Por todo o lado é o que se sabe: pujança criativa completa, grande entusiasmo, discussões e conversas activas e interessantes, novas funcionalidades, cada vez mais leitores, cada vez melhores autores, afinação das ferramentas e dos instrumentos.
Excepto por cá, naturalmente.
A blogosfera portuguesa definha.
Dois anos depois os “históricos” continuam no mesmo sítio a escrever as mesmas coisas para os mesmos leitores usando os mesmos modelos.
Há correntes novas, evidentemente, e que vão lentamente ocupando o espaço. Como sabemos, é muito mais difícil construir uma rede hoje do que nos anos dourados de 2003 a 2005, quando bastava abrir um blogue e informar os amigos: saltavam os links e as boas vindas e o entusiasmo pela leitura. Hoje a atenção tem um preço e ninguém puxa da carteira. Os históricos até já entre si evitam contactos — não vão estar a “dar tráfego”.
Isto vem a propósito de ter passeado os olhos e o rato um pouco pela blogosfera espanhola. Que diferença!
Começa na atitude dos históricos do outro lado da fronteira; continuam a aderir, continuam na crista da modernidade, continuam a aumentar as suas audiências, mesmo sem terem acesso ao ecran da televisão e aos jornais.
Arriscam.
Continua com o interesse geral. Em Portugal acabaram-se as notícias sobre a blogosfera. Os 10 ou 20 blogues do costume aparecem nas colunas de citações e contam as notícias que, dizem, o jornalista foi beber aos respectivos blogues.
Pois não sei. Sem instrumentos, temos de acreditar na palavra deles. Pois não sei. Convém, aliás, que a coisa continue como está, os blogómetros na idade da pedra lascada e os segredos guardados pelos monges.
Em Espanha, não. O interesse da sociedade pelo fenómeno é grande. Desde a investigação (cá, o único sector que ainda liga aos blogues) às empresas, multiplicam-se as iniciativas, os encontros, os eventos.
Estou a pensar ir a Sevilha em Novembro, ao Evento Blog España. Não é, sequer, o principal ou o mais estimulante dos eventos do ano, mas é perto da fronteira. E cá deste lado é o deserto: há quanto tempo não temos um encontro, um congresso, uma exposição, um evento qualquer que ele seja, relacionado com a web de hoje e os desafios para a democracia e para a sociedade?
Quem me chamou a atenção para esta depressão em que a blogosfera lusa está mergulhada foi o Benjamin Junior, do Obvious. Referia-se não aos eventos espanhóis, mas aos brasileiros. A blogosfera brasileira conhece um período de grande actividade e muita criatividade. Tem hordas de arraia miúda, é evidente, mas tem um bom quinhão de entusiastas dispostos a aprender a fazer as coisas bem feitas.
Cá na terra? Ora, cá na santa terrinha todos somos craques e ninguém precisa de aprender nada, muito menos com os “técnicos” de “informática” — como se a blogosfera fosse uma coisa de técnicos e relacionada com a informática. (É como dizer que os livros são uma coisa de tipógrafos — uma estupidez).
Não é.
A blogosfera é acerca das pessoas (grupo que por acaso inclui o sub grupo dos técnicos de informática e também o dos tipógrafos) comunicarem entre si as suas vontades — e fazem-no de todas as maneiras que encontrem, num surto de criação e expressividade jamais visto em qualquer período da história do homem (e se os egípcios eram bons!).
A blogosfera?
Não toda: num minúsculo rectângulo da Europa uma tribo resiste.
Bem, vou deixar-me de sermões aos peixinhos, pobres coitados sem ouvidos, e regressar ao bash.

  1. 1 Francisco

    A luso-blosfera é de facto uma depressão e isso deve-se ao carácter dos luso-bloggers, que não escapam à regra nacional. De facto, se queremos comunicar, é necessário ir ao encontro de estrangeiros e, provavelmente, abandonar a língua portuguesa.
    Também tenho denunciado esta depressão nos meus blogues, mas, como diz citando Vieira, é sermão aos peixes.

  2. 2 Francisco

    luso-blogosfera…

  3. 3 Carlos a.a.

