José Sócrates e a Wikipedia: mais factos e questões
publicado 18 Agosto 2007 em ensaio.Teaser para um post que publico no Expresso online com o mesmo título, em web 2.0.
Para mim, o caso da “limpeza” da ficha de José Sócrates na Wikipedia inglesa não é um caso. É uma notícia, sim, mas como notícia foi dada num tom mais apropriado ao Verão e à silly season. Nada contra o tom — há muitos tons na Imprensa, como há muitos tons no jornalismo, como há muitos tons na blogosfera. Já tenho experiência suficiente para saber que “A Verdade” é uma ferramenta demagógica dos mandantes de — lá está — todos os tons, incluindo os pequenos e médios intelectuais da república. Quando conseguimos chegar perto dos factos, já é de ficar contente.
O Pedro Fonseca desmonta a parte substancial do alarido, baixando o nível de gritaria para um patamar que torna possível falar sobre o caso e até ir mais longe. Em pormenores, cita a “cacha” original do Zero de Conduta (Os longos braços da censura socrática — um título totalmente adequado à saison que, este ano, começou mais cedo e não dá mostras de abrandar) e a notícia do João Pedro Pereira no Público (correcta se a consideramos o que é, uma notícia curta e apressada, para levantar uma lebre, não ainda para a cozinhar com todos os temperos).
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Questões pertinentes
1. Começo por uma questão marginal, contudo cada vez mais curial: os métodos de identificação online.
2. Teria alguma vez ido parar à ficha de José Sócrates na penúltima edição da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira um período como: “a strong case is being build up against possible false declarations by José Sócrates on his university degree. Under heavy pressure, the Portuguese Prime Minister promised to clarify the situation“?
3. E caso fosse, na edição seguinte esse parágrafo seria apagado, com uma nota de rodapé contendo todas as versões da ficha, bem como a discussão entre os diversos autores dos diferentes parágrafos?
4. (Esta tem a resposta mais fácil,) como se pode falar em “máquina de contra-informação” referindo-se a um conjunto de artigos de edição livre, edição feita numa rede pública e sem segredos, onde todos os nossos passos ficam registados e disponíveis para consulta popular?
Leia o artigo completo no Expresso online.
- 1 Pingback on Ago 18th, 2007 at 18:12


…”4. (Esta tem a resposta mais fácil,) como se pode falar em “máquina de contra-informação” referindo-se a um conjunto de artigos de edição livre, edição feita numa rede pública e sem segredos, onde todos os nossos passos ficam registados e disponíveis para consulta popular?”…
Bravo! Pensei que era só eu que colocava essa questão…
Caro Pedro Aniceto,
eu também me sinto sozinho volta e meia, ao ler o que vai por essa blogosfera fora. É extremamente curioso observar o que as pessoas fazem com este megafone nas mãos.
acho fantástico os comentários sobre este assunto, meus senhores ele até pode ser um gajo porreiro, um bom primeiro ministro (tenho as minhas duvidas)”what ever” será que o pessoal principalmente esses senhores que alinham de cor de rosa (claro que não estamos a falar do benfica) não conseguem perceber que é uma questão de principio, moral e bons costumes (ah nunca ouviram falar disso). o pessoal explica carácter estamos a falar de carácter “borrife-mo-nos” pra licenciatura se é engeinho ou doutore agora que esta cena é muito manhosa ai isso é.
Caro PVA, não está aqui em questão se “ele” é ou deixa de ser ou gajo porreiro e um bom primeiro ministro. Essa dos senhores que alinham de cor de rosa, isso é o quê? Homofobia?
Princípio? Qual é o princípio em nome do qual pretende evitar que uma pessoa edite um artigo da wikipedia para nele incluir o que considera relevante, ou tirar o que considera acessório??!!?
Deixe-me adivinhar: é O SEU princípio. Pois.
A SUA moral.
Os SEUS bons costumes.
Manhosa é a sua abordagem a este assunto. Querer limitar a liberdade dos outros em nome dos nossos próprios princípios, eis uma coisa muito manhosa.
O meu texto não toma partido, nem tem de tomar. Não fiz juízos de valor sobre o assunto. Porém, faço-os sobre a sua posição.
A questão do cor de rosa é uma questão meramente assessória, pronto vou corrigir os senhores mais afectos ao PS estão muito melindrados em relação aos ataques ao Sr. Primeiro Ministro (de facto a critica com algum humor não é para quem quer é para quem pode. Em relação a toda esta questão que envolve a licenciatura do nosso primeiro é no minimo desconcertante, ele é documentos com datas duvidosas ele é explicações atabalhoadas e agora, qual cereja no topo do bolo, esta interferência continua na wikipédia ainda por cima paga com o dinheiro dos contribuintes, se o o nosso primeiro quer corrigir algo de teor pessoal contrata um informático e paga do bolso dele, certo.
excelente, este co’mico que arranjaste para aqui, paulo!
Caro pfig, o crowdsourcing é uma maravilha!
A questão do cor de rosa é uma questão meramente assessória,
Mas esta frase não deixa de ser uma EXCELENTE piada!