Continuando nos números: 13.976
publicado 13 Dezembro 2007 em Economia.13.976 é um grande número. Um número respeitável. Se o quiserem ler de outra forma, 46×300 (arredondado). 46 livros por dia, é o número de novos títulos surgidos em Portugal em 2007. O que quer que se esteja a passar no mercado editorial, não tem a ver nem com menor dinâmica de publicação, nem com falta de autores e obras. Nem com a Internet e o digital, desculpas para as “crises” de outros sectores económicos decorrentes da criatividade artística.
Talvez tenha a ver com o contrário.
E vendem-se? — perguntará de seguida o leitor.
Quem sabe? Talvez sim, talvez não, isto é, depende, tem dias, ao que parece. “Não há estatísticas, não há termos de comparação, não há ferramentas de análise”, recorda muito a propósito o José Mário Silva no fresquíssimo Bibliotecário de Babel.
“E enquanto continuarmos assim, é difícil olhar para este sector com outra atitude que não seja: 1) de dúvida; 2) de desconfiança; 3) de dúvida e de desconfiança”.
Sim. Ainda se fosse só nos livros… Grande parte das actividades económicas privadas em Portugal sofre do mesmo mal, a informação sobre elas é um buraco negro. Esta é, aliás, uma das tremendas vantagens competitivas dos empresários portugueses na Europa e no mundo. O segredo é a alma do (fraco) negócio deles.


Já que o Governo gosta de números, talvez a Sra Ministra da Kultura, ooops… coltura… caraças, não consigo escrever. Bom, talvez aquela senhora loira saiba alguma coisa acerca disso.
Loira? LOL Quer dizer, cabelo em pé?
Podemos dizer… cabelo marado!
Não é no cabelo que está o problema, infelizmente. Como já tinha comentado, em Portugal publica-se muito e bem para um mercado do nosso nível. Principalmente quando as exigências de consumo ficam-se, quando muito, pelos livros Dan Brown e por autores que afirmam (sem pudor) conseguir chegar a casa depois de um emprego mediático e produzir 10 páginas de qq coisa - menos de literatura, certamente.
Mas tem as suas vantagens este mercado português: quem é que não achou delicioso o último confronto entre VPV e MST? Ou as críticas do MEC ao RAP?
Por outro lado temos um grande problema a resolver: a falta de cuidado / qualidade nas traduções.
Mas n é disto (mas tb) q este post do Paulo trata. Os números são claramente de uma importância vital para saber o estado de qq actividade. Mas, por outro lado é bom q no mercado editorial continuem obscuros, pq pela lógica mercantilista acabaríamos completamente inundado pelo q eu chamo de “conspirações vaticanais”.