    A blogosfera definha e os “históricos” continuam no mesmo sítio a escrever as mesmas coisas para os mesmos leitores usando os mesmos modelos, é verdade na generalidade, Paulo, mas é também verdade que há alguns (poucos) “históricos” que continuam a alimentar blogues com qualidade e novos bons a aparecer.
    Há duas coisas que toma por verdadeiras através de pura observação:
    1 - os autores mediaticamente conhecidos se usam o blogue como um prolongamento mediático da sua actividade tornam-se maçadores enquanto outros que utilizam o seu blogue como um registo pessoal à parte continuam com interesse e qualidade (veja-se o caso do Pedro Mexia e do Francisco José Viegas que não utilizam os blogues como prolongamento…);

    2 - o facto de os autores mediaticamente mais conhecidos abordarem, quase em exclusivo, o quotidiano político português retira-lhes muito interesse e limita as suas capacidades de abertura a outras temáticas bem mais interessantes embora muito menos passíveis se serem mediatizadas.

    Abraço

  4. 4 pedro oliveira

    Realmente concordo consigo. A questão é que muitos dos blogues são feitos por ex e jornalistas, outros por politicos, o que torna a coisa meio cinzenta, poucos são os blogues de gente de fora “do meio” e com “pica”.Gostaria muito que o meu “de provincia” também fosse mais apelativo, mas como todos trabalhamos e nada temos que ver com “desing” e pelo que sei a nossa plataforma também não ajuda(é pá afinal sei umas coisas),faz com que não sejamos o melhor exemplo de “boniteza”. Bem isto tudo para dizer que gosto desta coisa da blogosfera como forma de terapia, em que digo o que me apetece e quem quer lê ,quem não quer põe para o lado.

    um abraço
    http://vilaforte.blog.com/

  5. 5 jpt

    o texto é muito discutível. começaria pelo tom resmungão sobre o colectivo. mas vou passar por cima disso, para o que (me) interessa - para quê discutir opiniões de impossível contraposição sobre os “históricos”? o que são eles? os conhecidos (no exo-blog)? os tipos sempre à mão para dar porrada, exactamente porque conhecidos? como se sendo conhecidos out-blog tivessem mais responsabilidades (”responsabilidade social”) do que os milhares de blouguistas - tantos vindos da era de ouro, com os mesmos ou mudando de blog - que andam por aí? Bem, dizia que ia passar por cima, mas ainda aqui patinei.

    vou ao que me interessa. já sou um histórico (quatro anos quase), ainda que não conhecido exo-blog. tive um blog muito lido (blogometro e weblog.com.pt a dizerem) e agora tenho um lido por um sexto (ou menos) das pessoas - caso típico de um tipo que definhou. talvez o blog tenha definhado, mas acho que é o bloguista. Sem caganças, acho que o texto (se recusar o “histórico” apenas para as celebridades exo-blogs) assenta-me como uma luva.
    Mais sou histórico porque tenho o segundo blog, primeiro em português, em Moçambique - hoje o mais antigo. O bloguismo aqui está a explodir, finalmente, em condições de exercício da palavra livre (cultural e politicamente) bem diferentes das daí. E de diferente acesso à net, muito ainda. E com discussões e interligações (duvido muito que haja essa parcimónia elística aí, pelo menos pelas razões que pressupõe).

    Daí que posso falar da matéria com estatuto de “histórico” decadente. Independentemente da matéria orgânica do blog se ir deteriorando, repetindo-me cada vez que quero opinar (a não ser que seja um comentador da mera espuma dos dias) há outro ponto, que já lhe disse há três anos e meio, quando entrei, felicissimo e com enorme apoio seu no weblog.com.pt. Eu sou um infoexcluído (lembra-se, propus aulas para candidatos a bloguisttas que começassem no a, b, c?).
    O bloguismo é solitário, um tipo que não sabe o que é o “q.b.” informático não consegue fazer nada de novo na tecnologia (a não ser que seja um jovem iniciante) e daí a hipotéticas mudanças de conteúdo e/ou formas (e, foda-se, não se trata de encher os blogs de videos e musicas, que para isso vou ver tv). A única maneira, pelo menos para um quase-velho pouco dado a estas coisas (e acredito que haja mais gente assim, pelo menos hístóricos) é haver gente que consiga comunicar connosco e ensinar - viu o meu comentário jocoso (e sou recorrente aqui nisso) sobre o seu comentário ao Praça da República?

    Não seria melhor, em vez de protestar com os sempre históricos por serem vaidosos, vãos e desinteressantes, conseguir explicar o que é uma “ração”, dar a entender para que serve, em vez de a meter em itálico e chamar feed? Mero e pequeno exemplo, até o mais desinteressante. Pior do que os tais históricos conhecidos no exo-bloguismo, decadentes ou não, vãos ou não, é o domínio do jargão informatiquês, mero sinal de distinção sociológica, vão, desinteressado (na comunicação - quando o trabalho sobre o qual recai é exactamente a comunicação), vaidoso. Mera tecnocracia…

    porrada no PQ? Aqui sim, mas ressalvando que ainda é o tecnocrata mais aberto à rapaziada (poupo-o aos chorosos e saudosos elogios históricos). Mas realmente não há paciência para os tolinhos informáticos (ok, há decerto palavras em itálico de etimologia estranha e linguas estrangeiras para os definir. Com aparência elegante, se lidas por esses tolinhos).

