Uma A-List da blogosfera portuguesa
publicado 19 Setembro 2007 em tecnosfera.Do que eu precisava mesmo era de uma A-List da blogosfera portuguesa. Como é norma na web portuguesa, se a quero tenho de a fazer eu (esta é a segunda razão para eu ter aprendido alguma coisa de programação). Só que desta vez não me apetece, pronto. Mas dava mesmo mesmo mesmo jeito. Ninguém quer dar um ajudinha? Estou disposto a pagar por ela.
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Sorry, mas o que é uma A-List?
Paulo, com que critérios?
Technorati?
Existe o top dos blogs lusófonos criado pelo Obvious.
Gabriel, uma lista dos principais blogues. Não necessariamente os mais lidos, mas também. Não necessariamente os mais linkados, mas também. Não necessariamente os mais respeitados, mas também. Os mais escutados, talvez seja isso.
ah, ok.,
mas para isso seria preciso cruzar várias ferramentas. ex. techonariti, sitemeter, alexa….e atribuir uma ponderação a cada uma delas. Creio uma vez ter lido um estudo/ranking desse género, mas perdi o link.
Encontrei: http://pubaddict.files.wordpress.com/2006/10/ranking_blogs_setembro_2006.pdf
«Este ranking reflecte a classificação de 102 blogs portugueses de acordo com os seguintes parâmetros:
- Média de visitas diárias do blog;
- Valor dos Inbound Links e Linking Blogs no site Technorati para cada blog;
- Valor dos Inlinks para cada blog do site Yahoo! Sitesearch;
- Valor do Google PageRank da cada blog;
- Número de links no Google BlogSearch;
- Número de citações da cada blog no site Blogpulse;
- Número de citações de cada blog no site IceRocket.
- Número de links no site Alexa.
A classificação final não reflecte a soma pura de todos estes dados sendo estes sujeitos a ponderação de acordo com critérios de importância de cada valor. Por exemplo, considerou-se que os valores médios de
visitas e os dados Linking Blogs da Technorati seriam os mais “fiáveis” sendo atribuída uma ponderação de 1,25 e 1,5 respectivamente.»
pode ser apenas uma questão de actualizar dados, atribuir ponderação diferentes, acrescentar/retirar parâmetros.
Miguel, essa lista é um ponto de partida. Mas tem duas graves deficiências, uma para a minha ideia, outra para mais que a minha ideia
A primeira: assenta em dois critérios que não são os únicos para definir uma A-List de influência (o melhor exemplo do que digo é eventualmente o Obvious, um projecto excelente e que muito prezo, mas cujos números superam blogues que, com muito menos leitores e links, têm maior influência no dia a dia).
A segunda: é demasiado incompleta.
Podia ser um ponto de partida, não fosse ser tão incompleta. E… para estar a completá-la, lá está, é o mesmo que ser eu a fazê-la.
Gabriel, imagina esse trabalho feito hoje a uma amostra de 10.000 blogues e com o resultado de, calculo eu por alto, uma A-List de 500 a 1.000 — e terás uma ideia muito próxima do que eu preciso. Para trabalhar.
Estou a apreciar bastante o vosso esforço, obrigado pela ajuda. I mean it.
Uma lista dessas, feita com um equilbrio, leitores, influência, qualidade (sempre subjectiva) seria um bom instrumento, podendo ser actualizada semestralmente.
Mário, sem dúvida. E eu ajudo investindo nela o que puder! Haja quem a faça.
[B]A[/B] A-List final e definitiva da blogosfera portuguesa:
about:blank
Ok, caro zé, eu para si coloco a questão de outra forma: preciso da B-List da blogosfera portuguesa, dava-me um jeitão, etc.
Não me parece que a Blogosfera portuguesa tenha uma A-list de 500 a 1000 blogs.
Acho que se queres uma A-List da Blogosfera, poderás ter algo como 50 Blogs, no máximo.
ISto excluindo as celebridades que têm blogs bastante populares mas que só são visitados pela influência das pessoas fora da blogosfera.
Para que eu perceba exactamente o que queres:
o Abrupto entraria nessa Lista? Não entraria na minha
o Markl entraria nessa lista? Tenho dúvidas se o colocaria na minha
O Obvious também não entraria na minha A-List.
