Ainda a Mercearia Aliança, em Faro
publicado 24 Janeiro 2008 em aspas aspas.
O meu texto sobre a Mercearia Aliança em Faro, mandada fechar pela ASAE, apesar de longo e intimista teve boas leituras e alguma repercussão.
Ainda bem.
Um comentário colocado ontem à noite merece destaque e por isso o puxo para aqui. Porque levanta uma questão pertinente, ligada à defesa do património.
Um dia perguntei ao merceeiro se me deixava tirar umas fotos da loja. Ele sorriu e disse-me que havia turistas que lhe pediam o mesmo. Ele, eu e esses turistas, conscientes do previsível, inevitável e cada dia mais próximo desaparecimento daquelas toldas de madeira, daquelas prateleiras, daqueles suportes em ferro forjado. Uma arquitectura interior adequada a outras épocas.
É pena que a ‘Protecção do Património’ ignore a preservação de estabelecimentos comerciais. Preocupa-se com a fauna e a flora, com as ruínas desde que sejam romanas. Muito pouco com o património edificado ao longo da história das cidades.
A Mercearia Aliança vai reabrir, assim que estiver limpa e pintada. Mas será isso o bastante? Não poderia antes ser recuperada como objecto histórico? (Inês, aqui)
Eu também sempre me interroguei com o que é que merece a classificação de preservação e o que vai abaixo. Desconheço os critérios — mas também vejo muita ruína velha que não compreendo e muita parede nova que precisava amparo.


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