    [há aí um comentário sobre outros blogs, apontando-os como interessantes. é exactamente isso - que raio é a blogosfera portuguesa? o que cada um consegue visitar, no tempo que tem? ou pilhas de coisas que vão aparecendo]

  6. 6 jpt

    e já agora, a “blogosfera” [seja lá o que isso for, termo-herança da “comunidade” que nos idos de 2003 os pretensos elitistas [”nós, os bloguistas”] gemiam] é uma “depressão” porquê? Em meados de 2004 o Paulo Querido escrevia que a blogosfera (lá está) portuguesa era a segunda melhor do mundo, a seguir à americana (eu liguei - acto conhecido pelos possidónios como “linkei” - aduzindo “antes um país de poetas, agora um país de bloguistas”). Em três anos as características portuguesas degeneraram ao ponto de deficit de fotossíntese, até à depressão? ….
    Porra, chamem o Socrates, dediquem-se à auto-estima. Maldita lamúria tuga. Ou melhor, PQ, já que falamos de coisas sérias - tomem as pílulas (lembra-se?, V. usava muito a expressão). Depressão bloguística?, tomem-se as pílulas azuis (fodamos, pois então).
    cumprimentos

  7. 7 Francisco

    Se não fosse uma depressão, não estaríamos aqui a falar da blogosfera portuguesa (Portugal). Isto não quer dizer que não existam bons bloggers portugueses, históricos ou não, independentemente da apresentação. Prefiro o contéudo e deixo a embalagem para os consumidades de vulgaridade.
    Elaboro melhor estas ideias no meu blogue…

  8. 8 Paulo Querido

    Caro jpt,
    sim, é um dos “visados”, por assim dizer :)
    “Não seria melhor, em vez de protestar com os sempre históricos por serem vaidosos, vãos e desinteressantes, conseguir explicar o que é uma “ração”, dar a entender para que serve, em vez de a meter em itálico e chamar feed?”

    Vou pensar nisso. Tenho escrito alguns posts de informação básicos, que em regra são pouco lidos e nada comentados. Sei que são úteis e por isso me esforço por os ir escrevendo.

    E sim, em 2004 estávamos a par dos americanos, depois fomos perdendo a pedalada. Os bloggers americanos evoluiram. Falo mesmo dos que não são nem querem ser pros & afins. Mas falo sobretudo dos que começaram primeiro: a maioria deles acompanhou a evolução e foi a forma de se manterem no topo. Por cá, não é preciso… E é por isso que os “históricos” — cabendo aqui todas as figuras da blogosfera em 2003/2004 — têm blogues iguais desde então e audiências a condizer.

    Não é preciso ser infoincluído para melhorar um blogue. É apenas preciso vontade e estar atento. O jpt lembro-me que incluiu o MyBlogLog muito cedo, foi um early-adopter de um serviço que veio a ganhar protagonismo. E lembro-me porque descobri o serviço ao lê-lo a si! A maioria das pequenas, média e grandes melhorias que se podem fazer, exigem pouco mais do que incluir uma linha de código num template.

    Quanto à repetição — este é um meio de grande criatividade mas isto não pode ser uma limitação ao exercício pessoal. Também eu me repito, todos nos repetimos, todos sentido lato, meta jornais e televisões nisso.

  9. 9 jpt

    já ganhei o dia, ser um early-adopter deve ser coisa boa …
    vejo coisas muito engraçadas em alguns blogs, gostava de as meter ou ensaiar [coluna simples tenho em dois outros blogs mas não me convence, a tralha ao lado é uma seca - isto é o básico]
    Como fazer um blog académico (aulas em combate, trabalhos e textos a correrem)? (ok, ó amigo, vá para o google procurar, dir-me-á, e se calhar com razõa, em vez de andar a chatear os outros devia era procurar]
    cmo por os meus filmes e fotos (bolas, nem o photoshop…) num blog? apetecível, não são esses dinossauricos youtubes …
    Tenho aí um amigo Apenas mais um que fez umas coisas giras, mexeu. nada de genial, que é só hobi para ele, mas enfim …

    voltemos ao básico - a, b, c para mudanças. Fica-se À espera

    Depois, quanto aos históricos. Têm (temos) um instrumento para botar, aprendemo-lo (máquina de escrever, isto), botamos. Outros, tipógrafos, que melhorem, qu’a gente vai seguindo à medida das nossas possibilidades (jeito, capacidade, interesse) EXACTAMENTE como quando apareceram os blogs (ou foram os célebres ou velho-bloguistas, grãos ou não que inventaram e inovaram estas tralhas)

    quanto À depressão, vou ler. A truculencia não é para o opinador, claro está. Mas para o gemebundo som que vem daí

