Continuando nos números: 13.976

13.976 é um grande número. Um número respeitável. Se o quiserem ler de outra forma, 46×300 (arredondado). 46 livros por dia, é o número de novos títulos surgidos em Portugal em 2007. O que quer que se esteja a passar no mercado editorial, não tem a ver nem com menor dinâmica de publicação, nem com falta de autores e obras. Nem com a Internet e o digital, desculpas para as “crises” de outros sectores económicos decorrentes da criatividade artística.
Talvez tenha a ver com o contrário.
E vendem-se? — perguntará de seguida o leitor.
Quem sabe? Talvez sim, talvez não, isto é, depende, tem dias, ao que parece. “Não há estatísticas, não há termos de comparação, não há ferramentas de análise”, recorda muito a propósito o José Mário Silva no fresquíssimo Bibliotecário de Babel.
“E enquanto continuarmos assim, é difícil olhar para este sector com outra atitude que não seja: 1) de dúvida; 2) de desconfiança; 3) de dúvida e de desconfiança”.
Sim. Ainda se fosse só nos livros… Grande parte das actividades económicas privadas em Portugal sofre do mesmo mal, a informação sobre elas é um buraco negro. Esta é, aliás, uma das tremendas vantagens competitivas dos empresários portugueses na Europa e no mundo. O segredo é a alma do (fraco) negócio deles.

  1. 1 Daniel Marques

    Já que o Governo gosta de números, talvez a Sra Ministra da Kultura, ooops… coltura… caraças, não consigo escrever. Bom, talvez aquela senhora loira saiba alguma coisa acerca disso.

  2. 2 Paulo Querido

    Loira? LOL Quer dizer, cabelo em pé?

  3. 3 Daniel Marques

    Podemos dizer… cabelo marado!

  4. 4 O Salgador da Pátria

    Não é no cabelo que está o problema, infelizmente. Como já tinha comentado, em Portugal publica-se muito e bem para um mercado do nosso nível. Principalmente quando as exigências de consumo ficam-se, quando muito, pelos livros Dan Brown e por autores que afirmam (sem pudor) conseguir chegar a casa depois de um emprego mediático e produzir 10 páginas de qq coisa - menos de literatura, certamente.
    Mas tem as suas vantagens este mercado português: quem é que não achou delicioso o último confronto entre VPV e MST? Ou as críticas do MEC ao RAP?
    Por outro lado temos um grande problema a resolver: a falta de cuidado / qualidade nas traduções.
    Mas n é disto (mas tb) q este post do Paulo trata. Os números são claramente de uma importância vital para saber o estado de qq actividade. Mas, por outro lado é bom q no mercado editorial continuem obscuros, pq pela lógica mercantilista acabaríamos completamente inundado pelo q eu chamo de “conspirações vaticanais”.

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