Da persistência

(e da paciência)

Era uma vez um blog chamado Modus vivendi que vivia lá no fundo de uma floresta chamada Blogspot onde chovia muito e o tempo era sempre cinzento e ainda por cima o dia acordava muito cedo e muito frio e os dias eram assim monotonamente foda-se foda-se logo ao amanhecer,
um dia o blog atreveu-se a fugir da chuva e saiu do perímetro da floresta e deu-se um salto quântico e viu outra floresta que se chama weblog.com.pt e mudou-se de armas e bagagens para o Sol, para o lado do Sol, onde a luz é permitida e até encorajada a pintar conforme lhe aprouver
mas na pressa, deixou para trás os arquivos; começou uma vida nova, um conteúdo refrescado –
mais à frente na caminhada o blogue, então já era um blogue, voltou a mudar, curiosamente um pouco à pressa dessa vez, mas já era batido, pelo que levou os arquivos com ele para a nova morada: não é uma floresta, é mais pequena, é assim um jardim — um jardim bonito, florido, pacífico e
durante muitos meses o blogue cresceu e amadureceu e amadureceu,
mas convivia com uma situação: a saudade de ser completo, a vontade de reunir toda a sua bagagem — porque a bagagem é a nossa existência e os foda-se foda-ses de ontem hoje, depois de passarem pela refinadora do bom humor e da bondade, são somente memórias
e um dia — que foi hoje — reuniram-se as condições para o blogue se completar unindo as duas partes do seu arquivo espalhadas por dois continentes.

……………….
Vai fazer três anos no dia 27 que a Ana publicou o primeiro post no Modus vivendi na segunda morada, já no “meu” weblog.com.pt. Foi este: Sitting (here). Era um corte — o corte que hoje se coseu naquilo que se deve salvar, que é a continuidade dos arquivos. Para trás ficavam 2.156 posts, ano e meio a escrever — desde este post, o primeiro, publicado em 12 de Maio de 2003.
Quando passámos o Modus vivendi para a morada definitiva, já em endereço pessoal e intransmissível, amata.anaroque.com, foi fácil passar os arquivos. Na verdade, vieram com a base de dados, não usei nenhum dos facilitadores que existem para isso.
Hoje completei o círculo. Foi precisa alguma ginástica com templates, passwords perdidas, contas de Blogger que não eram acedidas há mais de dois anos (o sistema mudou radicalmente entretanto) — mas está pronto.
Tens tudo no teu sítio. Os teus 6.599 posts desde a tua primeira palavra até à última, sem um corte, uma vírgula, uma emenda, todos juntos no mesmo fio.
Como eu queria.
Com um beijo.

  1. 1 Bruno Silva

    Pois! Essas transferências podem dar algum trabalho.

    Ainda recentemente mudei a hospedagem e o dominio do meu blog e também tive de transferir os posts do blogger para o wordpress.

    Nem sempre tudo corre bem, mesmo com os tais plugins facilitadores.

  2. 2 Daniel Marques

    O Paulo inicialmente escreve “blog”, posteriormente é que volta ao “blogue”.
    Nunca percebi muito bem donde vem este aportuguesamento do termo. Normalmente são os brasileiros que têm estas manias. Talvez o Paulo me possa elucidar. Sei que em francês também se usa.

    Eu escrevo “blog” e sinceramente é como prefiro, espero que daqui a uns tempos não escreva “blogueiro” em vez de “blogger”.

    Já quando pretendo me referir a “post” digo “artigo”, mas já li noutras paragens “postal” ou “poster”.

  3. 3 Paulo Querido

    Daniel, foi propositado. O Modus vivendi começou por ser um blog, tal como (o vento lá fora)* , designação que antecedeu o Mas certamente que sim! neste endereço. Nessa altura, em 2002/2003, falámos e escrevíamos sobretudo blog e weblog. Só em 2004 começou a ficar consensual o aportuguesamento para blogue. Aliás, houveram ainda livros, lembro-me de uma tradução, nos quais se usou o termo weblogues (!).
    Não sou a pessoa indicada pois não sigo as minudências da língua com atenção. Na qualidade de jornalista fui procurando o termo que melhor comunicava — e acabei por me fixar no blogue, embora escrevesse (e ainda escrevo, volta e meia) a palavra blog em correspondência pessoal ou em posts onde estou menos atento.

    Quanto ao blogueiro, heen, não gosto nada. No entanto há quem use e não me faça urticária, como é o caso do Rogério Santos (Indústrias culturais), até me soa bem na boca dele ;) Em regra uso blogger, quando traduzo faço-o para autor.

    Já o post, fia mais fino. Eu também uso muito artigo (já usava nos jornais) e texto (idem). Mas perdi uma teima quando percebi que se pode perfeitamente usar posta, que é usado como pedaço (no caso, um pedaço de texto, um pedaço de conversa, equivale a uma nota e não vejo como recusar o uso, a não ser por questões estéticas ou de gosto). Da posta deriva postal, as in bilhete postal. Por tudo isto, deixei de resistir ao uso de “posta” (que todavia me soa mal) e de “postal” (não estou habituado, mas não tem carga alguma, é uma das melhores alternativas a “post”). Já poster… não, decididamente não está com nada.

    Bruno, eu tenho feito dezenas de migrações. Do Blogger para o Weblog.com.pt (que é Movable Type) e o antigo Sapo (era MT também) a coisa fazia-se bem para arquivos com menos de 1000 posts e sem comentários (na altura não havia comentários no Blogger, era preciso meter no Haloscan e outros). Do MT para WordPress começou por ser difícil, mas rapidamente fizeram um importador que está embutido no WP. Do WP para MT (voltei a interessar-me pelo MT…) também é fácil.

    Um dos principais problemas é o tamanho dos ficheiros de arquivo. Por causa das limitações dos sistemas, que em regra reduzem o upload a um máximo de 2 MB. Mas mesmo que se mexa no php.ini ou equivalente e se abram as goelas para os 16MB (migrei este ano dois blogues, um com 12MB e outro com 14 MB de texto), restam outros problemas, como o timeout do apache.
    A solução simples é, como noutra ocasiões, evitar marrar com a máquina (ela não se perturba e a cabeça fica a doer) e dividir o ficheiro em bocados mais pequenos.

    Importar os links de blogrolls é outra coisa… O que fiz, foi amanhar um esboço de script que converte uma lista de endereços um por linha num output em OPML, que é manuseável depois pelos CMS.

    Hum… um de vocês não quererá escrever um apanhado sobre migração entre diferentes CMS, eu dava uma ajuda, e publicávamos cruzados?

  4. 4 cândida

    bom natalog
    :)

  1. 1 Modus vivendi

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