  10. 10 jpt

    ah, eu não falei da blogosfera portuguesa. não conheço tal entidade. Resmunguei sobre o bloguismo em Portugal, muito divertida (ou deprimida) actividade de uns tantos. Não são palavras diferentes, é um abismo que as separa

  11. 11 jpt

    já que o debate começou aqui, aqui me deixo - fui ler, sim senhor, agradeço o desafio. não concordo, e sem qualquer arrogância histórica, é debate que em que já corri há anos. não acredito em comunidades de alguma tecnologia (a gente escrevia cartas, a gente escreve emails, a gente telefona e esseemeessa, não somos comunidade por isso) - para mim isto é radio-amadorismo, sempre o achei, coisa de maluquinhos (ou de segurança em sítios ermos) - porque raio é que querem fazer um clube disto? quem quer amigos que saia da frente do computador - para fazer amigos não é preciso a tal pílula azul. Quem não consegue fazer amigos que se sente ao balcão e chateia o vendedor de alcool ou os outros - fartei-me de fazer isso. E encontrei muitos pré ou proto-bloguistas nisso

    “escola de virtudes”? nem no seminário, porquê ao teclado?

    Agora vou à esplanada. Para a minha “comunidade” de parlapié. Bem hajam…

  12. 12 Francisco

    Conclusão: somos todos “maluquinhos”. Mas prefiro pensar que algo que podemos fazer…, sem tomar a pílula do «radio-amadorismo».

  13. 13 Paulo Querido

    Ui, lá vai o jpt mal disposto. As comunidades quem as faz são as pessoas. A sua comunidade do café é distinta das outras, mas é uma comunidade, tem as características que encontra aqui: pessoas reunidas em volta de um tema, por vezes de uma discussão, de uma pessoa, de um momento.
    Gosto da comparação com o radio-amadorismo, nunca fui macanudo mas conheço isso, aliás, já fiz essa comparação antes.

    Caro Francisco, os radio-amadores fizeram (ainda fazem) coisas. Uma comunidade faz, não tem de se limitar a debater.

  14. 14 Francisco

    Pois, mas sem ideias claras, a acção pode descontrolar-se. Aliás, o debate é sempre já acção, com sentido de pertença. O resto são tretas e devaneios!

  15. 15 Francisco

    Temos posturas diferentes perante a vida e os outros: Sou absolutamente altruísta, objectivo e sociável e, quando me entrego a uma tarefa, faço-o por amor à causa comum. De resto, compreendo que as pessoas metabolicamente reduzidas tenham dificuldade em entender o que significa procurar cooperativamente a verdade. Não estou no plano da teoria mas no da acção: fazer coisas com outros e para os outros, entre os quais nos incluimos.
    Outra coisa: OUÇO BEM, não preciso que me gritem, para compreender, até porque nunca fui «burrinho»!

  16. 16 FMS

    Caro PQ, por acaso não concordo.

    Estamos apenas a viver tempos de ressaca.
    Explico melhor no Intervenção.

  17. 17 Francisco

    Agora tornou-se tudo claro com o comentário de FMS: os luso-bloguistas temem e concorrência! Boa ideia! Daí defenderem o «tacho»! Isso é insegurança total. Daí o corporativismo. Isso é fascismo!
    Parabéns PQ! O seu post dá polémica. Nice

  18. 18 Francisco

    Caro PQ, não fique chateado comigo. A minha luta é contra as luso-trevas que adiam Portugal. Ainda vem aí outro Apito…
    Abraço

  19. 19 Paulo Querido

    Caro Francisco, eu não fico chateado com ninguém. Simplesmente achei que a febre ia alta e quis fazer uma chamada de atenção. Alô Terra.

