Setembro tem dois lançamentos que marcam a entrada no mainstream económico-intelectual do país de temáticas já bem conhecidas das elites dessa área — e da legião de participantes nos movimentos revolucionários em curso. Os novos rumos da economia 2.0, desde o aproveitamento da sabedoria das multidões para o lucro das empresas e organizações às mudanças da cauda longa.
Um dos dois livros em destaque é Wikinomics – A Nova Economia das Multidões Inteligentes, versão indígena do best-seller de Don Tapscott e Anthony D. Williams sobre a nova “wikinomia”, lançada em Portugal pela Quidnovi. À venda no final do mês. Já o mandei vir há algum tempo da Amazon, mas não tive oportunidade de publicar uma recensão. Vale a pena — e saúdo a iniciativa da tradução atempada (pela escala portuguesa).
Já sobre A Sabedoria das Multidões, de James Surowiecki (editora Lua de papel), trabalhei nele nas últimas duas semanas, lendo a versão portuguesa ainda em PDF de circulação restrita enquanto aguardo a cópia em papel. Ao contrário do Wikinomics, e apesar de mais antigo, não tinha lido o original. Mas comprei duas obras que versam a temática aberta por Surowiecki (publiquei três passagens de Infotopia, de Sunstein), pelo que acabei escolhido no Expresso para entrevistar Surowiecki a propósito do lançamento da localização de The Wisdom of Crowds: Why the Many Are Smarter Than the Few and How Collective Wisdom Shapes Business, Economies, Societies and Nations (link).
A peça sai na Economia de sábado que vem; pelas habituais razões de espaço não publiquei no papel o material todo que tinha; aguardo que o sistema editorial do Expresso (foi mudado) esteja aberto para poder disponibilizar cópias integrais da entrevista no original e numa tradução minha (traduzi toda a entrevista a pensar precisamente nos meus leitores online).
Entretanto, ficam aqui três teasers para os dois livros, um deles uma passagem do prefácio de António Câmara (Prémio Pessoa 2006, YDreams) a A Sabedoria das Multidões:

“Wikinomics analisa, numa perspectiva optimista, aquela que é a maior revolução na colaboração em massa registada até à data, correspondente ao advento das comunidades on-line que se estruturam como produtores de conteúdos, bens e serviços, “invadindo”, por assim dizer, as coutadas do mundo empresarial. A posição defendida por Don Tapscott neste livro – e apoiada em variados exemplos e depoimentos de administradores de grandes empresas – é de que estas novas multidões inteligentes são o contrário de uma ameaça para as empresas que souberem abrir-se ao exterior e aproveitar este imenso capital que se constitui num novo conceito económico – a “Wikinomia”, assim chamada a partir desse primeiríssimo exemplo da capacidade de criação das massas que é a Wikipédia” (da informação promocional da editora)

“O autor apresenta um número significativo de exemplos ilustrando a sabedoria das multidões se estas condições existirem. Esses exemplos incluem sistemas de previsão do comportamento do mercado, decisão em grupo, e participação em processos democráticos.
James Surowiecki consegue estabelecer claramente a diferença entre a utilização da inteligência colectiva nestas situações e as contribuições individuais.
Um dos principais problemas da utilização da sabedoria das multidões reside na sua coordenação. A Zara, a empresa galega que coordena dezenas de agentes (alguns portugueses), é um caso exemplar de interesse evidente para as empresas globais descrito em A Sabedoria das Multidões” (excerto do prefácio de António Câmara)

“Entendo que o impacto da “wisdom of the crowds” nas indústrias do entretenimento e do conhecimento ainda não foi completamente sentido e que à medida que o tempo passar sobre elas veremos uma mudança ainda maior dos tradicionais guardiões da qualidade para os consumidores e utentes” (James Surowiecki em entrevista exclusiva ao Expresso)

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