Já dizia o José Pereira: é melhor pagar-lhes 100 escudos do que não
publicado 29 Setembro 2007 em Geral.The only truly passive blogging I can think of would be a group blog that is wholly maintained by paid writers, lead by a paid editor. They would have to be paid because volunteers would have little to force them to keep writing. The only work for the owner would be paying up and the occasional interaction with the editor (Chris Garrett, em Is Blogging a Passive Income?)
Em tempos, na Gazeta dos Desportos e no meu início de carreira, encontrei um camarada (mais tarde entrou comigo para o Expresso) com quem aprendi uma das primeiras lições sobre o trabalho nos jornais. O José Pereira pagava 100 escudos aos colaboradores da província pelas fichas dos jogos da terceira divisão — o que um dos administradores achava uma completa parvoice. Afinal, eles já iam de borla à bola, graças ao cartão da Federação que a Gazeta lhes proporcionava. No entender do “capitão barquinho” (nick afectuoso que dispensávamos ao administrador em causa) era um desperdício.
Mas o Zé Pereira era mais sábio. E experiente. “Se não lhes pagar nada”, dizia, “não tenho autoridade para exigir a ficha do jogo no domigo em que os gajos vão ao casamento da filha ou da prima”, o que na província acontecia amiúde por esses tempos. “Mas se lhes pagar, nem que seja 100 escudos, os gajos têm uma obrigação contratual e até podem ir ao casamento, mas saem mais cedo para ir ao jogo ou arranjam forma de a obter, em vez de a responsabilidade passar para nós”.
No blogging é um bocado a mesma coisa. Mais vale termos uma forma de nos auto-responsabilizarmos pela frequência do que fazer dos nossos blogues publicações intermitentes. Uns buscam nas estratégias de fundo (políticas nomeadamente) essa auto-responsabilização. Outros (é o meu caso) preferem trabalhar a dinheiro — por pouco que seja, é um estímulo. Sem estímulo de algum tipo, a maioria dos blogues acaba por morrer ou — pior — arrastar a negligência.
Dinheiro, estratégia política, ambição profissional — não importa: arranje um estímulo para escrever com regularidade e consistência o seu blogue e mantê-lo a par da evolução da concorrência. Verá como aumenta o seu prazer por ter um.


Vá, pela primeira vez dou-te razão. Se bem que na grande maioria dos blogs/bloggers o factor ego e self_promotion resulta, noutros claramente o factor monetário é importante, quanto mais não seja para pagar _aquele_ gadget no natal.
Sim. A mensagem do post é essa: que cada um procure o seu estímulo — seja qual for a forma como prefere receber o reconhecimento público, atenção ou cash — para que possa “blogar” melhor. Como leitor participante não critico os motivos de cada um, mas posso criticar a lassidão e o desprendimento com que muitos bloggers tratam os seus leitores. Foi a pensar na quantidade de blogues “mortos” claramente por falta de motivação dos autores, não pela falta de qualidade, que escrevi este texto.
Conheço excelentes bloggers que blogam por paixão à escrita. Isso alimenta-os.
Conheço outros que melhoraram substancialmente os seus conhecimentos e a prática do blogging motivados pela ideia de os rendimentos ajudarem a pagar conta das comunicações — de tal forma amadureceram e melhoraram os seus blogues que hoje colhem frutos também ao nível das audiências dos blogues, que subiram espectacularmente no decurso de um ano, em completo contra-ciclo com o que se passa na generalidade dos blogues portugueses “de topo”.
Tenho um caso de um autor que em pouco menos de um ano levou um blogue das 0 às 2.500 pageviews diárias este mês. Outro precisou de oito meses. E um terceiro demorou mais tempo a arrancar (tem um nicho difícil de penetrar) mas no Verão deu o pulo e agora está a trepar para o patamar dos 2.000 pageviews diárias (contagem através dos AdSenses, estou a falar de pageviews efectivas).
É evidente que nenhum deles vai enriquecer por aqui (ou talvez não seja, mas ainda é cedo para falar nisto), mas os estímulos que procuraram — um destes três o estímulo nem foi o dinheiro mas o maior envolvimento num certo projecto de evolução do blogging — funcionaram.
É receita simples: procurarmos o que nos pode estimular para blogarmos com mais consciência.
Claro que isto não é para todos e vai haver muita gente que quer do blogging uma actividade ligeira. Claro. Mas uma coisa não invalida a outra, também há muita gente — cada vez mais gente — que quer mais dos blogues do que conversar com os amigos sobre os interesses comuns.