  20. 20 jpt

    Ó PQ, quando estou mal disposto certamente que naõ venho chatear no “certamente”. Há milhares de blogs só em Portugal, houve-os ainda mais. Há imensas “comunidades”, e houve-as. Eu já andei a botar sobre o assunto, nós os dois vamo-nos espreitando (apesar de não sermos membros de uma “comunidade”), se calhar até já me leu sobre tais coisas, como eu já o li sobre isso. Nestes comentários já li do problema dos blogs (malevolentes, não-comunitários, não-criativos, tudo sinónimos de conhecidos, claro está) serem de jornalistas (aliás, gente conhecida “lá fora”, por isso lidos) - o eterno ressentimento de haver gente mais lida, sem “mérito”, rais parta. Ou de não serem “amigos”, de não serem comunitários, interrelacionados, etc. Isso tem tudo a ver com o que se lê ou visita …
    Já andámos a falar da tal blogosfera - há, em algum bloguismo opinativo, a mania de misturar informação com bloguismo (do sitemeter à medição de ligações, sofre-se com isso; mas também do que se acha que é o conteúdo desejável, o tal dever ser em termos de forma, atitude e conteúdo). Isso é uma falácia, que se traduz no choradinho de que “isto (Afinal) não é uma comunidade como deveria ser”.
    Ora a realidade, mesmo entrevista por quem já lê poucos blogs, é o contrário - a blogosfera não é alternativa/complemento/etc aos jornais. Já andei a resmungar, se há coisa interessante nisto é a auto-edição, não a mediatização - e com isto significo do interessante de não haver as brochuras “ediçaõ de autor” de poetas e contistas, mais desenhadores. Quantas “comunidades”, mais ou menos voláteis como elas o sempre são (salvo para os pobres essencialistas normativistas) existem à volta de blogs de poetas ou escritores desconhecidos. Um tipo chega a um blog de poemas (quantas vezes tão fracos, a seco) e vê dezenas de comentários. Depois vai ao sitemeter quando os há, curiosidade pelo fenómeno, e vê poucos leitores - não é uma conjunção de pessoas, gostos, interesses, episódicos ou não? AS inter-ligações nesse campo? E, presumo (assente na minha experiência), as comunicações email paralelas?
    Dei o exemplo dos blogs autorais de poemas, e ficcionais. Mas de outros assuntos decerto o acontecerá. Eu tenho um quase-temático (centrado em Moçabmique) - quantas comunicações, ligações, apreços, blogoafectos, gerados no seio de gente ligada a àfrica ou a moçambique - nunca acarinhei uma “comunidade ma-schambística”, mas havia campo para isso, surge normalmente - comunidade de interesses, paixões, simpatias. São pequenos grupos, voláteis, simpáticos (e até com os tulius detritus de ocasião) - múltiplos como o bloguismo o é. [já agora, para minorar essa ideia da má-disposição, dá-me um trabalho do caraças mas pratico a reciprocidade interligacionista, elo para cá, elo para lá - “comunidade” egocentrada?]

    Isso é outra coisa, radicalmente, dos sonhos organizadinhos, totalitários, blogosféricos, de uma “comunidade” (com C grande) de entreajuda, de entreleitura. Ou melhor de entreligação. Organizada, pacífica, bem comportada, entredevedora. Deixemo-nos de rodeios, e sem má-disposição, sempre me cheirou a crítica por falta de elos:

    Oh lord, wont you buy me a mercedes benz ?
    My friends all drive porsches, I must make amends.
    Worked hard all my lifetime, no help from my friends,
    So lord, wont you buy me a mercedes benz ?

    (onde está mercedes benz leia-se uma ligação de grã-blog, turbo-leitor como eu lhe chamo. meia dúzia delas e a tal blogosfera volta a ser um sítio porreiro)

  21. 21 jpt

    já agora, para além do fascismo, do tacho, do corporatismo e do portugal adiado (ou defunto), das trevas, e o etc e tal - ixe, isso aí está mal - gosto da ideia da “causa comum”. Um tipo tem um computador, ou acesso a ele. Houve uns maduros que inventaram uma cena que são os blogs. Um tipo abre, até à borla, um blog para botar umas cenas.

    Depois há, ciclicamente, uns tipos que lhe vêm dizer que tem uma obrigação ética - abriste um blog deves pertencer a uma communitas, tens uma “causa comum” (expliquem-me lá tintin por tintin que é para ver se a entendo). Ah, a “verdade”. Bela causa, bela causa - ó PQ ponha aí uma ligação para mim por favor, quando a encontrarem ponham-me o a href por favor, o tecnhorati avisa para a vir ler.

    Já agora, enquanto a procuram dão-me licença para ir botando umas tralhas assim do meu palato, tipo as aventuras da minha filha, uns livros e tal, umas histórias de copos, uns maldizeres do socrates ou do menezes ou do portas ou do sousa ou (muito, muito, muito) do louçã? Ou tenho que ficar à espera da luz?

