisa que dê jeito como arma de arremesso.
Caro Paulo, será possível evitar o discurso retórico em que nada diz?
Pode ficar o dia todo a tentar diferenciar rede de agregador. Na prática, é a mesma coisa. A não ser que você mande no que os seus agregados escrevem. Aí sim, é uma rede editorial porque existe, efectivamente, alguém a editar. Como isso não acontece, é exactamente a mesma coisa.
Segundo, mesmo que rede e agregador fossem efectivamente conceitos diferentes (só na sua cabeça é que são), a “rede” WebTuga já existia muito antes do Tubarão Esquilo.
Em suma, o comentário do Yah (seja lá ele quem for) tem todo o sentido de ser. Pena que parta logo para a verborreia e para o insulto.
P.S. - Por favor evite os insultos. Ajuda-me a perceber que estou a falar consigo (e não com um primo ou sobrinho de tenra idade). Obrigado.
Caro Mário Lopes, desculpar-me-á, mas não darei continuidade ao assunto paralelo do agregador.
O comentário de Yah não faz sentido nenhum. Yah nem sequer leu o meu texto — começou logo a esfregar as mãos a pensar, desta é que vou tramá-lo com aquilo das redes, que me ficou atravessado! Os ódios são assim, cegam.
Recentrando o assunto: trata-se aqui de apelar à atenção dos jornalistas que lidam com os patrões deste sector para que evitem o “excesso de respeito” e confrontem os seus discursos sibilinos. Se o Mário Lopes quiser conversar sobre o comportamento oportunístico desses patrões e a subserviência que por vezes se nota nalgum jornalismo porventura menos experiente, cá estamos. Se prefere continuar com as diferenças e as semelhanças entre a TubarãoEsquilo e a Webtuga, o espaço está aqui e os Yahs deste mundo também — mas eu não.
Caro Paulo,
Eu estou consigo em relação ao caso citado. Efectivamente, o jornalista, no dever de melhor informar os cidadãos, deveria ter interrompido e oportunamente referir que não é o primeiro serviço. É um gesto bonito para com a equidade e neutralidade jornalística.
No entanto, e para terminar o assunto, deverá concordar que afirmar que a TubarãoEsquilo é a primeira rede editorial é também pouco ortodoxo, eventualmente na mesma ordem de grandeza que o artigo supra-citado. Era esse o ponto do Yah e, offtopic ou não, tem razão (independentemente de rivalidades e outros).
Caro Mário, não leve por insulto ou má-criação a firmeza da minha próxima frase: não concordo. Assunto terminado na mesma.
Desculpem não perceber o rol de questões mas parece-me que algumas estão mal colocadas e têm interesse de atirar à pessoa e não ao assunto:
1) Paulo Querido questiona os jornalistas que publicam reportagens sem questionarem assuntos que deviam conhecer;
2) se Paulo Querido propôs que a TE era a primeira rede ou agregador ou o que quiserem e se os jornalistas engoliram ou não o que ele disse, só acaba por lhe dar razão no que escreve: que os jornalistas “sejam mais atentos e confrontem-nos com o que eles dizem, ou confundir-se-ão com suportes publicitários.”
Então, ele tem razão, independentemente do que disse ou deixou de dizer sobre a TE.
Ao ler o texto, e não os comentários, veio-me à ideia aquele tópico sobre a não referência por parte do SOL da dita 1º rede editorial de blogues, por alegadamente ser colaborador do Expresso.
“confundir-se-ão com suportes publicitários.”.. pelo menos o SOl, nessa matéria, já lhe provou que não é…
jesus… isto mais parece um encontro dos tios de cascais. É isso Paulo Kido, manda farpas nos da tua classe… só te fica bem… e sempre é mais uma entrada no teu blog… mas olha, o TE não foi o 1º … quer concordes ou não, felizmente serás o único a discordar, devido ao teu pouco arejado mundo.
Mr. G, eu entendo muito bem o seu fascínio pelos antros pouco arejados. Dá-vos de facto uma pica especial, não é? se não fossem os mundos pouco arejados…
Caro Wilson José Neves Morgado, a referência a que alude era um parágrafo especulativo. O contexto da especulação era, também ele, totalmente distinto: prendia-se com as lógicas de grupos económicos e o impacto destas no produto jornalístico. O Sol não provou coisa alguma neste campo nem tem de provar: possui um belo quadro de jornalistas experimentados que tomara o resto da Imprensa.
Caro PedroF, porque será que não me espanta que, neste contexto, o único comentário lúcido seja o de um jornalista?