Luis Filipe Menezes é um perigo

A subida de Luis Filipe Menezes à liderança do PSD é um perigo. É imediatamente um perigo para o actual governo. Mendes era o líder da oposição perfeito perfeito perfeito, arrumava a casota dele e não incomodava. Menezes é, na melhor das hipóteses, uma incógnita. Na pior, um pesadelo de relações públicas, tal o chinfrim que já provou ser capaz de armar. Vamos ver. Dependerá muito da sua capacidade de evoluir para o estadismo. Tenho sérias dúvidas sobre tal percurso, devo confessar. Mas tem direito ao benefício da dúvida.
Para a direita, Menezes é um perigo. É um centrista e um oportunista, tem perfil para fazer de espelho de Sócrates, governar à esquerda se for preciso.
Para o CDS, é um perigo! É imprevisível, é fogoso, é mediático, é palavroso, é populista. Não sobra espaço. Os ares vão ficar abafados para o partido.
Para os analistas, Menezes é um perigo. Não o entendem, não o assimilaram, não o querem, não o gramam, não o levam a sério.
Para o país, Menezes é um perigo. Um foco de instablidade permanente. A economia sobressalta-se com a perspectiva — teoricamente, temos de a aceitar — de Luis Filipe Menezes um dia mandar.
Mas o perigo maior é, sem dúvida, para o PSD, o seu próprio partido. A subida de Menezes é um golpe de consequências nesta altura imprevisíveis na complicada teia de comando e influências que é o Partido Social Democrata.
Um golpe?
É um cataclismo. Menezes representa o PSD no estado puro: um partido nervoso, pujante, capaz de tudo e seja do que for, para levar alguns ao poder. Um elevador. O elevador que conhecemos na década de 80 e que esteve devidamente controlado. Menezes não é pior que Cavaco quando saiu triunfante da Figueira da Foz — cidade uma vez mais no caminho do PSD.
Nesta altura, é imprevisível. Tudo pode acontecer, desde uma vaga que leve o partido ao poder já em 2009 (o que o PSD controlado de todo em todo quis evitar, porque tem a sua clientela sentada à mesa e não convinha nada, e a estratégia e a dinâmica dos diversos centros de poder internos e gravitacionais) até à confirmação da tese de que Menezes para 2009 representa um atraso no percurso de credibilização do partido para 2013 (e um filet para José Sócrates comer ao almoço do domingo eleitoral, dada a sua inconsistência política).
Sou mais realista: Menezes está mais perto da sola velha que do lombo tenro. Admito que não mate, mas vai moer à brava.
Bem. Menezes é um perigo para muitos (para mim, não) o que tem um lado muito, muito positivo. Vou-me divertir imenso nos próximos tempos!

  1. 1 martins

    Menezes é uma anedota, nisso estou de acordo consigo, vai divertir-nos , tal como o fez Satana Lopes. Mas não representa qualquer perigo, pelo menos para o PS e o actual governo. Acredite, sou do Porto e conheço Menezes. Agora, que vai representar um perigo para o PSD, nisso estou totalmente de acordo.

  2. 2 Gabriel Silva

    sim, pode vir a ser (e bem desejo que seja) um «cataclismo» para o psd, daí ter torcido pela sua vitória.

  3. 3 FMS

    O grande perigo “Menezes” é a possibilidade de chegar a PM (qualquer um que chegue a líder do PSD arrisca-se a tal). Um perigo real. Basta Sócrates imitar os seus antecessores. Nunca se sabe.
    Era a “Forza Itália” em versão lusa…

  4. 4 Paulo Querido

    Este primeiro texto é especulativo à brava. Eu não tenho certeza alguma sobre o que se vai passar. Mas uma coisa sei: o PSD nunca foi um partido domesticável, embora tenha aceitado pontualmente ser domesticado por alguns. Menezes representa a essência do PSD: o assalto aos poderes pela parte de quem está fora deles. Outros partidos têm isto — mas partilham-no com mais temas nos seus códigos genéticos e (argh) possuem algum tipo de ideologia, ainda que pragmaticamente a possam meter a gaveta quando é preciso. O PSD não tem essas coisas.
    Assim, o PSD nunca foi o partido de A ou de B. Os antigos barões, hoje pessoas bem instaladas na vida (a maioria deles graças à projecção por via do partido), tinham ilusões sobre controlarem o partido.
    Viu-se.
    Agora, se Menezes consegue — eis as minhas dúvidas. Cavaco, que chegou à lierança “contra” a opinião geral, como Menezes, tinha porém uma ideia para o país. Nunca escutei uma ideia a Menezes. Lopes, o mais parecido visto de fora, é um corredor de fundo da política e tem um tipo de lastro a sociedade que Menezes não tem e é pouco provável (ver percurso do actual PR) que alguma vez venha a ter.
    Vamos ver. Mas até pelo confronto entre as duas personalidades que vão marcar os próximos anos do PSD, Menezes e Lopes, é de pagar o bilhete de camarote. (Paulo Portas bem podia ir dar umas aulas para os EUA ou Brasil, retirar-se discretamente, pois com os sobressaltos daquele par, qual é a câmara de televisão que perderá tempo com os seus histerismos?)

  5. 5 O Raio

    Luis Filipe Menezes vai ser um precioso aliado de Sócrates e Cavaco Silva no desejo destes de enterrar o referendo ao clone da Constituição Europeia, isto é, do Tratado Reformador.

    O suicídio político de Marques Mendes deve ter sido o querer fazer um referendo!

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