    Pois, sem rodeios, por mais metabolicamente reduzido que um gajo vá que causa comum é que pode haver com quem anda à procura da verdade? Peço desculpa pela verve longa, sigo agora para o Diário Ateísta e seus critãos opositores - também andam ao mesmo e não se entendem - pode ser que por lá …

  22. 22 Paulo Querido

    jpt, se há coisa boa nesta tecnologia é a sua democraticidade. Não direi perfeita, mas admirável ainda assim. A organização ad-hoc e pontual (smart mobs) é potenciada, com tudo — and I mean: tudo — o que tem de bom (resistir a governos tiranos) e de mau (prejudicar indivíduos, marcas e negócios).
    Quando menciono a pobreza franciscana desta nossa blogosfera refiro-me em geral a toda a gente e a ninguém. Falo do afastamento em relação aos exemplos que começámos por seguir, quase lado a lado (EUA), falo do desinteresse e da modorrice em que hoje habitamos, incluindo os blogues de amadorismo puro (já lá vou) ou “altruístas” pegando no termo do leitor Francisco e que não é verdadeiro (o altruísmo é tão rarefeito no ciberespaço como no espaço atómico). Não há encontros, não há debates, não há cursos práticos, não há conferências, não há congressos, colóquios, ajuntamentos, papers nada, zero, niente, rien.
    Falo também do desprezo pela rede: o entusiasmo fervilhante que se continua a observar nos EUA, que se observa em Espanha, em França, em Itália, no Brasil, não tem correspondência em Portugal. Blogamos mal.
    Veja o caso da rede TubarãoEsquilo. Nada em de especial, segue uma tendência observável por todo o lado e que surge, para muitos, como a evolução natural: como as células se juntam para formar seres de complexidade crescente, o conjunto de nós de rede junta-se para formar organismos mais capacitados para responder a um meio ambiente mais agreste.
    Por esta altura deviamos ter em Portugal um meia dúzia de redes já em “coopetição” umas com as outras, pelos espaços, pelos talentos, pelas audiências. Temos uma em formação e há mais dois embriões que podem o nosso ou outro caminho, embora ainda não estejam assumidas como tal.
    Algumas pessoas olham de soslaio para a rede. Vade retro Satanás, que estes querem ganhar dinheiro com os blogues!
    Não vejo mal nenhum em as pessoas procurarem recompensas pelo se trabalho. Na verdade, é o que fazem sempre que blogam, a esmagadora maioria delas. Procuram algum tipo de recompensa. Conheço casos em que esta vem do reconhecimento, casos em que vem de um emprego conseguido graças ao blogue, casos em que se mede pela importância social, casos em que se alanvacaram programa de televisão, livros, etc.
    É uma questão de chamarmos a moeda pelo nome.

    E aqui volto ao princípio. A ferramenta blogue é versátil, as audiências web são extraordinariamente diferenciadas, pretender que vamos todos acabar a escrever… poemas… repletos… de… reticências… com… significado… profundo… muito vaidosos da nossa comunidade, é uma mistificação. Uns farão isso, outros farão o contrário e outra coisa qualquer.
    Lembra-se concerteza do proverbios.weblog.com.pt. Esse blogue foi marcante na lição: um blogue é uma ferramenta que cada um usa para o que quer, não a condene a mera máquina de escrever, ou fotográfica.
    O jpt usa-a para um ponto de convergência (e de divergências, espero!) sobre assuntos africanos, afectos especiais. Eu uso o meu para muitas coisas, uma das quais para distrair estúpidos (not the case here, mas tenho efectivamente uma minoria de leitores estúpidos com cujo bem estar mental também me importo, eu e os meus abençoados filtros), outra para ir dando conta de algumas actividades digitais e blogais.
    Uso a ferramenta também para criar uma alternativa para o meu futuro. E com esta frase o deixo a pensar, um abraço.

