Teaser para um post que publico no Expresso online com o mesmo título, em web 2.0.

Para mim, o caso da “limpeza” da ficha de José Sócrates na Wikipedia inglesa não é um caso. É uma notícia, sim, mas como notícia foi dada num tom mais apropriado ao Verão e à silly season. Nada contra o tom — há muitos tons na Imprensa, como há muitos tons no jornalismo, como há muitos tons na blogosfera. Já tenho experiência suficiente para saber que “A Verdade” é uma ferramenta demagógica dos mandantes de — lá está — todos os tons, incluindo os pequenos e médios intelectuais da república. Quando conseguimos chegar perto dos factos, já é de ficar contente.
O Pedro Fonseca desmonta a parte substancial do alarido, baixando o nível de gritaria para um patamar que torna possível falar sobre o caso e até ir mais longe. Em pormenores, cita a “cacha” original do Zero de Conduta (Os longos braços da censura socrática — um título totalmente adequado à saison que, este ano, começou mais cedo e não dá mostras de abrandar) e a notícia do João Pedro Pereira no Público (correcta se a consideramos o que é, uma notícia curta e apressada, para levantar uma lebre, não ainda para a cozinhar com todos os temperos).
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Questões pertinentes
1. Começo por uma questão marginal, contudo cada vez mais curial: os métodos de identificação online.
2. Teria alguma vez ido parar à ficha de José Sócrates na penúltima edição da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira um período como: “a strong case is being build up against possible false declarations by José Sócrates on his university degree. Under heavy pressure, the Portuguese Prime Minister promised to clarify the situation“?
3. E caso fosse, na edição seguinte esse parágrafo seria apagado, com uma nota de rodapé contendo todas as versões da ficha, bem como a discussão entre os diversos autores dos diferentes parágrafos?
4. (Esta tem a resposta mais fácil,) como se pode falar em “máquina de contra-informação” referindo-se a um conjunto de artigos de edição livre, edição feita numa rede pública e sem segredos, onde todos os nossos passos ficam registados e disponíveis para consulta popular?

Leia o artigo completo no Expresso online.

  1. 1 Pedro Aniceto

    …”4. (Esta tem a resposta mais fácil,) como se pode falar em “máquina de contra-informação” referindo-se a um conjunto de artigos de edição livre, edição feita numa rede pública e sem segredos, onde todos os nossos passos ficam registados e disponíveis para consulta popular?”…

    Bravo! Pensei que era só eu que colocava essa questão…

  2. 2 Paulo Querido

    Caro Pedro Aniceto,
    eu também me sinto sozinho volta e meia, ao ler o que vai por essa blogosfera fora. É extremamente curioso observar o que as pessoas fazem com este megafone nas mãos.

  3. 3 PVA

    acho fantástico os comentários sobre este assunto, meus senhores ele até pode ser um gajo porreiro, um bom primeiro ministro (tenho as minhas duvidas)”what ever” será que o pessoal principalmente esses senhores que alinham de cor de rosa (claro que não estamos a falar do benfica) não conseguem perceber que é uma questão de principio, moral e bons costumes (ah nunca ouviram falar disso). o pessoal explica carácter estamos a falar de carácter “borrife-mo-nos” pra licenciatura se é engeinho ou doutore agora que esta cena é muito manhosa ai isso é.

  4. 4 Paulo Querido

    Caro PVA, não está aqui em questão se “ele” é ou deixa de ser ou gajo porreiro e um bom primeiro ministro. Essa dos senhores que alinham de cor de rosa, isso é o quê? Homofobia?
    Princípio? Qual é o princípio em nome do qual pretende evitar que uma pessoa edite um artigo da wikipedia para nele incluir o que considera relevante, ou tirar o que considera acessório??!!?
    Deixe-me adivinhar: é O SEU princípio. Pois.
    A SUA moral.
    Os SEUS bons costumes.
    Manhosa é a sua abordagem a este assunto. Querer limitar a liberdade dos outros em nome dos nossos próprios princípios, eis uma coisa muito manhosa.
    O meu texto não toma partido, nem tem de tomar. Não fiz juízos de valor sobre o assunto. Porém, faço-os sobre a sua posição.

  5. 5 PVA

    A questão do cor de rosa é uma questão meramente assessória, pronto vou corrigir os senhores mais afectos ao PS estão muito melindrados em relação aos ataques ao Sr. Primeiro Ministro (de facto a critica com algum humor não é para quem quer é para quem pode. Em relação a toda esta questão que envolve a licenciatura do nosso primeiro é no minimo desconcertante, ele é documentos com datas duvidosas ele é explicações atabalhoadas e agora, qual cereja no topo do bolo, esta interferência continua na wikipédia ainda por cima paga com o dinheiro dos contribuintes, se o o nosso primeiro quer corrigir algo de teor pessoal contrata um informático e paga do bolso dele, certo.

  6. 6 pfig

    excelente, este co’mico que arranjaste para aqui, paulo!

  7. 7 Paulo Querido

    Caro pfig, o crowdsourcing é uma maravilha!

  8. 8 Pedro Aniceto

    A questão do cor de rosa é uma questão meramente assessória,

    Mas esta frase não deixa de ser uma EXCELENTE piada! :)

  1. 1 Wikipédia [ IV ]
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