O Miguel do Remixtures entraria seguramente na minha lista. É extremamente influente no seu nicho, I Guess.
Tu entrarias na minha lista.
E qual foi a primeira razão para ter aprendido alguma coisa de programação?
Ups… Sérgio, levantas uma questão pertinente, que não esperava desse ângulo (esperava, como veio, “o que é uma A-List?”).
É claro que cada um de nós tem a sua A-List e só discordo dos quatro exemplo da tua num deles (e não é seguramente um dos líderes de nicho que temos na TE).
Mas isso não nos leva a lado nenhum.
Sendo prático, para o efeito que tenho em mente preciso da A-List de 50 cujas opiniões no campo da política tenham relevância, mas também dos outros 450 cujas opiniões no campo da política sejam de algum modo de levar em conta, pelas suas capacidades de escrita e pela forma como interagem com as suas audiências.
Por outras palavras, há uma diferença entre o “a começar nesse fdp do Fulano são todos uma cambada de ladrões, querem todos o mesmo” e o “o primeiro ministro esteve mal/bem naquela decisão por isto e bla bla”. A “opinião” do primeiro é irrelevante, apesar de estupidamente frequente num universo de de 100.000 blogues activos. A do segundo, porém, deve ser contabilizada, mesmo que reflicta um pensamento relativamente comum (entra no campo das tendências). Não conta só a palavra dos 50 ases mais proeminentes, é preciso algum ajuste fino — e daí a minha ideia de alargar a um número mais representativo da opinião pública.
Caro JL Andrade: a curiosidade intelectual. Apenas e só e não é nada pouco, acredite. (É f-a-s-c-i-n-a-n-t-e o que podemos fazer com 10 linhas de Perl. Não poderia lidar com tanta quantidade de informação sem os meus infobots, fora as habilidades instantâneas)
Eh, esqueci: respondendo directamente à questão, esses quatro entravam na lista de 500-1000. Mesmo o humorista Markl.
E tu também.
A parte do código pode ser trabalhosa, mas o ajuste humano também o é. Na área das ciências do marketing há coeficientes e fórmulas para tudo, mas eu acredito que há “gut feelings” não quantificáveis (a quantificação excessiva é própria de máquinas não de humanos) que também têm o seu valor.
Sem dúvida, Mário. Quer dizer, o valor do gut factor e o “problema humano”. Porque o código não é o problema aqui.
Estou a gostar da conversa sobre uma eventual metodologia para chegar à A-List, mas não deixo de pensar ser curioso a conversa chegar num post eminentemente prático: eu queria era a lista feita, LOL
Adorei a resposta (tive uma namorada que dizia que adorar só a Deus). Eu próprio sou mais um curioso intelectual que outra coisa, mas nunca me tinha lembrado dessa expressão.
Agora a resposta à pergunta inicial, não me importo nada de dar uma ajudinha, mas programação não sei. Posso ajudar na minha área, imagem e não estou à espera de pagamentos, directos pelo menos, acho que a experiência vale só por si.
Caro JL, adorar, só à sua namorada (isto no seu caso, bem entendido. Se houvesse um Deus, não consigo imaginar que gostasse realmente de ser admirado e ainda me espantaria mais se gostasse de ser admirado por esta raça. Seria um grande desapontamento para mim).
Obrigado pela ajudinha, e já agora, que fala em imagem e é webdesigner, veria com bons olhos um concurso para um template WordPress?
Caro Paulo, adorei-a q.b. E acredito que até haja um Deus (ou mais) mas se é branco, preto, azul às bolinhas, consciente ou não isso já não sei (nem me interessa particularmente).
Não entendi a parte do concurso. Pode especificar melhor a ideia, sff.
Ainda bem para ela
Posso especificar melhor, mas não em público, ainda. Vou usar o mail com que se registou para continuar essa conversa.
Só mais uma coisinha que me esqueci. Primeiro sou fotógrafo. O webdesign foi uma aventura que comecei há uns 4 anos a partir do design gráfico (e que por acaso até tem corrido bem) e também faço pós-produção video (já filmei também, mas prefiro a imagem estática). Portanto pode contar comigo em quase todos os ramos de imagem. Mas como disse, em programação é que estamos mal, tirei uns cursos para melhorar o meu trabalho como webdesigner, mas sou um básico a programar. Vai dando para o gasto. Mas sou um gajo esforçado!