  23. 23 jpt

    1. mas é evidente (ou julgo) que estamos de acordo: cada um bloga como quer (daí a minha aversão à “comunidade ética” da qual volta e meia se fala).
    2. nem pensar em condenar isto a ser máquina de escrever ou de fotografar - e aqui voltamos ao principio desta animada posta: o que eu disse é que quem não percebe nada (ou percebe pouco) do computador trata isto como uma máquina de escrever. E que são especialistas (profissionais ou não) e amadores que desenvolvem a “máquina” para que os ignaros vão experimentando as novidades - esse o ponto da minha discordância com o texto acusatório dos históricos. O problema está na acomodação dos veteranos? talvez. mas, e repito, está também nas formas de demonstração das novidades
    3. outros modos? seja no manusear do blog individual, seja na associação com outros. do primeiro ponto já disse. do segundo se calhar o mesmo - mea culpa, não percebi o que era isso do tubarão, mas apareceu andava eu noutras coisas e não fui ver bem o que era.
    4. recompensas do bloguismo? mas claro, nada é desinteressado. Posso ser desinteresseiro ocasionalmente, mas livremo-nos dos desinteressados (ainda que depois apareçam os blogofranciscanos a protestarem com os fulanos que saltam dos blogs para os jornais, tv ou revistas - mas não é porreiro ver as constantes contradições nos assertivos?)
    5. o futuro via blog? bom, bom. claro, claro. Eu engano o presente com o blog, mas não sou tão ético assim que exija os outros na minha verdade. Acho porreiro esse seu caminho, e acredito que sim
    Cumprimentos - um dia venho chatear para que ponha uma ligação à explicação do que é o esquilo e mais os outros proto-esquilos

    Boas Noites

  24. 24 Paulo Querido

    jpt, se quer ver o que é mesmo a fronteira desta joça dos bits, das comunidades, da Internet e tal, leia isto.

  25. 25 Golfinho

    Oh, Oh, Oh, Oh, meu caro,

    e pronto, tinhamos de entrar em desacordo em alguma coisa, nos últimos 2 meses.

    Ok, “falo” por mim. Lembras-te aí de um post, onde escrevi sobre os bloggers que ligam a audiências, e só editam pensando nos seus leitores e não neles próprios, distorcendo, assim, o pensamento e a iniciativa inicial porque se iniciaram nestas lides? Eu, deixei de ligar ao tráfico, como escrevi, na altura. Aliás, praticamente não visito, leio blogues. E contam-se por dois ou três nos quais deixo comentários. Apercebi-me que se visitasse blogues, lá vinham os seus autores ao meu. Se deixasse de visitar, não vinham. Deixo à aleatoriedade da internet.

    Abraço

  26. 26 Golfinho

    P.S. aliás, creio que essa reciprocidade de visitas e revisitas a partir de blogrolls, tem estragado muito do espírito inicial. Só quero adicionar duas coisas: no meu comentário de cima, não referi os visitantes habituais e fiéis e, por outro lado, este teu texto tem algo de “picanço” ^_^

  27. 27 jpt

    PQ, obrigado pela dica “infográfica”, vou ler.
    Em relação à reciprocidade de leitura do último comentário, e do estragar o espírito inicial. Continuo a insistir, postula-se um “espírito inicial”, que é a transposição da mitologia escatológica - no início uma Idade de Ouro (ética) no presente um vale de lágrimas no futuro as Trevas (também acima afirmadas, noutro comentário) - para o mundo bloguístico. É interessante, mas não como explicação, sim como objecto intelectual a analisar.

    Mais, há ene blogs, impossível de acompanhar. Um tipo tem “favoritos” (eu tenho duas listas, vou acompanhando mais ou menos as actualizações), tenho lista de elos prioritários (também vou clicando) e vou sendo surpreendido com uma ou outra referência de outros bloguistas a blogs novos (ou para mim desconhecidos), textos novos. Ou então vou sendo surpreendido (bem, neutralmente, ou mal) porque conheço outros blogs via sitemeter (tipos que visitam o meu blog) ou tecnhorati. Mais, súbito alguém me chega ao blog via um blog que já não visito há imenso tempo, “olha, olha, deixa lá ver como este tipo(a) anda”. Ou seja, o tráfego como indutor de (re)conhecimento de blogs

    Tudo tão normal, tudo tão bloguístico … para quê e porquê ver nisto “corrupções” ou “malandrices”? Conversa velha para conclusão velha - é um problema quase teológica, o da soberba (n)da humildade.

    Eu fico nos meus pecados - visito os contadores de visitas e de ligações. E não chamo blogroll à lista de ligações - cada um vê corrupção e vertigem de ascensão onde quer.

  28. 28 Francisco

    Até acho divertida a designação que me foi atribuída: blogofranciscano! Se não leram os meus blogues, não podem criticar a minha postura ou crítica que desenvolvo contra a mediocridade. Mas gostei de verificar que o jpt leu muitos posts meus: usou os conceitos que criei, tentando atribuir-me uma filosofia da história pessimista. Mas a minha problemática de fundo é outra: DEMOCRACIA.

