Eureka!
publicado 14 Agosto 2007 em tomem os comprimidos!.Descobri uma forma económica de evitar as perdas de tempo em debates estéreis com os “geeks” das aspas. Basta ameaçar que vou entrar em flame e pronto, é vê-los desertar! Yes!
(Pronto, admito. É uma brincadeira de Verão. Silly season. Ou serei eu menos do que essa rapaziada que anda entretida a tornar em “escândalos” públicos as escolhas, tão pessoais quanto pirosas, da roupa da Márcia Rodrigues para as entrevistas? )


Devo estar a passar pelo mesmo, embora com uma década de atraso. É surpreendente o discurso do “cada vez pior”. Por vezes, por brincadeira, procuro confrontar pessoas amigas com a contradição entre cada ano ser “pior que o anterior” e o facto de estarmos, globalmente, melhor do que há 30, 40 ou 50 anos. Mas não há uma única pessoa que “caia em si”: estrebucham, desviam a conversa, procuram exemplos descabidos, e algumas chegam mesmo a ficar irritadas apesar da cordialidade da conversa. Parece haver uma convicção profunda que não se deixa vencer pela realidade ou pela lógica.
Uns utilitaristas americanos dizem que é um mecanismo geneticamente incorporado. Ao logo do processo evolutivo, aqueles que, observando a realidade, concluem que as coisas estão bem, não sentem necessidade de fazer modificações e acabam por ser suplantados (na herança genética) por aqueles que estão insatisfeitos e inquietos e procuram mudar as coisas.
E algumas das investigações recentes da neurociência também apontam no sentido de que nos regulamos em sociedade através de um discurso (e de uma percepção) da realidade que está longe de obedecer à lógica racional. Como é o caso da experiência em que o comportamento é influenciado por um boneco desenhado que nos observa e vigia, mesmo sabendo o observado que é apenas um boneco e que não regista nada do que “vê”.
Em conclusão: se nos colocamo-nos numa lógica racional, certos comportamentos parecem-nos absurdos, mas provavelmente estão certos (ou adequados) porque correspondem ás regras de vida em sociedade - não as que estão nos livros da Paula Bobone, mas as que incorporam no código genético.