Um Exemplo De Um Grande Acto de Gestão (mas até eu era capaz de fazer isto, qual é a dúvida?)
publicado 4 Outubro 2007 em compre um cérebro!.Pá, é uma empresa, topas, hã? Uma empresa grande, duh? Eu chego, aquela cena tá a dar lucros há bués. Fonix, é uma máquina de dar lucros muito bem oleada. Pudera, é oleada a cerveja, ahahah! Kékum gajo faz, para ganhar mais uns cobres e ficar bem no retrato? Pegas numa fábrica e fecha-a, pronto!
Foderam-se 70 ou 80 empregos? Bah, julgavam o quê, que o emprego é um direito de nascimento? É a economia, estúpido! Isto cada um gere o seu buraco, topas? O governo que gira o país, que é o buraco dele. Olha, que despeça os funcionários públicos e feche os ministérios! Tungas, a coluna das despesas diminui e o balanço do orçamento de Estado sobe logo, parece magia! É a magia do bom gestor! Diminui o défice em seis meses!
O quê? E depois? Ora, depois dão-me um cargo ainda melhor noutra cena qualquer porque eu sou um granda gestor de topo e geri esta aqui muita bem, criei mais riqueza para todos. Hã? Não foi para todos?! Mas estás a falar de quem? Ah, dos trabalhadores? Lá estás tu, pá, os trabalhadores, isso é um problema do Governo, carago, já te disse. Dêem-lhes subsídios e ponham-nos por aí quietos, isto sabe-se lá se o gajo que vier a seguir vai precisar de braços escravos, ahahah.
Que dizes? Ouço-te mal, pá. Hã? Não há arame na Segurança Social? Pá, vai perguntar isso ao Sócrates, que tenho eu a ver com isso? Olhameste! Isto é privado, pá! Privado! Aqui mandamos nós e se eu quero despedir, despeço. Os lucros? Que tens tu a ver com isso, ó meu PIIII, os lucros são dos accionistas, seu ladrão, queria o quê, que usássemos o aumento de 100% dos lucros no último ano a dividir com os trabalhadores que o fizeram, não?? Eu sou um grande gestor, pá, um Grande Gestor! Esse dinheirinho vai já para os accionistas e essa gente que vá para o fundo de desemprego, quando precisarmos de trabalho vamos lá buscá-los de novo!


Os liberais como o Nuno não usam o pá, Pah
Todos percebemos que quem ficou por cima foi quem se calou e deixou saír essas anormalidades.
Golfinho, isto é uma peça de ficção e qualquer semelhança com a realidade será espantosa e inacreditável — sobretudo para o autor…
Ouça,para a sua ficção ficar um mimo, o menino tinha a-bso-lu-ta-mente que pôr o seu Grande Gestor a falar como um beto, tá ver… (assim parece que anda em Artes e usa uma anilha no lóbulo da orelha, um horror), o que é… fantástico, no mínimo

Quanto ao desprezo por esses restos de Abril - os trabalhadores, que agora são designados por colaboradores e como tal não têm direitos, é claro -basta-lhes a honra de colaborar com o capital - aí o tom está mesmo no ponto. Como se sabe, essa gente só atrapalha e gasta imeeenso dinheiro que devia estar na coluna dos lucros.E será não se pode exterminá-los? Se calhar ainda é cedo… a robótica está uma len-ti-dão que só visto - pior,só as criadas brasileiras e africanas,umas moles. Aí é que vale a globalização,não acha? Sim, que as de Leste, tão empenhadas,coitadas,nem parece que andaram lá na Faculdade na terra delas: aspiram e engomam num minuto.
Ai,menino, agora tenho MESMO de ir embora, há coisas importantes a tratar: uma carteira Hermès que está no Chiado à minha espera - e se os dividendos ainda não chegarem, há uma amiga do colégio que vai a Carcavelos e arranja-me uma IGUAL IGUAL IGUAL
Escreva sempre!!!
Infelizmente há muitos iguais a essa bela “personagem” de “ficção”. Como qualquer “garanhão”, também eles usam os trabalhadores qual mulher usada para satisfação sexual (satisfação económica).
Há uns tempos tive uma saudável discussão num determinado fórum com gente nova (pre-universitários e universitários) e fiquei algo surpreso quando para muitos é aceitável que se despeça e fechem fábricas/negócios se o dinheiro que lá está investido pode ser usado noutros locais com maior margem de lucro nem que para isso despeçam centenas de pessoas e contratem menos e atenção que nem entra nas contas o facto do negócio anterior estar a ser lucrativo, basta o novo ser ainda mais.
O conceito de responsabilidade social não está presente em muita gente, é grave… grave porque instabilidade social não ajuda o País nem as cidades/vilas/aldeias e sem segurança no emprego comportamentos egoístas geram-se… por outro lado também os trabalhadores devem corresponder quando esta segurança lhes é proporcionada.
Primeiro caiu no esquecimento a expressão “classe operária”. Agora está a cair em desuso a palavra “trabalhador”.
Hoje a nossa economia vive de “recursos” e “unidades” que têm poucos ou nenhuns direitos e são descartáveis. Se têm veleidades de reclamar, dizemos-lhe Adeus e arranjamos outros, desempregados é o que não falta.
Ana, meu amor, como eu te compreendo, e como eu ri, gostosamente, da tia do menino
Uma vez numa bomba de gasolina e por puro acaso, juro, ouvi um político do mais alto topo de gama (por acaso do PSD) ao telefone, enquanto esperava por outra pessoa, porta do Mercedes aberta, para seguirem para o Porto. Eu não inventei os pás nem os fui buscar ao metalúrgicos do PC. Foi àquele Mercedes, mesmo. Como está bem de ver, nas suas inúmeras aparições na televisão e nos comícios tinha o cuidado de falar adequadamente. O meu personagem de ficção também tem esse tipo de cuidados — mas apanhei-o em conversa privada, não em pública virtude.
Excelente metáfora, meu caro. Que me perdoe o nuno. Erros interpretativos. É do fuso horário e do fog