  29. 29 Golfinho

    Que me perdoe o autor deste blog por responder ao comentário do caríssimo JPT. Caro JPT, nenhum dos meus dois comentários eram dirigidos a si. E, se bem me lembro, comentei recentemente um post seu sobre a emigração….

    Cumps. a todos.

  30. 30 jpt

    estávamos a conversar, não? que me perdoe o caro comentador, mas não lhe encontro identificação - mas prezo que visite lá a barraca. Abraço

  31. 31 Golfinho

    Meu caro, sou o Golfinho :)
    Sabe que mais? Quando concordo, não comento. E há outro aspecto para não usar os blogrolls e as visitas do sitemeter. Agora leio tudo através do google reader e o sitemeter ou qualquer outro contador não as conta. Por favor, corrijam-me se estiver errado. Ah, o Google Analytics, faz isso. Achei aquele post importantíssimo sobre a emigração e a falta de respeito para com os emigrantes, e comentei. Neste momento, tb sou um.

    Abraço.

    Paulo, desculpa, mais uma vez.

  32. 32 marta

    a mim faz-me impressão, sempre me fez, este tipo de conversas em que se fala de históricos e outras caganças do género.
    Faz-me impressão entrar num mundo tão diferente e ver as pessoas com as mesmas preocupações que têm lá fora.
    Querer fazer o mesmo tipo de “social” que se faz em restaurantes, discotecas, e festas.

    Para mim, é completamente rídiculo.
    É perder a oportunidade de conhecerem outros géneros, é terem as mania que são os maiores e os melhores, que todos temos evidentemente, mas levado a um extremo que faz dó.
    É continuarem-se a importar com o que os outros podem pensar.

    Que tristeza de comentários e de posts.
    Deve ser por isso que acham depressiva a blogosfera nacional.

    Eu acho-a divertida, com imensa qualidade, com imenso civismo.
    Se fosse o espelho do país, que bem estávamos.

    Abraço

  33. 33 Paulo Querido

    Cara marta, a mim faz-me impressão e acho completamente ridículo alguém escrever “este tipo de conversas em que se fala de históricos e outras caganças do género”.
    Fico atónito a contemplar quem acredita realmente que “entrou” num “mundo tão diferente” e se queixa de nele “ver as pessoas com as mesmas preocupações que têm lá fora”. Lá fora? Isso fica onde? Eu só vivo num mundo.

    Só fico descansado ao ler que acha a blogosfera “divertida, com imensa qualidade e imenso civismo”. Aí, compreendo ;)

  34. 34 marta

    Para mim, e desculpe não estar de acordo consigo, a blogosfera é um mundo bem diferente do real.
    Lá fora, para mim evidentemente, é o mundo laboral, familiar, social.
    A blogosfera é definitivamente o mundo virtual de encontros, que nada têm de real, até por muitos ali estarem como personagens, ou partes das realidades da sua (de cada um) vida.
    Diga-me lá quantos bloggers tem visto, ou sabido, assumirem posições de sacanice, ou vigarice ou com qualquer um dos defeitos da tanta gente, uns melhores outros piores, que todos temos?
    A não ser politicamente falando, que aí sim, se assumem com o de bom ou mau que terão as as posições partidárias.
    De resto é tudo boa gente, sem defeitos, com ideais e etc.
    Se acha que este mundo tem alguma coisa a ver com o real…
    Está enganado, Paulo Querido, eu não me queixo de rigorosamente de nada da blogosfera.
    Respondi a um artigo seu, que esse sim me fez impressão. De resto, na blogosfera, sinto-me que nem peixe na água.
    E sinceramente tenho gostado imenso de fazer parte desse mundo, asséptico, inteligente, culto, cívico, que é bem diferente do meu mundo real.

    Abraço

  35. 35 Paulo Querido

    Como disse, compreendi-a antes, bastou ler o seus eligos antes para perceber como se situa. Pelo que não me admiro que gabe a virtualidade. Sei que o mundo dos átomos é uma desilusão e que é mais fácil inventar sensações de triunfo “neste mundo” (separo-os para sua comodidade, não minha).

    Eu não falei em vigarices (embora o possa vir a fazer) nem em defeitos (idem), falei na falta de entusiasmo, na tendência para o imobilismo, no imobilismo, numa atitude geral (ressalvei as excepções) que coloca a nossa blogsfera em contraste total com as outras com quem partilhou parte do caminho inicial. Mas você vive noutro mundo e quis ler outra coisas qualquer nas minhas palavras. Digamos que estou habituado.
    Lamento-a. Mas then again, é capaz de se estar melhor assim, nessa acédia.

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