Campus Party Portugal foi cancelada
publicado 9 Julho 2007 em reflexões, tecnosfera.A Campus Party Portugal foi cancelada. A decisão é do meio da semana passada e foi sendo dada em círculo. Eu soube pouco antes dela ser tornada pública no site. Não a revelei antes por estar comprometido, ainda que vagamente, com a organização (pelo lado da Impresa Digital).
As razões, ou por outra, a razão é rigorosamente a que está publicada: não foi possível assegurar um número mínimo de inscrições que justificasse a realização da Campus Party nos moldes em que foi anunciada.
Apontava-se para 2.500 pessoas. Fontes não-oficiais que consultei dividem-se: segundo uma estariam reunidas apenas 500 inscrições até à semana passada, segundo outra esse número não passava das 280, 290.
Em qualquer dos casos é pouca gente. Quando comparada com o sucesso das anteriores. Menos sofre a comparação, porém, se analisarmos os eventos do género que se organizam em Portugal. Seja como for, a organização terá de repensar os pressupostos.
Um leitor fez-me chegar o link de um artigo crítico que publicou no eSportsPlanet, um magazine digital dedicado aos jogos. Sendo certo, como já fiz notar em sede informal, que o artigo é um tanto game-centered, transpirando a visão específica dos jogadores que costumam participar em torneios organizados, em Campus Party Portugal - Vai ser giro, não era? Pret3ndeR identifica correctamente — na minha modesta opinião — os dois factores essenciais para explicar a fraca adesão: a generalização da banda larga e uma comunicação do evento que satisfez os parceiros mas não chegou ao público.
Sem querer ensinar nada a ninguém, pois a ter criticado era em sede própria (e oportunidade não me faltou), permito-me reflectir sobre a mudança, ficando a lição aprendida em primeiro lugar por mim. O público de hoje não é mais o público de ontem. O termo web 2.0 não é só uma buzzword, embora também o seja. Comunicar às audiências abaixo dos 30 anos, tecnologicamente instruídas e com vivência da rede electrónica envolve saber onde elas estão. Não estão seguramente a ler os jornais de economia. Como começam a saber as gentes mais atentas da publicidade, a atenção é cada vez mais valiosa — e os novos públicos têm disso uma consciência mais ou menos profunda.
No caso do target da Campus Party, eu diria que tem disso uma consciência muito profunda…
Mas este aspecto é largamente introspectivo. Mais direito ao metal, e sem rodeios: o principal atractivo das Campus Party no Minho era estar numa rede de alto débito (banda larga) rodeado de um milhar de camaradas e… centenas de milhar de músicas, videos e software para puxar num ambiente de relativa impunidade.
(Eu podia dizer que havia até estímulo à pirataria de software, muito útil tendo em conta as faixas etárias e o grau de instrução dos participantes, mas não me apetece comprar mais uma guerra inútil, pelo que não digo tal.)
Ora, isso é tão 2004… Hoje, três anos e muita banda larga depois, toda a gente (ligada) já sacou tudo o que lhe interessa e as novidades circulam à velocidade da luz, portanto é preciso algo mais forte, diferente, para os levar a uma campus party a 150 quilómetros do centro urbano importante mais próximo.
Fica o contributo (possível) para a explicação.


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