Marktest inimiga da micro-publicação
publicado 15 Outubro 2007 em compre um cérebro!.O Netscope vai iniciar até ao final do ano a realização de um ranking mensal de portais, avançou à revista Marketing & Publicidade o responsável pelo sistema site-centric de medição de tráfego na internet da Marktest.
Não se julgue que é um serviço público, porque não é. Nem sequer conseguer ser — ao contrário do que afirma o responsável — um serviço ao mercado. É, isso sim, uma tentativa de cartelização por parte dos quatro maiores operadores do sector da publicação web em Portugal.
Quando o Netscope foi lançado, pensei que era capaz de ser, finalmente, a Marktest a ver a luz. Bastou um mail para perceber que não, é apenas mais um negócio dentro da lógica do modelo de negócio dos media em vias de extinção. À minha pergunta de como podia aderir, ou inscrever-me, recebi isto: “a Marktest pode fazer o licenciamento do vosso site com o NETscope, sendo o custo do mesmo para 2007 de 3500€ mais IVA“.
700 contos de jóia anual para entrar no clube. Linda maneira de medir a web em Portugal. Se não conhecesse já a Marktest, teria ficado mal impressionado.
Ainda por cima, foi-me explicado, teria de pagar uma jóia por cada domínio que submetesse (como se vê, o “serviço” foi feito para a lógica dos subdomínios, casos em que operam os quatro maiores portais, não havendo nenhuma preocupação com o mercado em si mesmo).
Certifiquei-me se era verdade: com um ranking de entrada paga, nunca irão medir o mercado, mas apenas a parcela dele que aceite pagar.
Resposta esclarecedora: “Ok, só aparecem no ranking os sites clientes. Pois como imagina todo o serviço de medição de visitas obriga á utilização de determinada tecnologia. Obrigado”.
Poiiis imagino sim senhor. Tenho efectivamente uma boa ideia sobre o custo de “determinada tecnologia”. O Google, por exemplo, dá-a de borla. Sistemas que têm a capacidade de operar numa lógica de conferir respeitabilidade, que é o que a Marktest procura sem sucesso, têm tabelas de preços cem vezes inferiores.
Porquê?
Porque operam em mercados concorrenciais. Este é um daqueles casos em que a indústria de um país se vê prejudicada por ser pequena.
Naturalmente, recusei. Não me vejo a alimentar este tipo de negócios. A medição web é barata e quando alguém precisar realmente de conhecer os meus números, tê-los-á. A aferição praticada desta forma não passa de uma tentativa de controlar o mercado da publicidade restringindo-o aos operadores que paguem o fee de entrada no clube.
A Marktest apresenta-se assim, nesta fase, como inimiga da micro-publicação. É um erro. Suspeito que o perceberão demasiado tarde.
A verdade dos comportamentos dos leitores e consumidores de informação na rede não tem nada a ver com as consultas aos 37 (no futuro, 200) sites albergados debaixo de sapo.pt, clix.pt, iol.pt e aeiou.pt. O que a Marktest está a tentar, é fechar à nascença a incipiente indústria autóctone da publicidade no galinheiro dos seus quatro clientes, que agradecem o esforço através de uma quota anual disparatada. O que é contra a natureza das audiências na web actual pelo que só poderá trazer maus resultados a toda a gente, a começar pelos anunciantes.
O que vale é que não vai durar muito. Quando descobrirem, dentro de um ano, que na prática o único benefício que tiram do “serviço” é controlarem-se mutuamente, e que permanecem cegos quanto à realidade da publicação web e suas audiências, os próprios clientes rebentarão com a coisa.
- 1 Pingback on Out 15th, 2007 at 15:57


Até parece que leram o seu post anterior e estão a testar a teoria da sabedoria das multidões. Vamos passar?