O DRM do Vista e o controlo de conteúdos por governos como o chinês estão entre as principais ameaças a um dos pressupostos históricos da rede
A inclusão de supostas protecções de direitos no sistema operativo mais usado no mundo, a admissão da censura prévia por parte de alguns governos como moeda de troca comercial e a pressão trazida pelo video ao negócio dos operadores de banda larga perfilam-se como os limites que a Internet parecia não conhecer.
Há um ano, como parte do acordo para lançar o seu portal de pesquisa na rede chinesa, a Google Inc aceitou censurar os resultados e outras empresas ocidentais seguem a mesma estratégia, mesmo que isso lhes traga críticas nos mercados de origem. Em parte para mitigar as críticas, em parte para manterem uma reserva negocial, a Google, a Microsoft e outras empresas, centros académicos e organizações de direitos individuais anunciaram agora uma aliança que visa estabelecer um conjunto de princípios de acção quando se defrontem com «leis, regulações e políticas que ameacem os direitos humanos», segundo o Asia Times.
Mas em países como a China a situação piora. Esta semana a revista Foreign Policy fazia eco da denúncia de censura num alojamento de blogues efectuada por «quatro proeminentes advogados» dos direitos humanos na China. Para evitar situações do género, a auto-censura faz parte do dia-a-dia dos milhões de chineses que escrevem em blogues e participam em websites sociais.
O lançamento do sucessor do XP, o Vista, trouxe uma nova onda de críticas que visa especialmente o digital rights management (DRM) empregue pela Microsoft; debaixo da capa da defesa dos direitos, é visto como um instrumento de controlo do mercado – motivando uma carta do CEO da Apple, empresa conhecida pelas suas arquitecturas fechadas, a apelar ao fim dos DRM, incluindo o seu.
Mas a emergência do Vista e das medidas de protecção é inevitável, escreve o colunista da BBC Bill Thompson, e «dá-nos um vislumbre de um novo mundo, no qual estamos a entrar sem reparar». É o mundo do conteúdo protegido e da rede tornada segura.
Acresce a este cenário a necessidade, repetida recorrentemente pelos operadores, de cobrar mais pelo acesso à banda larga, sob pena de o negócio ficar paralizado. O consumo de banda dispara com o tráfego de video na Internet, pelo que as reclamações dos operadores têm algum sentido.
(Expresso, 17/02/2007)

publicidade
Neste momento, a actualidade nacional numa única página
Mercado das Previsõeso jogo da sabedoria das multidões


Editado sobretudo com Wordpress
Desenho de página: trabalho TubarâoEsquilo
derivado do original 3K2Redux klein
Validar XHTML, CSS.
Topo