De facto, uma A-List tem de ser vista em termos de influência, mas a influência pode ser política ou comercial. Por exemplo, alguns bloggers podem ter influência na imagem de determinado político ou grupo político com as suas opiniões mas dificilmente promoverão um novo produto ou serviço.
Outros há que batsa referirem uma marca para que as vendas possam aumentar, mas ninguém quer saber o que acham dos representantes públicos.
Eu poderia tentar ajudar-te na tarefa de fazer a lista comercial. Na blogoesfera política não me parece que eu esteja suficientemente por dentro para que te possa ajudar. Posso é mandar uns nomes para a lista.
Paulo,
compreendo bem a tua frustração. Deixei de tentar fazer um ranking de blogs portugueses por falta de conhecimentos de programação, o que me impediu de aumentar a lista e automatizar os processos. Estive em conversações com um italiano que construiu um ranking para os blogs italianos, para construir uma versão portuguesa, mas acabamos por não avançar por falta de disponibilidade temporal da minha parte.
Quanto à questão da influência: é preciso ter em conta que as métricas actuais se centram na popularidade e difusão de conteúdos, e não em influência. A malta do Onalytica é a que faz um melhor trabalho em medir a influência por tópicos, mas o método é tão complexo que apenas permite centrar a análise num tópico de cada vez.
A falta de conhecimentos de programação impede-me de ajudar em mais do que seja a concepção teórica e de cálculo. Em todo o caso, se precisares de ajuda dispõe.
Abraço
Paulo,
Recentemente, como é sabido, fiz um ranking lusófono no obvious. Apesar de ter conhecimentos de programação que me permitiram automatizar os processos de recolha, devo dizer que é um processo complexo e moroso, não pela componente tecnológica (pelo menos para mim) mas, pelos critérios e no que podemos aferir quando os misturamos. Confesso que somente me apercebi disso a meio do trabalho à medida que ia observando resultados e mostrando a um grupo de amigos. Parecia óbvio mas, após algumas conversas, deixava de o ser. Quanto a mim, o maior problema surge quando tentamos aferir qualidade de algo simplesmente quantitativo. É impossível. Os bloggers adoram, mas julgo que não é por aí que se deve caminhar.
Ainda antes de lançar o ranking, tinha algo bem mais complexo com diversos indicadores e rankings para todos os gostos mas, acabei por me refugiar nos clássicos do technorati e das visitas. Ainda fiz uma segmentação inicial por PT BR, mas rapidamente o abandonei perante alguns argumentos que me apresentaram. A única inovação e valor que julgo ter trazido ao trabalho já efectuado pelo blogometro, Bruno Ribeiro e outros, é o Ranking de Africa, Cabo Verde e Timor. Teve uma intervenção manual substancial mas, julgo ser extremamente interessante darmos também um contributo a este lado da blogosfera sempre tão esquecida.
Actualmente tenho em base de dados grande parte dos indicadores do Bruno Ribeiro, que são recolhidos de uma forma automática. Ainda há pouco escrevi-lhe um mail a pedir a rectificação de alguns valores e referi que estou perfeitamente disponível para partilhar código, indicadores e tecnologia se assim desejarem.
Vou reservar mais comentários sobre este tema para futuras iterações
No entanto, se estamos a falar de criar um Rank ou uma A-List, temos primeiro que responder a algumas perguntas que, eu próprio, um mês depois de criar um ranking no obvious, tenho imensa dificuldade a responder de uma forma inequívoca:
O que pretendemos aferir com este ranking? Algo meramente quantitativo ou qualitativo?
É importante ter um ranking? sim, é! Mas porque? Estaremos a tratar de trilhar os primeiros passos de um caminho de profissionalização para os bloggers em Portugal?
O que pretendemos alcançar com a profissionalização? Credibilidade?
deixo estas provocações no ar, para já.
Abraço,
BJr
Benjamim,
o teu ranking no obvious é valioso e incontornável. O seu principal defeito, na minha modesta opinião, é ser desiquilbrado nas escolhas (há muitos blogues óbvios que não o integram), e não outros defeitos que lhe apontam.
