Que me desculpem os transgénicos, os autores da contra-informação no caso Silves e Mário Crespo. Não pensei que o meu texto fosse descambar no mesmo sítio para onde arrastaram o acontecimento: o extremismo ideológico na variante “o que devem fazer os entrevistadores”. A ideia não era nada essa, apenas dizer que Mário Crespo teve um mau momento e que as pessoas deviam pensar melhor na manipulação a que os acontecimentos de Silves e derivados têm sido sujeitos.
Pedro Marques Lopes reagiu no blogue da revista Atlântico abrindo as hostilidades apelidando de cruzada duas críticas pontuais à entrevista — o que mais não é que o prolongamento do debate ideológico, que é precisamente o que nenhum de nós desejava.
Sem referir uma única passagem da entrevista em causa, Marques Lopes faz perguntas descabidas, como onde estava eu no dia 30 de Fevereiro às 25:75 horas.
Vale a sensatez dos críticos, que têm feito ver, em voz baixa (sem inflamação, o mais possível), que “criticar Mário Crespo não é o mesmo que desqualificar Mário Crespo” (João Galamba aqui), ou fazem o “exercício de imaginar Mário Crespo a entrevistar nestes termos o Presidente do Conselho de Administração da Somague para falar sobre o financiamento ao PSD. Impossível, não é? É mais fácil brilhar com os gualteres desta vida” (Daniel Oliveira, o outro “cruzado” segundo PML, no Arrastão)
Gabriel, um dos bons dos blasfemos (o outro é jcd), viu o mesmo filme que eu, embora ele o trace numa perspectiva ligeira: “O Mário Crespo divertiu-se à brava! Ele não queria por nada acabar, aquilo estava a dar-lhe gozo. Belo show!” (aqui). Eu não queria acreditar: aquilo a correr mal, o entrevistado a começar a sair dignificado tal o afã do entrevistador em desfazê-lo, e Crespo diz que vai pedir à regie mais tempo?

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