Ainda o PSD: crueldade indirecta

As eleições directas do PSD tiveram uma crueldade indirecta: destaparam uma das máscaras com que alguns seus militantes e apoiantes — falo em concreto dos casos de Marcelo Rebelo de Sousa e José Pacheco Pereira — se costumam apresentar ao público consumidor de media.
Ser analista político é uma coisa. Tentar manipular a opinião pública é outra. É claro que as duas actividades se misturam, não possuem fronteiras distintas, nenhuma comporta um código ético explícito. Além de se apresentar sóbrio, bem educado (oh well…) e digno, o que podemos exigir a um analista político? A um spinner? A um lobista?
Nada.
A crueldade é essa. A eleição de Menezes pelas “bases” do PSD — com aspas, porque parece que um partido deve ser comandado a partir das “elites” — deixou a nú, preto no branco, que as análises de Marcelo, sobretudo, têm um elevado grau de falibilidade e que a influência do intelectual no partido é nula (suspeito que o seja na política em geral; numa não menos cruel inversão de papéis e descontando a desproporção das audiências, Pacheco faz hoje o que Paulo Portas fazia nos anos 90: mói os responsáveis públicos que se coloquem mais a jeito).
Análise política é o que fazem António José Teixeira e Henrique Monteiro e, até certo ponto, Vasco Pulido Valente, entre outros exemplos que podia ir buscar. Uma pessoa diverte-se a ouvir Marcelo na RTP.
Eu adoro. Mas não é a mesma coisa.

  1. 1 Francisco

    Em suma: os nossos comentadores são pseudocomentadores.

  2. 2 Paulo Querido

    Esse plural já é mau… Para não dizer que eu não falei nos comentadores (isso todos somos a partir do momento em que comentamos) mas dos analistas.

  1. 1 Esgravatar » Blog Archive » Lido (ouvido e visto) por aí
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