É mau ainda dependermos tanto do Blogómetro. Devo recordar que fiz o Blogómetro em 2003 (!!) um pouco empurrado, ou estimulado, pelo I congresso de bloggers. É curioso, pois acho que a popularidade do Sitemeter em Portugal está associada à sua escolha na altura para fonte; o Sitemeter está claramente inflacionado na “bolsa” portuguesa de contadores. O Blogómetro rastreava também os dados Technorati, mas quando eles mudaram a tecnologia já eu estava sem capacidade para reprogramar e tirei simplesmente a parte Technorati.
Em 2005 o Blogómetro Technorati tinha este aspecto: http://hu.weblog.com.pt/technorati.html
Em 2006, quando negociei a venda do weblog, uma das coisa mais valorizadas pela AEIOU, SA foi precisamente o Blogómetro. Nessa altura, há mais de um ano que não mexia no Blogómetro e desde Fevereiro de 2006 que não tenho, sequer, acesso à màquina onde está instalado e continua a correr diariamente.
É mau por duas razões: uma, não evoluir é letal e o Blogómetro está imutável há quatro anos (!!); duas, porque evidentemente a blogosfera mudou e hoje sabemos muito melhor o que conta e como conta, do que em 2003, no início.
Lamento profundamente que neste período de tempo o Blogómetro continue como padrão: é injusto para o serviço, que não teve oportunidade de evoluir, e ao mesmo tempo caracteriza a nossa própria blogosfera, que se rege por padrões de imobilidade francamente negativos.
Neste quadro, valorizei imenso (e destaquei tanto quanto me lembrei de destacar) o trabalho do Bruno Ribeiro e faço o mesmo com o ranking do obvious. Se queremos conhecer melhor o valor dos blogues, qualquer que seja a razão, precisamos de instrumentos para tal, e não de um esperto ou dois que bazofam sobre as estatísticas web e medem egos em vez de páginas e leitores.
Embora sensível às vaidades, a indústria da publicidade precisa de dados. E aos leitores também lhes dá jeito, digo eu, terem instrumentos que lhes permitam largar a ignorância.
Que diabo, EU preciso de dados — e foi isso mesmo que aqui pedi, uma “simples” A-List. Como se vê por esta conversa, estamos muito atrasados em matéria de medição de tudo o que não seja o ego de alguns históricos. Estamos no local errado à hora errada (atrasadíssima) a discutir o tema certo, eventualmente até com pessoas certas.
Comecei por me anunciar bem fora disto — eu compro a lista, com mil diabos, não a quero fazer! — mas se houver condições, fazemos mesmo uma lista. Tenho umas ideias, tal como outras pessoas aqui, e alguma experiência sobre os problema que surgem e metodologias para os resolver.
eh, 30 respostas e nem uma referência ao feedburner?
(isto é uma private joke, btw)
Mas haverá mesmo uma lista-A? Alguém dizia que a blogoesfera política raramente se cruza com a geekoesfera (olha o PauloQ, aqui na intersecção), e idem para a blogesfera -p0rno/erotica -babyblogs e outros hubs que se vão formando. Concordo absolutamente que os mais lidos nem sempre são os mais influentes, mas como medir isso?
Há uma ferramenta no blogstorm.co.uk que apresenta os links por post de cada blog (iirc deve ser a média ou qualquer outro valor simplificado) mas até esta tem as suas insuficiências e este nunca seria por si só um critério suficiente.
António, eu sorri com a tua private joke
Sim, há uma lista-A. Na minha modesta opinião, há várias. This is a Long Tail business, para cada nicho ou cluster tens uma curva de Pareto. Ou antes, várias: uma para as audiencias, outra para a influencia, outra para a credibilidade, outra para o respeito, nem todas elas coincidentes. Ah, já esquecia: outra para a popularidade, erradamente confundida com todas as anteriores.
A questão não é discutir se a A-List da política é melhor ou pior que a pornópipoca, a questão aqui é encontrar /fazer ferramentas que permitam obter ambas com algum grau de consenso sobre o que estamos a medir.
Não estamos assim tão às escuras. Como o Bruno Ribeiro demonstrou, e depois dele outros (recordo um trabalho recente mas agora escapa-se-me o autor), há algumas aproximações claramente melhores que outras. Apurar vários factores, atribuir-lhes um peso, construir uma grelha e um modelo que permitam elasticidade (p. ex., se um blogue não tem Sitemeter, é prejudicado? Não pode) parece-me uma boa aproximação.