Há um mês publiquei no Expresso o lançamento de Sabedoria das multidões — a versão portuguesa de Wisdom of crowds, o livro de James Surowiecki , colunista da New Yorker (entre outras publicações).
Naturalmente, no papel não pude reproduzir todo o diálogo que mantive com o autor. Guardei o assunto para uma melhor oportunidade, que chega agora. À razão de uma por dia, publicarei as perguntas e respostas, já traduzidas, entre esta sexta-feira e a sexta-feira da semana que vem — excluindo portanto o fim de semana.
Nas respostas a publicar na próxima semana o autor falará da relação com os blogues, do impacto das redes P2P na economia, nos custos das hierarquias, no impacto da wisdom of the crowds nas indústrias do entretenimento e do conhecimento e na razão que nos resta para votar em alguém.
Antes da primeira questão a Surowiecki deixo aqui uma irresistível frase da apresentação do livro e a primeira pergunta, relacionada com o pós 11 de Setembro.

Antes de ler este livro, encha um frasco com feijões e conte-os. A seguir junte um grupo heterogéneo de amigos e peça que adivinhem o número correcto de feijões. Aponte os palpites. Chegará então a duas conclusões: todos os seus amigos se enganaram e o palpite mais correcto é a média de todos os palpites individuais.

Descreve no livro alguns acontecimentos relativos a agências de segurança. Recebeu algum retorno de pessoas ligadas a elas? Recebeu retorno acerca da influência do seu livro em particular, e de outros que perfilham a teoria da sabedoria das multidões, ao nível dessas organizações? E de outras organizações políticas e económicas?

James Surowiecki: recebi feedback de muitos desses locais, incluindo de membros dos serviços de informação, de agências governamentais e do mundo empresarial. É impossível generalizar acerca das reacções – algumas pessoas estão convencidas que explorar a sabedoria das multidões vai realmente ajudá-las a resolver alguns grandes problemas, eanquanto outras se mostram cépticas. Mas penso que há um consenso: o de que tanto no mundo das empresas como na esfera do governo não se tem feito um bom trabalho de recolha do conhecimento dos seus funcionários – tendo como consequência o desperdício de grandes quantidades de boa informação. Uma das coisas mais apreciadas pelos leitores no livro é o facto de estabelecer um patamar intelectual para o pensamento sobre a inteligência colectiva ao mesmo tempo que sugere algumas formas de tirar partido em concreto da sabedoria das multidões. Ao longo dos anos desde a primeira edição, muitas organizações testaram os seus próprios métodos de reverter a sabedoria das multidões a favor das respectivas actividades.

( Na próxima segunda-feira: falando de retorno: para o James é mais importante a reacção das multidões, via blogues e web, ou das organizações – meio universitário, políticos, jornalistas…? )

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