O Natal 2.0

O Natal é o que um homem quer. Durante quatro décadas e meia o Natal foi para mim Mira de Aire, o ataque às chouriças depois da missa do galo, os teatrinhos dos mais novos, a avó (no início), as tias (depois). Razões que não desejo partilhar com os leitores operaram uma mudança e hoje Natal é a memória do meu cunhado a cantar, sereno, Adeste Fideles nos interstícios da eufórica algazarra comercial que se apoderava do nosso meio ambiente.
Eu sorria daquela força e agarrava-me a ela com uma piscadela de olho.
É ao lado do lugar vazio dele que me sinto em espírito estes dias.

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